Crianças com deficiência: A história de Assobis José

A Light For the World e o UNICEF, com o apoio do Governo da Noruega, tiveram de se adaptar a COVID-19 através de um projecto que visa o apoio psicossocial remoto a pessoas com deficiência.

Miraldina Gabriel e Cláudio Fauvrelle
A Light For the World e o UNICEF, com o apoio do Governo da Noruega, tiveram de se adaptar a COVID-19 através de um projecto que visa o apoio psicossocial remoto a pessoas com deficiência.
Light for the World/2020/Miraldina Gabriel
22 Dezembro 2020

Beira, SOFALA – Assobis José, de 4 anos de idade, teve uma complicação durante o seu parto, que o deixou com uma Paralisia Cerebral. “Ele não chorou depois que nasceu, como é normal em recém-nascidos, depois de ser examinado, as enfermeiras disseram que o meu filho teria um desenvolvimento muito lento,” conta a sua mãe, Joana Portugal.

Joana foi aconselhada pelos médicos a fazer fisioterapia quando o Assobis completasse 1 ano de idade. Mas com o passar do tempo a situação do Assobis ficava mais evidente pois ele não conseguia sentar, ficar de pé ou gatinhar. Joana viu-se sozinha a cuidar do pequeno Assobis, porque o pai do menino os abandonou logo que se apercebeu da deficiência do seu filho. Para sustentar o seu filho, Joana vende algumas hortícolas pois, para além da deficiência, Assobis enfrentava um sério problema de má nutrição.

A saúde do Assobis começou a melhor depois que ele entrou para o programa de Reabilitação Baseada na Comunidade, da Light for the World, onde passou a fazer exercícios para ter movimento nos seus pés e estimular os seus sentidos. Hoje, ele consegue pegar nos objectos, consegue reagir aos estímulos e até pronunciar algumas palavras, mas com a pandemia da COVID-19, os activistas não podem continuar a ter contacto físico com os beneficiários, e por isso, a Light For the World e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com o apoio financeiro do Governo da Noruega, tiveram de se adaptar ao “novo normal” levando a cabo um projecto que visa o apoio psicossocial remoto (através de telefone) a meninas e meninos, homens e mulheres com deficiência, nos distritos de Dondo, Nhamatanda, Gorongosa, Búzi e Cidade de Beira, na província de Sofala.

“O activista tem ligado sempre para saber como eu e meu filho estamos, explica alguns exercícios que eu tenho que fazer com o Assobis, para que ele continue a melhorar. O activista também conversa sobre a importância de prevenirmos do coronavírus, pergunta das dificuldades que estamos a enfrentar, e isso é bom porque posso falar sobre os meus medos, minhas preocupações, e não me sinto sozinha nem abandonada. Lembro que um dia o activista ligou e eu estava de baixa no hospital com o Assobis, e aquela chamada me deu um pouco de conforto porque eu me sentia muito sozinha,” contou Joana.