Crianças correm maior risco de sofrer abusos online durante a pandemia global de COVID-19

Recomendações da UNICEF têm como objectivo ajudar governos, empresas de TIC, educadores e pais a proteger as crianças em confinamento

15 Abril 2020
Coronavírus - Um guia para pais e educadores
UNICEF Portugal

MAPUTO – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e os seus parceiros alertaram para os milhões de crianças expostas a um risco de abuso online cada vez maior, à medida que as suas vidas se vivem cada vez mais online, durante o período de confinamento decorrente da pandemia do COVID-19.

"A pandemia do coronavírus levou a um aumento sem precedentes no tempo de utilização de ecrãs," disse o Director Executivo da Parceria Global pelo Fim da Violência, Dr. Howard Taylor. “O fecho de escolas e as medidas estritas de contenção significam que mais e mais famílias estão a confiar na tecnologia e nas soluções digitais para garantir que as crianças continuam a aprender, estão entretidas e ligadas ao mundo exterior, mas nem todas as crianças têm o conhecimento, a capacidade e os recursos necessários para se manterem seguros online," acrescentou.

Mais de 1,5 mil milhões de crianças e jovens foram afectados pelo fecho de escolas em todo o mundo. Muitos desses alunos estão, agora, a ter aulas e a socializar mais online. Passar mais tempo em plataformas virtuais pode deixar as crianças mais vulneráveis ​a exploração e assédio sexual online, uma vez que os predadores procuram aproveitar-se da pandemia do COVID-19. A falta do contacto presencial com amigos e companheiros pode levar crianças e jovens a correrem mais riscos, através, por exemplo, do envio de imagens mais sexualizadas, enquanto o aumento do tempo passado online de forma não estruturada, pode expor as crianças a conteúdo potencialmente prejudicial e violento, bem como potenciar um maior risco de sofrerem cyberbullying.

O UNICEF, juntamente com seus parceiros, Global Partnership to End Violence Against Children, International Telecommunication Union (ITU), United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO), UN Office on Drugs and Crime (UNODC), WePROTECT Global Alliance, World Health Organization (WHO), and World Childhood Foundation USA divulga hoje um documento destinado a incentivar governos, indústrias de TIC, educadores e pais a estarem alerta, a tomarem medidas urgentes para mitigar riscos potenciais e a garantir que as experiências online das crianças sejam seguras e positivas durante a COVID-19.

“Na sombra da COVID-19, a vida de milhões de crianças viu-se confinada temporariamente às suas casas e aos seus ecrãs. Precisamos de ajudá-las a lidar com esta nova realidade”, disse a Directora Executiva do UNICEF, Henrietta Fore. "Apelamos aos governos e à indústria para unirem forças para manter crianças e jovens seguros online através de funcionalidades sofisticadas e seguras e novas ferramentas para ajudar pais e educadores a ensinar os seus filhos a usarem a Internet com segurança".

As principais acções recomendadas para mitigar os riscos online para as crianças durante a COVID-19 incluem:

Governos: Reforçar os principais serviços de protecção infantil para garantir que estes permaneçam abertos e activos durante toda a pandemia; treinar profissionais de saúde, educação e serviço social sobre os impactos que a COVID-19 pode ter no bem-estar infantil, incluindo o aumento de riscos pela utilização mais frequente da internet; intensificar iniciativas educacionais e de consciencialização sobre segurança online infantil e garantir que os prestadores de serviços sociais, escolas, pais e crianças conhecem os mecanismos locais de denúncia e têm números de linhas de apoio e linhas directas.

Tecnologias de informação, incluindo redes sociais: garantir que as plataformas online têm funcionalidades sofisticadas de segurança e protecção, especialmente ferramentas virtuais de aprendizagem, e que sejam claramente acessíveis a educadores, pais e filhos; promover e facilitar serviços e linhas de atendimento de segurança para crianças; desenvolver políticas de moderação alinhadas com os direitos das crianças; implementar medidas de protecção integradas, ao mesmo tempo que apostam na inovação de forma apropriada, e proporcionar ligação à internet para garantir o acesso das crianças mais vulneráveis de famílias de baixo rendimento.

Escolas: actualizar as políticas de protecção para que estas reflictam a nova realidade das crianças que aprendem em casa; promover e monitorar bons comportamentos online e garantir que as crianças têm acesso contínuo aos serviços de aconselhamento escolar.

Pais: verificar se os dispositivos das crianças têm as actualizações mais recentes de software e programas antivírus; manter diálogos abertos com as crianças sobre como e com quem estas comunicam online; trabalhar com as crianças para estabelecer regras sobre como, quando e onde a internet pode ser utilizada; estar atento às crianças e aos sinais de angústia que possam surgir com ligação às suas actividades online, estar familiarizado com as políticas da zona escolar e com os mecanismos locais de denúncia e, ter acesso rápido, aos números de linhas de apoio.

A preocupação do UNICEF com a protecção das crianças online não é de agora, nem chega apenas em tempo de pandemia. Em 2019, por exemplo, o UNICEF divulgou um estudo feito em 30 países, que revelava que: 

  • 1 em cada 3 crianças afirmam ter sido vítimas de cyberbullying
  • 1 em cada 5 crianças deixou de ir à escola devido a cyberbullying

Este ano, para assinalar o dia da Internet Segura – no passado dia 11 de Fevereiro - o UNICEF pediu a mais de 12.000 crianças em todo o mundo que partilhassem as suas questões sobre o cyberbullying, tendo recebido mais de 11.000 perguntas de crianças em 17 países.

Em Moçambique, o UNICEF também tem vindo a alertar para os perigos da internet e, de forma mais pró-activa, durante a pandemia, a criar conteúdos de sensibilização para pais e educadores, tendo disponível o portal Conexão Inteligente que pode ser acedido nos telefones móveis através do link: https://mz.goodinternet.org/sections/connect-smart/

 

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