Cabo Delgado: Uma oportunidade de recomeço após infância interrompida
Quando ainda tinha 16 anos, Francisca foi obrigada a unir-se prematuramente e construir uma família, onde o seu marido à proibia de estudar. Os livros e cadernos foram substituídos por responsabilidades de dona de casa, esposa e posteriormente mãe.
Namumo, Cabo Delgado – Com mais esperança do futuro, aos 18 anos de idade Francisca Armando (nome fictício) abraça a oportunidade de recomeçar com garra e muita coragem, apesar dos desafios que já enfrentou.
Quando ainda tinha 16 anos, Francisca foi obrigada a unir-se prematuramente e construir uma família, onde o seu marido à proibia de estudar, sendo obrigada a abandonar a escola quando frequentava a 4ª classe. Os livros e cadernos foram substituídos por responsabilidades de dona de casa, esposa e posteriormente mãe. Uma infância, planos e sonhos interrompidos muito precocemente.
Eu ainda estava a estudar quando me casei, e meu marido disse para ficar em casa, porque escola não é lugar de mulher casada e eu desisti de estudar. Eu só ficava em casa a cozinhar, lavar roupa, ajudar na machamba, até que engravidei e agora que tenho meu filho.
‟Eu ainda estava a estudar quando me casei, e meu marido disse para ficar em casa, porque escola não é lugar de mulher casada e eu desisti de estudar. Eu só ficava em casa a cozinhar, lavar roupa, ajudar na machamba, até que engravidei e agora que tenho meu filho, meu marido foi casar com outra mulher em outra aldeia, e só fiquei com o meu filho,” conta Francisca.
Determinada a mudar o seu destino, Francisca tomou uma decisão corajosa, a de voltar a estudar. Hoje ela alterna o trabalho árduo na machamba, onde cultiva amendoim, milho, feijão e outras culturas que lhe garantem o sustento para si e seu filho, e o centro de alfabetização, onde aprende a ler, escrever e fazer contas.
‟Quando eu ouvi que iam começar aulas para quem não conseguiu se matricular no início do ano, eu quis entrar para escola, e aqui estou a aprender muito. Já sei escrever meu nome e quero aprender a escrever também o nome do meu filho. Meu sonho é continuar meus estudos até conseguir ter uma profissão, conseguir trabalho e dar um futuro melhor para o meu filho”.
Hoje, a sala de aula é o espaço onde Francisca reencontra a auto-estima e a esperança. Aprender, para ela, significa resistência, futuro e realização de sonhos. Sua história inspira outras raparigas a acreditarem que nunca é tarde para recomeçar, quando a oportunidade existe.
Quando eu ouvi que iam começar aulas para quem não conseguiu se matricular no início do ano, eu quis entrar para escola, e aqui estou a aprender muito. Já sei escrever meu nome e quero aprender a escrever também o nome do meu filho.
Com financiamento da União Europeia, o UNICEF em parceria da Direcção Provincial de Educação em Cabo Delgado e Serviços Distritais de Educação no distrito de Namuno, estão a implementar o programa de alfabetização em numeracia e literacia, para garantir que jovens a partir dos 14 anos de idade que por diferentes motivos nunca frequentaram a escola ou desistiram muito cedo, possam ter a oportunidade de estudar, ter instrução e alcançar todo o seu potencial, pois para aprender, nunca é tarde.