Aconselhamentos e disciplina salvam a vida do pequeno Wesley

Fátima seguiu à risca as recomendações médicas e, portanto, volvidos 2 meses depois que Wesley nasceu com um baixo peso e naquele dia de consulta pesou 2,800 Kg, uma superação que foi motivo de muita alegria.

Cremildo Assane
“Oh meus Deus! O meu filho já pesa 2,800 Kg, estou muito feliz”, diz em voz alta Fátima entusiasmada, enquanto cobria seu rosto com as mãos para limpar lágrimas de alegria que escorriam, quando viu o registo da balança para pesagem de crianças durante uma consulta pós-parto, porque seu filho nasceu com 1,600 Kg – peso muito abaixo do normal.
UNICEF Moçambique/2019/Cremildo Assane
02 Setembro 2020

“Oh meus Deus! O meu filho já pesa 2,800 Kg, estou muito feliz”, diz em voz alta Fátima entusiasmada, enquanto cobria seu rosto com as mãos para limpar lágrimas de alegria que escorriam, quando viu o registo da balança para pesagem de crianças durante uma consulta pós-parto, porque seu filho nasceu com 1,600 Kg – peso muito abaixo do normal.

 Eu conheci Fátima no Centro de Saúde de Lichinga, província de Niassa, a Norte de Moçambique, quando ela fazia uma consulta pós-parto. Nos seus braços carregava seu bebé, Wesley, um menino de 2 meses, com olhos muito vivos e parecia forte e saudável. Ele estava coberto com uma “mantinha” branca de pelúcia, vestia uma camisete branca e um gorro muito fashion com uma escrita colorida e atraente que dizia “baby” (bebé – significado em Português) para protegê-lo de frio característico de Lichinga. Fátima vestia uma blusa branca com botões pretos e uma saia preta. Obviamente, fazia uma harmoniosa combinação de cores com seu filhinho. Aproximei-me a ela para entender o motivo de tamanha alegria, considerando que o peso normal de um recém-nascido é de 2,500 Kg.

“Prefiro contar como tudo começou” – diz Fátima – “Sofri muito para ter o meu filho Wesley. Quando eu estava grávida tive tensão alta até fiquei internada no Hospital provincial desde o sétimo mês da minha gravidez até o dia do parto. Também perdi muito peso, fiquei pálida e sem forças”.

Fátima ainda recorda-se como saiu de casa para o hospital acompanhada, às pressas, pela sua mãe e seu marido, em meio de falta de ar, tontura, dores na nuca e no peito. Enquanto esperava a consulta fiquei ainda pior. “No início estranhei, mas depois pensei que era um mal-estar como tantos que tinha tido no principio da gravidez”, alegou Fátima. Durante a consulta médica, fiz alguns exames, e a enfermeira explicou que ela tinha tensão muito alta. “A enfermeira disse-me que eu tinha uma coisa como pré-eclampsia e que tinha que ser internada. Fátima admitiu que tinha hábitos alimentares não saudáveis. “Sempre apetecia-me comer alimentos crus, azedos e com muito sal. Não me apetecia comidas confecionadas, mas confesso que me arrependi. Eu devia ter me alimentado melhor e evitava tudo isto”, disse Fátima lamentando de si mesma. Ali lembrei-me do popular ditado: prevenir é melhor que remediar.

Fátima registou melhorias significantes 3 semanas depois do seu internamento e esperava receber alta. Mas não teve, porque seu bebé não se mexia como sempre. A enfermeira explicou que devido ao problema de tensão alta seu bebe não estava a desenvolver como se esperava a essa altura da gravidez.  Já era o oitavo mês de gestação. “Eu sentia-me culpada de tudo o que estava a acontecer”, Fátima desabafa comigo. O controlo de desenvolvimento do bebé era feito com recurso ao ecógrafo generosamente doado pelo Povo Britânico (DFID), no âmbito do Caso de Investimento, através Programa Conjunto das Nações Unidas (OMS, UNFPA e UNICEF).

Finalmente, é  o nono mês, Fátima tem fortes dores de parto. É hora de o pequeno Wesley vir ao mundo e juntar-se à sua família. Durante o parto, Fátima usou todas suas forças que lhe sobravam para dar à luz seu bebé. “Meu filho nasceu… Já sou mãe!”, emocionou-se Fátima, quando pela primeira vez ouviu seu filho chorar.

Mas, não tardou, Fátima ficou muito triste porque o bebé nasceu com um peso de 1,6000 kg e teve que ser colocado numa incubadora, pois era muito pequenino. Wesley felizmente sobreviveu graças ao uso de uma incubadora automática que tem função de regular  a temperatura igual ao do organismo materno. Esta incubadora é fruto do trabalho que a OMS, UNFPA e UNICEF têm estado a levar a cabo, no âmbito do Programa Conjunto das Nações Unidas, lado-a-lado com o Governo de Moçambique, com o apoio do Povo Britânico (DFID). Ao todo, no quadro de Caso de Investimento, foram alocadas 10 incubadoras, que servem para os mais de 1,200,000 habitantes da província de Niassa, para prevenir e reduzir a taxa de mortalidade infantil devido a doenças respiratórias.

Passado alguns dias, Wesley recuperou-se e recebeu alta hospitalar. Sua mãe foi aconselhada a usar o Método Canguru, que consiste em fazer contacto pele a pele entre a mãe ou pai e o recém-nascido para manter o bebé aquecido e no peito; agasalhar o bebé para o proteger do frio; foi aconselhada a amamentar o bebé somente com seu leite materno até aos 6 meses e somente introduzir alimentação complementar a partir de 6 meses e continuar com amamentação até aos 2 anos ou mais; também fazer consultas pós-parto para receber vacinas, pesagem, etc. e ter uma alimentação equilibrada, para manter a boa saúde e bem-estar. Fátima seguiu à risca as recomendações médicas e, portanto, volvidos 2 meses depois que Wesley nasceu com um baixo peso e naquele dia de consulta pesou 2,800 Kg, uma superação que foi motivo de muita alegria.