1 em cada 3 pessoas no mundo não tem acesso a água potável - UNICEF, OMS

Novo relatório sobre as desigualdades no acesso à água, saneamento e higiene também revela que mais da metade do mundo não tem acesso a serviços de saneamento seguro

18 Junho 2019
Mãe deixa crianças para procurar sustento em Moçambique
UNICEF/MOZA2012-00691/Mark Lehn

 

NOVA IORQUE / GENEBRA / MAPUTO, 18 de Junho de 2019 – Mil milhões de pessoas em todo o mundo continuam sofrendo com o acesso precário a água, saneamento e higiene, segundo um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Cerca de 2,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm gestão segura * de água potável, 4,2 mil milhões de pessoas não têm serviços de saneamento com segurança e 3 mil milhões não possuem serviços básicos ** para a lavagem de mãos.

O relatório do Programa Conjunto de Monitoramento, Progresso na Água Potável, Saneamento e Higiene: 2000-2017: Enfoque especial nas desigualdades descobre que, embora tenham sido feitos progressos significativos para alcançar o acesso universal à água, saneamento e higiene básicos, há enormes lacunas na qualidade dos serviços prestados.

“Mero acesso não é suficiente. Se a água não é limpa, não é segura para beber ou está longe, e se o acesso à casa de banho é inseguro ou limitado, então não estamos a ter resultados em prol das crianças do mundo”, disse Kelly Ann Naylor, Directora Associada de Água, Saneamento e Higiene, do UNICEF. “As crianças e suas famílias nas comunidades pobres e rurais correm maior risco de serem deixadas para trás. Os governos devem investir em suas comunidades se quisermos unir essas lacunas económicas e geográficas e realizar esse direito humano essencial”.

O relatório revela que 1,8 mil milhões de pessoas alcançaram acesso a serviços básicos de água potável desde 2000, mas há grandes desigualdades na acessibilidade, disponibilidade e qualidade desses serviços. Estima-se que 1 em cada 10 pessoas (785 milhões) ainda carece de serviços básicos, incluindo os 144 milhões que bebem água superficial não tratada. Os dados mostram que 8 em 10 pessoas que vivem em áreas rurais não tinham acesso a esses serviços e que 1 em cada 4 países com estimativas para diferentes grupos de riqueza, a cobertura de serviços básicos entre os mais ricos era pelo menos duas vezes maior que entre os mais pobres.

"Os países devem dobrar seus esforços em saneamento ou não alcançaremos o acesso universal até 2030", disse a Dra. Maria Neira, Directora do Departamento de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde, da OMS. “Se os países não conseguirem intensificar os esforços de saneamento, água potável e higiene, continuaremos a viver com doenças que deveriam ter sido há muito tempo confiadas aos livros de história: doenças como diarreia, cólera, febre tifóide, hepatite A e doenças tropicais negligenciadas, incluindo tracoma, vermes intestinais e esquistossomose. Investir em água, saneamento e higiene é custo-efectivo e bom para a sociedade de muitas maneiras. É uma base essencial para uma boa saúde.”

O relatório também diz que 2,1 mil milhões de pessoas têm acesso aos serviços de saneamento básico desde 2000, mas em muitas partes do mundo os resíduos produzidos não têm sido objecto de uma gestão segura. Também revela que 2 mil milhões de pessoas ainda carecem de saneamento básico, dentre as quais 7 entre 10 vivem em áreas rurais e um terço vive nos Países Menos Desenvolvidos.

Desde 2000, a proporção da população praticante de fecalismo (defecação) a céu aberto foi reduzida para metade, de 21% para 9%, e 23 países atingiram quase a eliminação, significando que menos de 1% da população está praticando a defecação a céu aberto. No entanto, 673 milhões de pessoas ainda praticam o fecalismo a céu aberto, e estão cada vez mais concentradas em países de "alto risco" ***. Pior, em 39 países, o número de pessoas que praticam o fecalismo a céu aberto na verdade aumentou, a maioria na África subsaariana, onde muitos países experimentaram um forte crescimento populacional durante esse período.

Moçambique é um dos “países de alto risco”, com 27% das pessoas não tendo acesso a qualquer forma de saneamento e praticando o fecalismo a céu aberto. Esta proporção é maior no meio rural, com 38% da população rural praticando o fecalismo a céu aberto, com grandes variações entre as províncias. Moçambique conseguiu reduzir significativamente o fecalismo a céu aberto, com 32 pontos percentuais, durante o período 2000-2017. No entanto, isso é insuficiente para cumprir a meta nacional de eliminar o fecalismo a céu aberto até 2025. É necessária uma aceleração, em particular as províncias que têm uma alta taxa de fecalismo a céu aberto.

Finalmente, o relatório destaca novos dados que mostram que 3 mil milhões de pessoas carecem de infraestruturas básicas de lavagem das mãos com água e sabão em casa em 2017. Também mostra que quase três quartos da população dos Países Menos Desenvolvidos não tinham infraestruturas básicas de lavagem das mãos. Todos os anos, 297.000 crianças menores de 5 anos morrem devido a diarreia associada a água, saneamento e higiene inadequados. O saneamento deficiente e água contaminada também estão ligados à transmissão de doenças como cólera, disenteria, hepatite A e febre tifóide.

“A eliminação das desigualdades na acessibilidade, qualidade e disponibilidade de água, saneamento e higiene deve estar no centro das estratégias de financiamento e planificação do governo. Apoiar-se nos planos de investimento para cobertura universal é minar décadas de progresso em detrimento das gerações vindouras”, disse Kelly Ann Naylor.

 

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