150 milhões de bebés nascidos prematuros na última década

De cada 10 bebés nascidos, 1 é pré-termo - e em cada 40 segundos, 1 desses bebés morre. As taxas de nascimentos pré-termo não se alteraram na última década em nenhuma região do mundo.

15 Maio 2023
150 milhões de bebés nascidos prematuros na última década
Mães e prematuros em Rede

GENEBRA/NOVA IORQUE/CIDADE DO CABO - Estima-se que 13,4 milhões de bebés nasceram pré-termo em 2020, com quase 1 milhão a morrer de complicações pré-termo, de acordo com um novo relatório divulgado hoje pelas agências e parceiros das Nações Unidas. Este número equivale a cerca de 1 em cada 10 bebés nascidos prematuramente (antes das 37 semanas de gravidez) em todo o mundo.

O relatório Born too soon: decade of action on preterm birth (Nascer demasiado cedo: década de acção sobre o nascimento pré-termo), produzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em conjunto com a PMNCH - a maior aliança mundial para mulheres, crianças e adolescentes - faz soar o alarme sobre uma "emergência silenciosa" de nascimento pré-termo, há muito sub-reconhecida na sua escala e gravidade, que está a impedir o progresso na melhoria da saúde e sobrevivência das crianças.

O relatório inclui estimativas actualizadas da OMS e do UNICEF, elaboradas em conjunto com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, sobre a prevalência de nascimentos pré-termo. Globalmente, conclui-se que as taxas de nascimentos pré-termo não se alteraram em nenhuma região do mundo na última década, com 152 milhões de bebés vulneráveis a nascerem demasiado cedo entre 2010 e 2020.

O nascimento pré-termo é actualmente a principal causa de morte infantil, sendo responsável por mais de 1 em cada 5 mortes de crianças que ocorrem antes do seu quinto aniversário. Os sobreviventes pré-termo podem enfrentar problemas de saúde ao longo da sua vida, e uma maior probabilidade de deficiência e atrasos de desenvolvimento.

Diferenças de sobrevivência por região, rendimento e raça

Tendo como base o  relatório de referência report sobre o tema de 2012, este novo relatório da "década" Born too soon (Nascer demasiado cedo) fornece uma visão abrangente da prevalência do nascimento pré-termo e do seu profundo impacto nas mulheres, famílias, sociedades e economias.

Demasiadas vezes, o local onde os bebés nascem determina a sua sobrevivência. O relatório refere que apenas 1 em cada 10 bebés extremamente prematuros (

O Sul da Ásia e a África Subsariana têm as taxas mais elevadas de nascimentos pré-termo e os bebés prematuros nestas regiões enfrentam o maior risco de morte. Em conjunto, estas duas regiões são responsáveis por mais de 65% dos nascimentos prematuros a nível mundial. O relatório salienta igualmente que os impactos dos conflitos, das alterações climáticas e dos danos ambientais, da COVID-19 e do aumento do custo de vida estão a aumentar os riscos para as mulheres e os bebés em todo o mundo. Por exemplo, estima-se que a poluição atmosférica contribua para 6 milhões de nascimentos prematuros por ano. Quase 1 em cada 10 bebés prematuros nasce em um dos 10 países mais frágeis, afectados por crises humanitárias, de acordo com uma nova análise do relatório.

Os riscos para a saúde materna, como a gravidez na adolescência e a pré-eclâmpsia, estão intimamente ligados aos nascimentos prematuros. Este facto, sublinha a necessidade de garantir o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo um planeamento familiar eficaz, com cuidados de elevada qualidade durante a gravidez e na altura do parto.

Agenda para a acção: mais investimento nacional e activismo liderado pelos pais

Na última década, assistiu-se também a um crescimento do activismo comunitário na prevenção do nascimento pré-termo e dos nados-mortos, impulsionado por redes de pais, profissionais de saúde, académicos, sociedade civil e outros. Em todo o mundo, os grupos de famílias afectadas pelo nascimento de bebés prematuros têm estado na vanguarda da defesa do acesso a melhores cuidados e da mudança de políticas assim como apoiando a outras famílias.

Na perspectiva da Conferência Internacional sobre Saúde Materna e Neonatal, que terá lugar na Cidade do Cabo, na África do Sul, de 8 a 11 de Maio, a OMS, o UNICEF, o UNFPA e o PMNCH apelam às seguintes acções para melhorar os cuidados prestados às mulheres e aos recém-nascidos e mitigar o risco do nascimento prematuro:

  • Aumento dos investimentos: Mobilização de recursos internacionais e nacionais para optimizar a saúde materna e neonatal, assegurando a prestação de cuidados de alta qualidade quando e onde forem necessários.
  • Implementação acelerada: Cumprir os objectivos nacionais para o progresso através da implementação de políticas nacionais estabelecidas para os cuidados maternos e do recém-nascido.
  • Integração entre sectores: Promover a educação ao longo do ciclo de vida; apoiar investimentos económicos mais inteligentes, com co-financiamento entre sectores; reforçar as respostas de adaptação ao clima ao longo do ciclo de vida; e promover a coordenação e a resiliência dos sistemas de emergência.
  • Inovação a nível local: Investir na inovação e na investigação conduzidas a nível local para apoiar a melhoria da qualidade dos cuidados e a equidade no acesso.

Citações

Joy Lawn, Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres

Co-líder, Born too soon: decade of action on preterm birth (2023) e Born too soon (2012)

"Este novo relatório mostra que o custo da inacção durante a última década foi de 152 milhões de bebés nascidos demasiado cedo. Embora algumas regiões sejam mais afectadas, o nascimento pré-termo ameaça o progresso da saúde em todos os países. Um maior investimento nos cuidados a recém-nascidos vulneráveis pode salvar milhões de famílias de um desgosto. Também é necessário mais trabalho para prevenir o nascimento pré-termo, o que também irá melhorar o progresso na redução dos nados-mortos e das mortes maternas. Em conjunto, estas duas vias gémeas da prevenção e dos cuidados pré-termo produzirão indivíduos e sociedades mais saudáveis, capazes de garantir o desenvolvimento económico e social.  A nossa próxima geração depende de todos nós agirmos agora - o investimento pode não ser pequeno, mas o retorno deste investimento será importante para todos os países."

Dr. Nahya Salim, Tanzânia: co-autor de Born too soon e líder nacional de Newborn Essential Solutions and Technologies 360 (NEST360)

"Agora não há desculpa para o silêncio. Temos agora nas nossas mãos os dispositivos e o conhecimento para mudar os resultados dos nossos recém-nascidos mais vulneráveis. Orgulho-me de ver que o meu governo está agora a investir e a empenhar-se na sua implementação, mesmo nas zonas rurais. A próxima década pode e deve ser diferente para aqueles que enfrentam o nascimento pré-termo aqui e em todo o lado."

Dr Anshu Banerjee, Director for Maternal, Newborn, Child and Adolescent Health and Ageing at WHO

"Garantir cuidados de qualidade a estes bebés mais pequenos e mais vulneráveis e às suas famílias é absolutamente imperativo para melhorar a saúde e a sobrevivência das crianças. Também são necessários progressos para ajudar a prevenir os nascimentos prematuros - isto significa que todas as mulheres devem ter acesso a serviços de saúde de qualidade antes e durante a gravidez para identificar e gerir os riscos."

Steven Lauwerier, Director de Saúde (a.i.), UNICEF

"Depois de cada morte pré-termo há um rasto de perda e desgosto. Apesar dos muitos avanços que o mundo fez na última década, não fizemos qualquer progresso na redução do número de bebés pequenos que nascem demasiado cedo ou na prevenção do risco da sua morte. O custo é devastador. É altura de melhorarmos o acesso aos cuidados de saúde para as mães grávidas e os bebés prematuros e de garantirmos que todas as crianças tenham um início saudável e prosperem na vida."

Helga Fogstad, Directora Executiva, PMNCH

"Nascer demasiado cedo sublinha a razão pela qual temos de aumentar o investimento e a responsabilização pelo nascimento prematuro - a maior causa de morte de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo. O progresso está a estagnar na saúde materna e neonatal, bem como na prevenção de nados-mortos, e está agora a ser ainda mais atrasado devido à combinação devastadora da COVID-19, das alterações climáticas, da expansão dos conflitos e do aumento do custo de vida.

"Trabalhando em parceria - governos, doadores, sector privado, sociedade civil, pais e profissionais de saúde - podemos fazer soar o alarme sobre esta "emergência silenciosa" e trazer os esforços de prevenção e cuidados pré-termo para a vanguarda dos esforços nacionais de saúde e desenvolvimento, construindo capital humano ao apoiar famílias, sociedades e economias em todo o lado."

Gabriela e Jerome Foster, Las Vegas, Estados Unidos: pais de Jalen Foster e fundadores da Jalen's Gift Foundation

"A nossa fundação foi fundada após a perda do nosso filho, Jalen Foster, que foi um nado-morto pré-termo às 27 semanas devido ao aparecimento pré-natal de uma bactéria conhecida como estreptococo do grupo B. Perder o nosso filho foi devastador e não havia apoio na comunidade. Foi então que decidimos criar um lugar de conforto e esperança para as famílias que perderam um bebé. Não queríamos que outras famílias se sentissem como nós nos sentimos - sozinhas. Por isso, criámos a Jalen's Gift Foundation para ajudar outras famílias que estão a passar por uma perda, para fornecer vários serviços gratuitos, como fotografia, apoio no luto e ajuda para serviços fúnebres."


Notas para os editores

Termos

  • Nascimento pré-termo: um nascimento vivo antes das 37 semanas completas de gravidez.
  • Morte neonatal: Morte de um bebé nascido vivo no prazo de 0-28 dias, independentemente da idade gestacional ou do peso.
  • Nados-mortos: morte fetal após 22 semanas de gestação (a OMS utiliza 28 semanas de gestação para comparar as taxas)

 

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