As Crianças de Moçambique estão gravemente expostas aos efeitos da crise climática – segundo o UNICEF

Pela primeira vez, o UNICEF faz uma classificação dos países em função do grau de exposição das crianças e sua vulnerabilidade aos choques climáticos e meio-ambientais. Resultados revelam que as Crianças Moçambicanas estão no 10º lugar mais vulneráveis.

20 Agosto 2021
Pela primeira vez, o UNICEF faz uma classificação dos países em função do grau de  exposição das crianças e sua vulnerabilidade aos choques climáticos e meio-ambientais. Os resultados revelam que as Crianças Moçambicanas estão no 10º lugar mais vulneráveis do mundo.
UNICEF/MOZA2021-00016/Ricardo Franco

NOVA IORQUE, 20 de Agosto de 2021 - Os jovens que vivem em Moçambique estão entre os mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, um fenómeno que põe em perigo a sua saúde, sua educação e sua protecção e os expõe a doenças mortais, de acordo com um relatório publicado hoje pelo UNICEF.

“A Crise sobre as  Mudanças Climáticas é uma Crise dos Direitos da Criança: Apresentação do Índice de Risco Climático para Crianças” é a primeira análise exaustiva dos riscos climáticos na perspectiva das crianças. No índice, os países classificam-se em função da exposição das crianças a choques climáticos e meio-ambientais, tais como ciclones, cheias, escassez de água, poluição do ar  e ondas de calor, bem como a sua vulnerabilidade a esses choques, com base no seu acesso a serviços essenciais.

Lançado em colaboração com a Organização Fridays for Future [Sexta-feiras para o Futuro] quando se comemora o terceiro aniversário do movimento mundial de luta pelo clima liderado pelos jovens, o relatório revela que aproximadamente 1.000 milhões de crianças (quase metade dos 2.200 mil milhões de crianças do mundo) vivem num dos 33 países classificados como sendo de nível de risco considerado "extremamente  alto ". As conclusões reflectem o número de crianças afectadas hoje em dia; e revelam os números que podem piorar à medida que os impactos das alterações climáticas se acelerem.

Moçambique está entre os países mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas , com uma classificação de 7.9. O relatório concluiu que as crianças Moçambicanas estão altamente expostas às inundações costeiras e doenças transmitidas por vectores como a malária, mas também que os investimentos em serviços sociais, particularmente água, saneamento e higiene e pobreza, meios de comunicação e protecção social podem fazer uma diferença significativa na nossa capacidade de salvaguardar o seu futuro dos impactos das alterações climáticas.

"A crise climática é uma crise dos direitos da criança", disse Maria Luisa Fornara, Representante do UNICEF. "Moçambique está a tornar-se um lugar mais perigoso para as crianças viverem na sua era, mas se agirmos agora, podemos evitar que se agrave. Se investirmos para tornar os serviços de que dependem para sobreviver e prosperar - tais como água, cuidados de saúde e educação - resilientes, isso ajudará a proteger o seu futuro dos impactos de um clima em mudança e de um ambiente degradante".

O Índice de Risco Climático para Crianças (CCRI, sigla em Inglês - Children’s Climate Risk Index) revela que:

  • 240 milhões de crianças estão altamente expostas às inundações costeiras;
  • 330 milhões de crianças estão altamente expostas às cheias ribeirinhas;
  • 400 milhões de crianças estão altamente expostas a ciclones;
  • 600 milhões de crianças estão altamente expostas a doenças transmitidas por vectores;
  • 815 milhões de crianças estão altamente expostas à poluição por chumbo;
  • 820 milhões de crianças estão altamente expostas a ondas de calor;
  • 920 milhões de crianças estão altamente expostas à escassez de água;
  • 1.000 milhões de crianças estão altamente expostas a níveis de poluição atmosférica excessivamente elevados (Média anual de exposição >35 µg/m3) 

Estima-se que 850 milhões de crianças (1 em cada 3 a nível mundial) vivem em áreas onde pelo menos quatro destes choques climáticos e meio-ambientais se sobrepõem. Além disso, cerca de 330 milhões de crianças (1 em cada 7 em todo o mundo) vivem em áreas afectadas por pelo menos cinco dos grandes choques considerados.

O relatório também revela uma desconexão entre os países onde as emissões de gases com efeito de estufa são geradas, e aqueles onde as crianças sofrem os impactos mais significativos provocados pelas mudanças climáticas. Os 33 países de risco extremamente alto emitem colectivamente apenas 9 por cento das emissões globais de CO2. Inversamente, os 10 países com maiores emissões são colectivamente responsáveis por quase 70% das emissões globais. Apenas um destes países está classificado como "de risco extremamente alto " no índice.

"As assustadoras mudanças ambientais a que estamos a assistir em todo o planeta estão a ser impulsionadas por poucos mas experimentadas por muitos", disse Maria Luisa Fornara. "As Crianças Moçambicanas sabem que as alterações climáticas são uma ameaça para o seu futuro, e apelam aos líderes mundiais para agirem. Até agora, muito pouco tem sido feito, mas ainda temos tempo. Temos de reduzir urgentemente as emissões de gases com efeito de estufa e trabalhar como uma comunidade global para construir um mundo melhor para todas as crianças".

Sem a acção urgente necessária para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, as crianças continuarão a ser as que mais sofrerão. Em comparação com os adultos, as crianças necessitam de mais alimentos e água por unidade do seu peso corporal, são menos capazes de sobreviver a eventos climáticos extremos, e são mais susceptíveis a produtos químicos tóxicos, mudanças de temperatura e doenças, entre outros factores.

O UNICEF apela aos governos, empresas e actores relevantes para que façam:

  1. Aumentar o investimento na adaptação ao clima e na resiliência em serviços essenciais para as crianças. Para proteger as crianças, comunidades e os mais vulneráveis dos piores impactos do clima já em mudança, os serviços críticos devem ser adaptados, incluindo água, sistemas de saneamento e higiene, serviços de saúde e educação.
  2. Reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Para evitar os piores impactos da crise climática, é necessária uma acção abrangente e urgente. Os países devem reduzir as suas emissões em pelo menos 45% (em comparação com os níveis de 2010) até 2030 para manter o aquecimento a não mais de 1,5 graus Celsius.
  3. Fornecer às crianças educação climática e competências ecológicas, críticas para a sua adaptação e preparação para os efeitos das alterações climáticas. As crianças e os jovens enfrentarão todas as consequências devastadoras da crise climática e da insegurança hídrica, mas são eles os menos responsáveis. Temos um dever para com todos os jovens e para com as gerações futuras.
  4. Incluir os jovens em todas as negociações e decisões nacionais, regionais e internacionais sobre o clima, incluindo na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) de Novembro. As crianças e os jovens devem ser incluídos em todas as tomadas de decisão relacionadas com o clima.
  5. Garantir que a recuperação da pandemia da COVID-19 seja verde, de baixo carbono e inclusiva, para que a capacidade das gerações futuras para enfrentar e responder à crise climática não seja comprometida.

 


 

Notas aos Editores:

O Índice de Risco Climático para Crianças (CCRI, sigla em Inglês - Children’s Climate Risk Index) foi desenvolvido em colaboração com vários parceiros, incluindo a Data for Children Collaborative.

A fim de tornar o relatório mais acessível à juventude global, o UNICEF também colaborou com a Climate Cardinals, uma organização internacional sem fins lucrativos liderada por jovens, que interpreta pesquisas e informação sobre alterações climáticas para que possam alcançar o maior número possível de jovens e líderes.

Abaixo estão os materiais para acompanhar o lançamento do relatório:

 

Contacto para os media

Gabriel Pereira
Communication Officer
UNICEF Moçambique
Telefone: +258 82 316 5390

Sobre o UNICEF

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