UNICEF faz a diferença na vida de Ruskerlyz e de outras 2,5 mil crianças venezuelanas em Roraima

Com auxílio de seus parceiros, o UNICEF oferece programas em saúde e nutrição, educação, proteção e água, saneamento e higiene a meninas e meninos venezuelanos que chegam ao Brasil

UNICEF Brasil
A menina Ruskerlyz está sentada dentro do abrigo em que vive em Roraima.
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

13 maio 2019

É por volta das 6h da manhã quando Ruskerlyz Alcantara, 7 anos, e sua família acordam no abrigo Janokoida, em Pacaraima (RR). O que a espera no dia é uma rotina estimulante na escola e no abrigo, com atividades realizadas pelo UNICEF e por seus parceiros.

Depois do café da manhã, Ruskerlyz caminha, com a mãe e seus irmãos, até a escola. Mesmo em uma curta conversa com a menina, é impossível fugir do tema educação. "Gosto de escrever, ler, desenhar, pintar e de estudar português. Sou bastante dedicada à escola porque gosto de aprender". Apesar do entusiasmo, a menina passou dois anos fora da escola porque a família não tinha condições de manter os seis filhos estudando.

Os pais de Ruskerlyz trabalhavam como auxiliares de enfermagem em Araguaimujo, no estado de Delta Amacuro, na Venezuela. A família vivia em uma espécie de palafita na comunidade indígena e cultivava uma horta que servia para complementar a alimentação. Com a inflação alta na Venezuela, o poder de compra do salário da mãe, Rutzelis Sifuentes, 31 anos, e do marido caiu.

"A gente não tinha comida e não dava para mandar eles para a escola com fome. Não adiantava, porque eles não aprenderiam. A partir de então, eu me tornei a professora deles em casa. Estudávamos com um caderno, uma folha, um lápis ou o que fosse. Meus filhos aprenderam a escrever e a ler comigo", diz a mãe. Somada a esses problemas, em 2018 a cheia do rio acabou com a plantação e a família ficou sem outra opção a não ser mudar para o Brasil.

três crianças com uniforme escolar vão de mãos dadas com a mãe para a escola
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

Desde que chegaram ao Brasil, em novembro de 2018, os filhos de Rutzelis participam das aulas no Espaço de Aprendizagem montado pelo UNICEF e pela Fraternidade – Federação Humanitária Internacional na paróquia de Pacaraima. "Voltar para a escola é uma conquista importante para eles", avalia a mãe.

A novidade de 2019 é que professores municipais estão ministrando aulas no espaço que, em breve, será considerado oficialmente parte da Escola Municipal Alcides da Conceição Lima, graças ao trabalho de advocacy realizado com a Secretaria Municipal de Educação para a inclusão de crianças venezuelanas na escola regular.

Depois da escola, Ruskerlyz volta para o abrigo no período da tarde e as atividades continuam. A menina costuma brincar com os amigos no Espaço Amigo da Criança criado no Janokoida pelo UNICEF com a Fraternidade. O local oferece apoio psicossocial e é usado para garantir às crianças o direito de brincar.

Também fazem parte da programação da tarde de Ruskerlyz ações de educação ambiental e de higiene, como a limpeza na estação de lavagem de mão e o plantio de flores que são colocadas pelo abrigo. Essas ações fazem parte do programa de água, saneamento e higiene (WASH, na sigla em inglês), realizado pelo UNICEF em parceria com a ADRA Brasil.

uma monitora com colete com os logos da Adra e do UNICEF ensina para a menina Ruskerlyz a lavar as mãos
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

Ainda com a ADRA, um programa de saúde e nutrição garante que, assim como Ruskerlyz, todas as crianças, todos os adolescentes e todas as grávidas do Janokoida tenham acesso aos serviços públicos de saúde, estejam com o calendário de vacinas atualizado e tenham o estado nutricional constantemente monitorado para evitar casos de má nutrição.

A assistência humanitária recebida faz com que a mãe se sinta mais confiante com relação ao futuro da menina e de seus outros filhos. "Sinto que eles estão seguros e podem se divertir um pouco, ser criança. É por eles que estou aqui no Brasil. Quero que estudem e sejam alguém na vida, que sejam mais do que fui". Mesmo pequena, Ruskerlyz já sonha em crescer e dar continuidade a corrente do bem em que foi envolvida. Inspirada pela mãe, ela pensa em ser enfermeira quando crescer. "Quero ajudar as pessoas".


O trabalho do UNICEF em Roraima – Assim como Ruskerlyz, mais de 2,5 mil crianças e adolescentes venezuelanos que vivem dentro e fora de abrigos para imigrantes são beneficiados pelas ações do UNICEF e seus parceiros. Os programas desenvolvidos em Roraima são amplos: na área de proteção, as ações têm como foco o acolhimento psicológico e psicossocial e a prevenção e resposta a casos de violência por meio do fortalecimento da rede de proteção.

Na educação, o projeto envolve o ingresso de crianças e adolescentes no sistema formal de ensino, mas, além disso, a garantia do sucesso escolar por meio da metodologia de Espaços de Aprendizagem, local de transição que conta com educadores brasileiros e venezuelanos.

Ruskerslyz está desenhando num caderno. Ela está sentada à mesa do Espaço Amigo da Criança, do UNICEF em Roraima
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

Na área de saúde e nutrição, o UNICEF e sua parceira, a ADRA Brasil, têm focado na garantia da saúde das crianças por meio de monitoramento e fortalecimento do estado nutricional. A atualização da carteira de vacinação de todas as crianças migrantes e de mulheres grávidas é outra das prioridades.

Em WASH, o trabalho é para garantir que todos os meninos e meninas tenham acesso a água potável e vivam em condições sanitárias e de higiene adequadas para evitar a disseminação de doenças. Com o auxílio da Cáritas Brasil, esses programas estão sendo ampliados para alcançar crianças e adolescentes vulneráveis que vivem em casas alugadas nos municípios de Boa Vista, Pacaraima, Bonfim e Amajari.

As ações realizadas pelo UNICEF em Roraima são possíveis graças ao trabalho de seus parceiros e ao financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do Governo dos Estados Unidos (BPRM/USA), do Fundo Central de Resposta a Emergência das Nações Unidas (Cerf), do Global Thematic Found, Global – Water, Sanitation & Hygiene, Nova Zelândia e Sida/Sweden.

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