A alegria da Genita ao ser vacinada contra a pólio

Uma equipa de saúde observou algo diferente no braço esquerdo de Genita. Havia uma perda de força muscular, uma paralisia, que acendeu um sinal de alerta para todo País.

Immaculada Prieto
Genita, 6 anos, em sua casa, no povoado de Monte Sinai, no distrito de Molumbo, na província da Zambézia.
UNICEF Moçambique/2019/Immaculada Prieto
14 Fevereiro 2019

Molumbo, Zambézia - Genita está em casa, esperando sua mãe voltar da machamba. Todas as manhãs sua mãe, Nenita António, sai com a sua enxada para cultivar milho, mandioca e feijão. Este ano, as plantações cresceram bem, pois a chuva foi boa. Já pela estrada se vê uma paisagem verde, marcada por mangueiras, cajueiros e bananeiras. São 42 quilómetros a partir da sede do distrito até a casa de Genita. Com as chuvas e os buracos, podem ser quase duas horas de viagem de carro. Mas os carros são raros, o meio de transporte mais usado são as bicicletas ou longas caminhadas a pé.

Com seis anos de idade, Genita vive com sua mãe, seu pai e seus cinco irmãos no povoado de Monte Sinai, no distrito de Molumbo, na Zambézia – a província mais populosa de Moçambique. No país, cerca de 70% da população é rural, sendo que a metade da população são crianças e adolescentes.

Genita e seus irmãos moram nma casa tradicional feita com tijolos de barro, coberta com um capim resistente que nasce na beira dos rios. A unidade sanitária mais próxima está a 16 quilómetros. Por isso, uma vez por mês, é esperada a chegada da brigada de saúde que percorre os povoados e presta serviços básicos de saúde às famílias. Foi durante a brigada, em Outubro de 2018, que a equipa de saúde observou algo diferente no braço esquerdo de Genita. Havia uma perda de força muscular, uma paralisia, que acendeu um sinal de alerta para todo País. Declarado país livre da pólio em 2016, Moçambique enfrentou novos casos da doença no ano seguinte. E, agora, com a descoberta do caso de Genita, a preocupação voltou. A pólio é uma doença grave, transmitida por vírus, que pode causar paralisia nos braços e pernas.

Genita, 6, e sua mãe Nenita Antonio, 35 anos, com o filho Alberto, 1 ano, em sua casa no povoado de Monte Sinai, distrito de Molumbo, província da Zambézia.
UNICEF Moçambique/2019/Immaculada Prieto

Não sei como ela apanhou essa doença. Apalparam o braço dela e viram que tinha algo de errado.

Nenita António, mãe de Genita.

“Não sei como ela apanhou essa doença”, diz Nenita, sua mãe. “Apalparam o braço dela e viram que tinha algo de errado”. Após a confirmação de seu caso, outras crianças na vizinhança foram examinadas e outros dois casos de pólio foram confirmados.

Em rápida resposta, para bloquear a transmissão do vírus da pólio e impedir a contaminação de mais crianças, foi iniciada uma campanha de vacinação porta a porta em Molumbo e outros nove distritos vizinhos, das províncias da Zambézia, Nampula e Niassa - uma realização do Ministério da Saúde de Moçambique em parceria com o UNICEF e a OMS (Organização Mundial da Saúde). Equipas de vacinação percorreram os povoados, casa a casa, para vacinar todas as crianças menores de cinco anos. De 30 de janeiro a 04 de fevereiro, cerca de 700 mil crianças dessa faixa etária foram vacinadas nos 10 distritos. 

A pequena Genita ficou feliz em ver as crianças do seu povoado recebendo a vacina. Seu pai, inclusive, não está em casa porque se juntou a uma das equipas de vacinação, ajudando a mobilizar outras famílias da região. Ela olha tudo com olhos de alegria, brincando com os irmãos. 

“Fiquei preocupada. Mas agora ela já está bem, já consegue mexer bem o braço”, diz a mãe de Genita. Ela quer ver sua filha ir à escola, estudar, aprender a ler, a escrever português. Ela mesma, hoje com 35 anos, só conseguiu estudar até terceiraclasse. Como a maioria dos adultos da região, ela tem limitações em se expressar em português, a língua oficial do País, onde grande parte da população ainda se comunica em língua locais. Mas, com sorriso de mãe, que não precisa de tradução, ela diz: “Todas as famílias queremos ver nossas crianças crescendo com saúde.”