Ecografia Devolve Esperança a Gestante de “Primeira Viagem” de 25 anos

O Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (UK DfID) e as Nações Unidas apoiam em intervenções para melhorar as condições de nutrição, saúde reprodutiva materna, neonatal, infantil e do adolescentes.

Cremildo Assane
“Depois que engravidei, comecei a ter dores muito fortes e frequentes na bexiga. Mulheres mais  experientes disseram-me que era princípio de aborto e que iria perder o meu bebé. Fiquei com medo! Mas, quando fui ao hospital fazer ecografia descobri que ele estava vivo e saudável,” conta Muantima Alberto, uma mulher jovem de 25 anos de idade, que reside em Lichinga, província do Niassa, a Norte de Moçambique.
UNICEF Moçambique/2019/Cremildo Assane
02 Setembro 2020

“Depois que engravidei, comecei a ter dores muito fortes e frequentes na bexiga. Mulheres mais  experientes disseram-me que era princípio de aborto e que iria perder o meu bebé. Fiquei com medo! Mas, quando fui ao hospital fazer ecografia descobri que ele estava vivo e saudável,” conta Muantima Alberto, uma mulher jovem de 25 anos de idade, que reside em Lichinga, província do Niassa, a Norte de Moçambique.

Muantima tinha contrações bastante dolorosas na zona da bexiga e a princípio não sabia que estava grávida até quase ao segundo mês da gestação. Entretanto, ela achou por bem comprar medicamentos numa farmácia e iniciou o tratamento sem aconselhamento nem acompanhamento de um profissional de saúde qualificado. Embora ela estivesse a auto medicar-se, os comprimidos pareciam não dar efeitos esperados, pois as dores eram cada vez mais frequentes e fortes e quase perdeu seu bebé. Por conta disso, ela andava deprimida e com aparência pálida. Ainda assim, ela continuava a tomar aqueles medicamentos.

Para Muantima, as noites eram longas, pois as vezes nem conseguia dormir. Seu esposo fazia questão de permanecer acordado para fazê-la companhia e cuidadosamente tomar conta dela, expressando solidariedade, apoio mútuo e união durante aquele momento difícil que atravessam.

Em plena noite chuvosa no inverno – fazia muito frio, clima típico de Lichinga, de repente, ela começou a queixar-se de muito mal estar, enjoo, vertigem e febres. Seus dentes rangiam. “Eu estava com tonturas, fraca e a dor na bexiga era insuportável. O meu marido viu que eu não estava nada bem e levou-me ao hospital”- conta Muantima. Da sua casa, no bairro de Muchenga 2, até ao Hospital Provincial de Lichinga levaram mais de 30 minutos, pois caminhavam vagarosamente para evitar provocar mais dores nela. Chovia torrencialmente e as ruas estavam às escuras, o chão alagado e lamacento.

Chegado ao Hospital provincial de Lichinga, Muantima foi prontamente atendida por uma Enfermeira de Saúde Materno-Infantil (ESMI), que foi formada no âmbito do Programa Conjunto das Nações Unidas, apoiado pelo Departamento para Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (UK DFID, sigla em Inglês). O objectivo do programa é reforçar os resultados de saúde, melhorando a procura, utilização e qualidade das intervenções de Saúde Sexual, Materna, Neonatal, Infantil e do Adolescente em Moçambique.

“Fizeram-me muitos exames, até uma ecografia! Sabe, foi uma surpresa para mim, nunca tinha feito antes. Eu e o  meu marido abraçados, chorámos de tanta alegria depois que soubemos que seríamos pais. Era tudo o que nós queríamos”, revela Muantima, tendo de seguida dito que “foi muito importante ter ido ao hospital, não imaginava que aquelas dores que eu sentia não estavam relacionadas com a bexiga, mas sim com  a gravidez”, reconheceu ela.

Efectivamente, o Ecógrafo foi adquirido com fundos do DFID no âmbito do Programa Conjunto das Nações Unidas (OMS, UNFPA e UNICEF) em apoio ao Caso de Investimento em Saúde Reprodutiva Maternal Neonatal Infantil e do Adolescente (SRMNIA), para se fazer rastreamento de gravidez. Para além de Ecógrafo, foram fornecidos materiais médico-cirúrgicos para apoiar ao hospital provincial de Lichinga, centros de saúdes do distrito de Lichinga e hospitais rurais/distritais de outros distritos de Niassa.

Durante a consulta, Muantima tinha “confidenciado” à enfermeira que ao se ter automedicado quando teve dores na bexiga sem saber ao certo o que tinha era algo que fazia com frequência quando tivesse alguma preocupação de saúde.

Por sua vez, a enfermeira sensibilizou-a sobre a importância de fazer consultas na unidade sanitária, sobretudo pelo facto de Muantima estar grávida era imprescindível que fosse à consulta pré-natal. A enfermeira também advertiu que, especialmente, durante a gravidez ela não devia voltar a tomar medicamentos sem indicação de um profissional de saúde, pois para além de atrasar ou inviabilizar o diagnóstico, há perigos se não houver orientação de um profissional de saúde qualificado. E quando esta prática se torna uma rotina e hábito pode causar problemas sérios de saúde, levando à morte em casos mais complexos.

“Fiquei apreensiva e com remorso ao ouvir que tomar medicação sem orientação podia estar a pôr em risco a minha vida e principalmente a do meu bebé. Receava que pudesse acontecer o pior”- ela admitiu-se culpada. “Mas graças aos resultados da ecografia, a enfermeira informou-me que o meu bebé estava bem. Naquele momento fiquei aliviada. Foi a primeira vez que eu vi o meu filho ainda em formação através daquele aparelho e fiquei muito feliz”, diz comovida Muantima.

A enfermeira recomendou a Muantima a descansar mais e ter uma alimentação equilibrada, entre outras práticas saudáveis, e cumprir integralmente o calendário das consultas pré-natal para que a gestação ocorresse sem complicações para ela e seu bebé. “A partir daquele dia comecei a obedecer: abri a ficha  pré-natal e nunca faltei à nenhuma consulta; fiz o tratamento com sal ferroso e ácido fólico para aumentar o sangue e prevenir qualquer deficiência no bebé. Enfim, segui todas as recomendações dadas pela enfermeira e as dores jamais voltaram. A minha gravidez evoluiu saudavelmente até ao nono mês”- conta Muantima.

“Quando a minha barriga estava mais grande fiz uma ecografia e descobri que o meu bebé era um menino e partilhei a notícia com o meu marido. Ele gostava de passar a mão na minha barriga e acariciava quando o bebé mexesse”, recordou de memória lúcida Muantima.

Já era o nono mês da gestação de Muantima e sua barriga já estava muito grande. Duas semanas antes do parto, ela sentia a barriga contrair em intervalos cada vez mais curtos em relação aos meses anteriores. Algumas suas tias mais velhas e experientes já haviam se reunido e alojado na casa da Muantima há alguns dias para apoiar a sobrinha “grávida de primeira viagem” a preparar devidamente o trabalho de parto.

A hora mais esperada por toda a família para receber um novo membro se aproximava. Ao longo da madrugada do dia do parto – por volta das 3 horas – as contracções ficaram mais fortes e a bolsa rompeu. Quando iniciou o trabalho de parto, ela foi levada ao Hospital Provincial de Lichinga, acompanhada pela família.

Chegado à maternidade, Muantima foi examinada pela enfermeira, foram avaliados os batimentos cardíacos do bebé, a frequência das contracções e fizeram um toque vaginal para confirmar a dilatação. Pouco tempo depois, Muantima deu à luz normalmente – o  pequeno Kelven, o menino nasceu com cerca de 3Kg, forte e saudável.

“Consegui, consegui… já sou mãe!”, foram as primeiras palavras que Muantima pronunciou logo depois que seu filho nasceu. No seu rosto escorriam lágrimas de alegria e victória por ter-se tornado mãe. “Chorei tanto de gratidão quando vi o meu filho pela primeira vez. Eu estava feliz! Abracei o meu bebé e fiquei curiosa em ver o rostinho dele – tem minha aparência e do pai”- diz eufórica Muantima.

Quando o marido de Muantima se aproximou à sala de parto, o entusiasmo era excessivo e quase infinito que o casal não conseguiu se conter, afinal era para ambos seu primeiro filho e desejavam muito ser pais. “Apertei a mão do meu marido, olhamo-nos e sorrimos simultaneamente e foi inevitável eu chorar. Ele também ao sorrir não resistiu nem escondeu, caíram lágrimas”- conta Muantima enquanto segurava seu filho nas mãos.

Ao anoitecer, a mãe do pequeno Kelven já se tinha recuperado suficientemente e queria ir para casa. A enfermeira explicou que ela somente podia ter alta passado 24h depois do parto e que era preciso avaliar se estava tudo bem com ela e seu bebé. Antes de sair do hospital, Muantima e seu marido foram aconselhados para fazer o planeamento familiar de modo a permitir que seu bebé cresça e se desenvolva saudável e também para que seu corpo repouse adequadamente e ficar preparado para futuramente fazer mais filhos. Foram igualmente aconselhados a ir às consultas pós-parto, e sempre que possível acompanhada pelo pai, também fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e completar até aos 2 anos ou mais.

“Eu e o meu marido decidimos dar um intervalo de 2 a 3 anos sem ter filhos. Este tempo vai permitir-nos dar mais amor, cuidados e atenção ao nosso Kelven, levá-lo ao hospital para pesar e receber vacinas porque já tem seu cartão de saúde. E também poderei amamentar o meu bebé com o leite do peito”, concluiu ela.

O Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (UK DfID) e as agências participantes das Nações Unidas, nomeadamente Organização Mundial de Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) e o Fundo das Nações para a Infância (UNICEF),  em estreita colaboração com outros parceiros, apoiam ao Governo de Moçambique para priorizar o investimento em intervenções de alto impacto e custo acessível para melhorar as condições de nutrição, saúde reprodutiva materna, neonatal, infantil e do  adolescentes.