“Vamos dar a volta por cima”

William relata o desafio de sua família na pandemia. Ele foi um dos beneficiados pela doação do UNICEF em parceria com Arteris, via BNDES: 1.400 kits de higiene e limpeza, além de cestas básicas, estão sendo distribuídos em São Paulo e no Rio de Janeiro

UNICEF Brasil
um homem vestindo moletom e usando máscara olha para a câmera
UNICEF/BRZ/Alécio Cezar
23 julho 2020

“Meu nome é William Augusto dos Santos. Tenho 32 anos. Moro com minha esposa e meu filho de 5 anos no Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. A região não tem muito recurso. Aqui, falta investimento do poder público. Equipamento público, área de lazer, tudo é muito escasso e isolado. É um duplo isolamento com esta pandemia. As pessoas aqui ficaram sem opção.

Eu trabalho na área de eventos, um dos primeiros setores que foram afetados e provavelmente será um dos últimos a voltar. A gente está parado. Não tem evento, não tem trabalho, não tem dinheiro, não tem nada. Às vezes aparece um bico ali, outra coisinha aqui... E assim eu vou vivendo, vou me virando.

Com a pandemia, você toma um choque, porque sua vida para. Ela desestabilizou tudo. Com a falta de trabalho vem a falta de dinheiro. A gente fica no escuro, sem saber o que fazer. Às vezes, eu nem durmo pensando já no outro dia. Sou eu que coloco o dinheiro em casa. Minha esposa já estava sem emprego antes da pandemia.

Como o coronavírus é muito perigoso e contagioso, a gente tem ciência de que tem que parar, tem que ficar em casa. Tem que dar esse tempo. A gente faz a prevenção como deve ser feita. Esse cuidado temos ao máximo. O isolamento social a gente consegue cumprir, e sai só quando é necessário.

Por isso, as doações são de extrema importância. Neste momento em que não temos recurso nenhum, a gente precisa escolher: ou compra produto de limpeza ou a alimentação básica. É um ou outro.

Quando me ligaram da Sociedade Santos Mártires dizendo que eu podia retirar a doação, meu humor até mudou. Foram super atenciosos, fui bem recebido e atendido. Eu me senti premiado. Cheguei em casa com um senso de dever cumprido. Uma sensação de alívio por ter o básico garantido.

Veio uma cesta bem completa. E kit de limpeza, com álcool 70 e sabonete, que a gente usa muito neste momento. Com filho pequeno em casa, a gente tem que se reinventar o tempo todo, porque a criança nessa idade tem muita energia e quer sair. Daí a gente tem que buscar coisas diferentes. E a gente consegue fazer essas coisas mesmo com o básico.

Para minha família, a ajuda é muito necessária. Como somos três pessoas, vai durar o mês certinho. Isso já tirou a minha preocupação por esse tempo. Me deu um respiro. Quando vier o próximo mês, aí a gente se preocupa de novo...

Não é fácil, mas estamos vivendo um dia de cada vez na esperança de que vai passar, de que tudo vai melhorar o quanto antes. É isso que me motiva a não me desesperar neste momento. Por maior que seja a dificuldade, eu não posso me deixar abater. Eu penso na minha família. Se eu mostrar força, dou esperança para eles pensarem que vai melhorar. Vou mostrar que vamos passar por isso e dar a volta por cima.”