UNICEF lança apelo recorde de 6,4 mil milhões de dólares para ajudar mais de 190 milhões de crianças afectadas por crises humanitárias e pela pandemia da COVID-19

Os fundos irão financiar programas cruciais para as crianças e famílias mais vulneráveis em 149 países e territórios em 2021

04 Dezembro 2020
UNICEF lança apelo recorde de 6,4 mil milhões de dólares para ajudar mais de 190 milhões de crianças afectadas por crises humanitárias e pela pandemia da COVID-19
UNICEF Moçambique/2020/Bruno Pedro

LISBOA/GENEBRA/NOVA IORQUE, 3 de Dezembro de 2020 – A UNICEF lançou hoje o seu maior apelo destinado ao financiamento de situações de emergência no valor de 6,4 mil milhões de dólares para chegar a 300 milhões de pessoas, incluindo mais de 190 milhões de crianças, com apoio e serviços vitais até o final de 2021. Este apelo representa um aumento de 35% em relação ao apelo de 2020 e é um reflexo do agravamento das necessidades humanitárias a nível global num contexto marcado por crises prolongadas e pela pandemia da COVID-19.

Os cinco principais apelos por necessidade de financiamento para 2021 destinam-se aos refugiados sírios (mil milhões de dólares), Iémen (576,9 milhões de dólares), República Democrática do Congo (384,4 milhões de dólares), Síria (330,8 milhões de dólares) e Venezuela (201,8 milhões de dólares).

 

Uma pandemia à escala global

A pandemia da COVID-19 continua a afectar a vida das crianças, principalmente das mais vulneráveis. Os serviços de vacinação de rotina foram interrompidos em mais de 60 países, enquanto quase 250 milhões de alunos em todo o mundo ainda são afectados pelo encerramento das escolas. A instabilidade económica está a desestabilizar também serviços essenciais, tornando mais difícil a sobrevivência das famílias e aumentando o risco de violência doméstica e de género.

 

Novas crises humanitárias surgem um pouco por todo o mundo

Enquanto isso, novas crises humanitárias surgiram em 2020. Na província de Cabo Delgado, em Moçambique, mais de 425.000 pessoas, incluindo 191.000 crianças, foram forçadas a abandonar as suas casas. Há relatos de assassinatos, sequestros, recrutamento e uso de crianças como soldados. O conflito na região de Tigray, na Etiópia, deixou 2,8 milhões de pessoas a precisar de assistência humanitária urgente. Além disso, fortes tempestades devastaram comunidades vulneráveis na América Central e no Leste Asiático (nomeadamente, Filipinas, Vietname e Camboja), afectando, respectivamente, 2,6 milhões e 13,4 milhões de crianças.

 

Emergências prolongadas agravam-se

Simultaneamente, a pandemia agravou outras emergências prolongadas em países como Afeganistão, Bangladesh, Burkina Faso, República Democrática do Congo, Líbia, Sudão do Sul, Ucrânia e Venezuela. O próximo mês de Março marcará 10 anos desde o início do conflito na Síria e seis anos de conflito no Iémen – duas crises que deixaram quase 17 milhões de crianças a precisar de assistência humanitária nestes países.

 

Desastres relacionados com o clima triplicam

O número de desastres relacionados com o clima triplicou nos últimos 30 anos, ameaçando a segurança alimentar, aumentando a escassez de água, forçando populações a abandonar as suas casas e aumentando o risco de conflitos e emergências de saúde pública. Estima-se que 36 milhões de crianças, um número nunca antes visto, vivam deslocadas devido a conflitos, violência e desastres. A subnutrição infantil está a aumentar em países de todo o mundo.

 

Como parte da sua Acção Humanitária para as Crianças, que lança o apelo da agência para 2021, a UNICEF planeia ajudar:

  • 149 milhões de mulheres e raparigas e 7,4 milhões de crianças com deficiência;
  • 6,3 milhões de crianças com tratamento para a subnutrição aguda grave;
  • 27,4 milhões de crianças com vacinas contra o sarampo;
  • 45 milhões de pessoas com acesso a água boa para beber, cozinhar e higiene pessoal;
  • 19,2 milhões de crianças e cuidadores com acesso a serviços de saúde mental e apoio psicossocial;
  • 17 milhões de crianças e mulheres com acesso a intervenções de mitigação, prevenção ou intervenção de risco na violência de género;
  • 93,3 milhões de crianças com educação formal ou não formal, incluindo aprendizagem precoce;
  • 9,6 milhões de agregados familiares com apoio financeiro.

“Quando uma pandemia devastadora coincide com conflitos, alterações climáticas, desastres e deslocações, as consequências para as crianças podem ser catastróficas”, disse a Directora Executiva da UNICEF, Henrietta Fore. “Enfrentamos hoje uma crise de Direitos da Criança em que a COVID-19 e outras situações de emergência se sobrepõem, privando as crianças de saúde e bem-estar. Esta situação sem precedentes exige uma resposta igualmente sem precedentes. Pedimos aos nossos doadores que se juntem a nós para que, juntos, possamos ajudar as crianças do mundo a superar estes tempos mais sombrios e, desta forma, possamos prevenir uma geração perdida.”

 

Abastecimento e aquisição de vacinas contra a COVID-19

Como parte de sua resposta à COVID-19, a UNICEF está a colocar em marcha uma operação massiva para o abastecimento e aquisição de vacinas contra a COVID-19, focando-se na equidade de acesso as crianças e famílias mais vulneráveis. Este trabalho inclui a coordenação com as principais companhias aéreas globais e fornecedores de fretes aéreos para aumentar os esforços de entrega de vacinas a mais de 92 países no mundo, assim que as vacinas estiverem disponíveis. A agência co-lidera também os esforços para ajudar a preparação dos governos para distribuir as vacinas - incluindo o pré-posicionamento de seringas, o mapeamento de equipamentos de cadeias de frio e o combate à desinformação.

Colocar organizações nacionais e locais no centro das operações humanitárias é uma estratégia-chave na resposta humanitária da UNICEF. Os principais resultados em 2020 foram possíveis graças às parcerias estabelecidas pela UNICEF, incluindo com equipas humanitárias nacionais, outras agências da ONU, sociedade civil e organizações não governamentais, intervenientes nacionais e locais e parceiros de financeiros. Os resultados notáveis de 2020 incluem:

  • 1,5 milhões de crianças tratadas contra a subnutrição aguda grave;
  • 3,4 milhões de crianças vacinadas contra o sarampo;
  • 3 mil milhões de pessoas alcançadas com mensagens sobre a prevenção da COVID-19 e acesso a serviços;
  • 1,8 milhões de profissionais de saúde receberam equipamentos de protecção individual;
  • 45,5 milhões de famílias que beneficiaram de medidas de assistência social novas ou adicionais fornecidas pelos governos como parte da resposta à COVID-19 com o apoio do UNICEF;
  • 2,5 milhões de kits de teste para a COVID-19 fornecidos a 56 países.

 


 

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