A União Europeia e o UNICEF alinhados com o Governo para melhorar a nutrição infantil em Sofala

09 Dezembro 2020
A União Europeia e o UNICEF alinhados com o Governo para melhorar a nutrição infantil em Sofala
UNICEF Moçambique/2020/Gabriel Pereira

Beira e Maputo, 09 de Dezembro de 2020 – Com o objectivo de contribuir para aumentar os serviços de nutrição, água, saneamento e higiene, particularmente entre as crianças até aos dois anos de idade, foi lançado um programa de acção de 4 anos em Dondo, província de Sofala, num evento testemunhado por representantes da Delegação da União Europeia em Moçambique, do UNICEF e das autoridades governamentais provinciais.

Esta acção vai contribuir para a resposta às necessidades identificadas em nutrição, saúde, água e saneamento incluídas no amplo Quadro de Recuperação de Catástrofes (DRF), adoptado pelo Governo de Moçambique para abordar as necessidades de recuperação pós-ciclones nas seis províncias afectadas, nomeadamente, Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado.

Com base nos resultados da parceria existente entre a União Europeia (UE) e o UNICEF para melhorar a nutrição em Nampula e Zambézia, esta acção vai focar-se (a) no reforço da capacidade provincial e distrital para coordenar e implementar intervenções específicas em matéria de nutrição; (b) na melhoria da prestação de serviços de água e saneamento e serviços nutricionais; e (c) na contribuição para a mudança de comportamento em matéria de nutrição a nível comunitário e familiar.

No acto de lançamento do programa, a Chefe de Cooperação na Delegação da UE em Moçambique, Isabel Faria de Almeida, afirmou que "este apoio irá reforçar a mobilização e o empenho em prol da nutrição em Sofala, com vista a assegurar que milhares de famílias superem as dificuldades impostas pela desnutrição enquanto lutam para recuperar-se das perdas causadas pelos desastres naturais".

A Representante do UNICEF em Moçambique, Maria Luísa Fornara, disse, por outro lado, que "a generosa contribuição da União Europeia ajudará o governo e os parceiros a fornecer serviços e intervenções melhorados de saúde, nutrição, água, saneamento e higiene para crianças menores de cinco anos, assim como mulheres grávidas e lactantes em Sofala".

No terreno, o UNICEF vai apoiar o Governo de Moçambique e a província de Sofala em particular, na expansão do acesso à água potável, contribuindo para acabar com o fecalismo a céu aberto e para melhores condições sanitárias; melhoria das práticas alimentares das mães grávidas e lactantes através da amamentação e a alimentação complementar; e o uso generalizado de latrinas e outras práticas preventivas de doenças. O programa vai também identificar crianças que estão moderada ou gravemente malnutridas e providenciar o tratamento necessário.

As intervenções no terreno vão abranger os seis distritos mais afectados pelo ciclone Idai em Sofala, nomeadamente Dondo, Nhamatanda, Muanza, Búzi, Gorongosa e Chibabava. Estes distritos têm diferentes níveis de cobertura de serviços sociais e de abordagem da desnutrição.  O impacto do ciclone Idai trouxe mais desafios na superação da privação das crianças no que respeita a nutrição, acesso a água e saneamento, segurança agrícola e alimentar, diversidade alimentar, entre outros aspectos.

A União Europeia contribui para este programa com um total de EUR 14.700.000, complementados por USD 2.292.000 do UNICEF. Das aproximadamente 1 milhão de pessoas que vivem nestes seis distritos, metade foram directamente afectadas pelo ciclone Idai e o programa irá beneficiar directa ou indirectamente a todas estas pessoas, incluindo 173.000 crianças com menos de cinco anos de idade, além de apoiar a mais 750 aldeias a eliminar o fecalismo a céu aberto. Cerca de 45.000 pessoas adicionais terão acesso a um melhor abastecimento de água e espera-se que os esforços de mobilização comunitária certifiquem 25.000 "famílias modelo" em todos os seis distritos.

 


 

Informação adicional sobre a Cooperação EU – UNICEF pela nutrição

Durante os últimos 10 anos, a União Europeia tem trabalhado com o UNICEF e outros parceiros multilaterais e o governo para reduzir os elevados níveis de desnutrição e garantir uma melhor nutrição e segurança alimentar e serviços de água, saneamento e higiene. Por exemplo, desde 2017 em Nampula e Zambézia, graças a este trabalho, mais de 3 milhões de crianças receberam suplementação de vitamina A, mais de 100.000 pessoas já têm acesso à água, quase 110.000 pessoas pararam a defecação ao céu aberto, mais de 300.000 sensibilizadas para a mudança de comportamento.

As intervenções para a redução da baixa estatura para a idade e os resultados esperados deste programa estão alinhados com as estratégias e políticas nacionais, tais como o Plano Quinquenal do Governo de Moçambique (PQG), o Plano de Acção Multissectorial para a Redução da Desnutrição Crónica em Moçambique (PAMRDC), o Programa Nacional de Água e Saneamento Rural (PRONASAR), a Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN-II), a Estratégia de Comunicação e Mudança Comportamental para a Nutrição e os planos anuais (PES), entre outras prioridades no sector da saúde.

 

Notas para o Editor

A desnutrição crónica (baixa altura para a idade), de acordo com provas globais e nacionais, limita o desenvolvimento económico de Moçambique ao minar o crescimento e o desenvolvimento saudável das crianças. O notável crescimento económico do país e a redução das taxas de mortalidade de menores de cinco anos não foi seguido por uma redução da desnutrição crónica e as taxas de subnutrição continuam elevadas. A desnutrição crónica é o problema nutricional mais significativo de Moçambique, com taxas actuais consideravelmente elevadas em Nampula (50%), 41% em Sofala e a 26% na capital Maputo. A prevalência de baixo peso para a idade é de 7% e o peso inferior ao normal é fixado em 21%.

A irreversibilidade da desnutrição crónica leva a um ciclo geracional negativo de baixa estatura para a idade, onde as crianças se tornam adolescentes e adultos que sofrem de desnutrição crónica, resultando assim na falta de crescimento e desenvolvimento físico e intelectual. As adolescentes que sofrem de desnutrição crónica estão em alto risco no caso de engravidarem enquanto as mães desnutridas têm uma elevada probabilidade de dar à luz bebés com baixo peso, repetindo assim o ciclo de desnutrição crónica. (FIM)

 

Sobre a União Europeia (UE)

A União Europeia é representada em Moçambique por uma Delegação em Maputo, criada em 1985.

Para mais informações sobre a Delegação da UE em Moçambique: https://eeas.europa.eu/delegations/mozambique_en

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