Cabo Delgado: Uma oportunidade de recomeço após infância interrompida

Quando ainda tinha 16 anos, Francisca foi obrigada a unir-se prematuramente e construir uma família, onde o seu marido à proibia de estudar. Os livros e cadernos foram substituídos por responsabilidades de dona de casa, esposa e posteriormente mãe.

Miraldina Gabriel
Quando ainda tinha 16 anos, Francisca foi obrigada a unir-se prematuramente e construir uma família, onde o seu marido à proibia de estudar.  Os livros e cadernos foram substituídos por responsabilidades de dona de casa, esposa e posteriormente mãe.
UNICEF Moçambique/2025/Miraldina Gabriel
10 Junho 2025

Namumo, Cabo Delgado – Com mais esperança do futuro, aos 18 anos de idade Francisca Armando (nome fictício) abraça a oportunidade de recomeçar com garra e muita coragem, apesar dos desafios que já enfrentou.

Quando ainda tinha 16 anos, Francisca foi obrigada a unir-se prematuramente e construir uma família, onde o seu marido à proibia de estudar, sendo obrigada a abandonar a escola quando frequentava a 4ª classe. Os livros e cadernos foram substituídos por responsabilidades de dona de casa, esposa e posteriormente mãe. Uma infância, planos e sonhos  interrompidos muito precocemente.

 

Francisca Armando (nome fictício)
UNICEF Moçambique/2025/Miraldina Gabriel

Eu ainda estava a estudar quando me casei, e meu marido disse para ficar em casa, porque escola não é lugar de mulher casada e eu desisti de estudar. Eu só ficava em casa a cozinhar, lavar roupa, ajudar na machamba, até que engravidei e agora que tenho meu filho.

Francisca Armando (nome fictício)

‟Eu ainda estava a estudar quando me casei, e meu marido disse para ficar em casa, porque escola não é lugar de mulher casada e eu desisti de estudar. Eu só ficava em casa a cozinhar, lavar roupa, ajudar na machamba, até que engravidei e agora que tenho meu filho, meu marido foi casar com outra mulher em outra aldeia, e só fiquei com o meu filho,” conta Francisca.

Determinada a mudar o seu destino, Francisca tomou uma decisão corajosa, a de voltar a estudar. Hoje ela alterna o trabalho árduo na machamba, onde cultiva amendoim, milho, feijão e outras culturas que lhe garantem o sustento para si e seu  filho, e o centro de alfabetização, onde aprende a ler, escrever e fazer contas.

‟Quando eu ouvi que iam começar aulas para quem não conseguiu se matricular no início do ano, eu quis entrar para escola, e aqui estou a aprender muito. Já sei escrever meu nome e quero aprender a escrever também o nome do meu filho. Meu sonho é continuar meus estudos até conseguir ter uma profissão, conseguir trabalho e dar um futuro melhor para o meu filho”.

Hoje, a sala de aula é o espaço onde Francisca reencontra a auto-estima e a esperança. Aprender, para ela, significa resistência, futuro e realização de sonhos. Sua história inspira outras raparigas a acreditarem que nunca é tarde para recomeçar, quando a oportunidade existe. 

Quando eu ouvi que iam começar aulas para quem não conseguiu se matricular no início do ano, eu quis entrar para escola, e aqui estou a aprender muito. Já sei escrever meu nome e quero aprender a escrever também o nome do meu filho.

Francisca Armando (nome fictício)
Quando eu ouvi que iam começar as aulas para quem não conseguiu se matricular no início do ano, eu quis entrar para escola, e aqui estou a aprender muito. Já sei escrever meu nome e quero aprender a escrever também o nome do meu filho.
UNICEF Moçambique/2025/Miraldina Gabriel

Com financiamento da União Europeia, o UNICEF em parceria da Direcção Provincial de Educação em Cabo Delgado e Serviços Distritais de Educação no distrito de Namuno, estão a implementar o programa de alfabetização em numeracia e literacia, para garantir que jovens a partir dos 14 anos de idade que por diferentes motivos nunca frequentaram a escola ou desistiram muito cedo, possam ter a oportunidade de estudar, ter instrução e alcançar todo o seu potencial, pois para aprender, nunca é tarde.