“Viram minha luta sozinha e vieram me ajudar”

Para apoiar famílias chefiadas por mulheres e por jovens, UNICEF, SuperVia e Fundação Mitsui levam kits de higiene e limpeza a famílias vulneráveis no Rio de Janeiro.

UNICEF Brasil
Mãe e filho sorriem na porta de casa com kit de higiene doado pelo UNICEF
UNICEF/BRZ/Gabriel Oliveira
08 outubro 2020

Os dois últimos anos trouxeram muitas preocupações para a paraibana Maria José dos Santos, que mora na comunidade da Palmeirinha, na zona Norte do Rio de Janeiro. Após ela mesma enfrentar problemas de saúde, precisou dedicar seus cuidados para a saúde do filho de 14 anos. Com baixa imunidade, a apreensão cresceu frente à chegada do novo coronavírus. Durante a pandemia, Maria José conta que foram muitas as dificuldades para marcar médicos para seu caçula. Além de José Domingos, ela teve duas filhas e já é avó de cinco netos.

Em toda cidade do Rio de Janeiro, a pandemia tem revelado com força a vulnerabilidade de muitas comunidades, impactando duramente a vida de crianças, adolescentes, jovens e mulheres chefes de família. Para complementar a renda mensal que recebe do Bolsa Família e da pensão do filho, ela faz crochê, fuxico e panos de prato para vender. “Mas nessa pandemia ninguém vai deixar de comer e comprar produto de higiene para comprar coisas de croché, né!?”, comenta. 

Frente à crise da Covid-19, o apoio a famílias como de Maria José tem sido crucial. Com esse objetivo o UNICEF, em parceria com a SuperVia e Fundação Mitsui Bussan do Brasil, distribuiu kits com materiais de higiene pessoal e limpeza e folhetos informativos a comunidades vulneráveis às margens da linha de trens urbanos na cidade do Rio de Janeiro. Foram mais de 112 mil produtos distribuídos, com apoio de parceiros locais, a 9,4 mil pessoas. A ação teve como público-alvo especialmente famílias lideradas por jovens e por mulheres. 

Graças a jovens lideranças do projeto comunitário Eu Vivo Favela, um dos kits com sabonete, sabão, detergente, água sanitária, álcool em gel e absorvente higiênico, além de folhetos informativos sobre prevenção à Covid e saúde menstrual, chegou à casa de Maria José. Para além do ganho material, ela se emocionou com o significado da doação que recebeu.

“Essa doação representou acolhimento. Viram minha luta sozinha e vieram me ajudar. Foi uma ajuda muito bem-vinda, pois eu me aperto aqui para cobrir ali”.

Maria José dos Santos, comunidade da Palmeirinha

Esperto e falante como a mãe, o filho José completa: “Minha família tem dificuldade de comprar as coisas, por isso fico muito grato por ter recebido esse kit de limpeza”.

Além das restrições econômicas, a falta de acesso a alguns serviços básicos agravam os problemas para garantir o direito à saúde de todos. “A água que vem da rua é suja e minha casa não tem piso, mas estou sempre lavando o chão com sabão e cloro. O álcool, eu tenho medo de faltar, então só uso quando saio. Meu filho fala que não aguenta mais álcool na mão. Mas eu sei que tenho que usar, porque a doença é invisível e tem que se cuidar”, diz. 

Arrimo de sua família, Maria José sente muito orgulho de ter conseguido com seu trabalho construir sua casinha e criado seus filhos sozinha dentro da favela.

A satisfação com a trajetória até aqui faz com que Maria José pense no futuro apenas com olhar de mãe. “Só desejo saúde para meu filho e que ele siga por um caminho feliz”, diz. E seus esforços são reconhecidos com carinho por José Domingos, para quem Maria José é motivo de muito orgulho. “Minha mãe representa tudo. Não tem nem explicação”.