Uma rede social de aprendizado

Estudantes do Mato Grosso do Sul criam rede social para que professores e alunos dos anos iniciais do ensino fundamental possam compartilhar conhecimentos sobre biologia

UNICEF Brasil
Várias pessoas em fila, lado a lado, olham para foto, sorrindo. Três delas seguram um cheque simbólico. A maioria está vestindo a camiseta azul da Maratona UNICEF SAMSUNG
Divulgação Samsung

23 Outubro 2019

Curtir, compartilhar e postar já se tornou muito comum. Mas fazer isso falando apenas de plantas é novidade. Essa foi a ideia de quatro estudantes e um professor de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, vencedores da edição de 2018 da Maratona UNICEF SAMSUNG. No APPlanta, meninas e meninos dos anos iniciais do ensino fundamental podem identificar e conhecer mais sobre diferentes tipos de plantas e suas classificações biológicas, compartilhando tudo em uma rede social acessada por outros alunos e professores.

A ideia surgiu de uma conversa de Diego Izidro, professor do ensino técnico em jogos digitais da Escola Estadual Adê Marques, com uma colega que leciona biologia no ensino fundamental da mesma escola. A professora comentava das dificuldades dos alunos com os temas de botânica. Diego, então, teve a ideia de criar um espaço online em que educadores pudessem compartilhar fotos e informações sobre plantas, enviando tarefas para seus alunos. A ideia era que o aplicativo (app) funcionasse como uma caça ao tesouro, em que cada estudante pudesse procurar, por exemplo, uma planta na sua região e postar fotografias.

O projeto começou a ganhar raízes com a chegada dos estudantes Júlio Cesar, Rafael Nunes e Alexsandro Silva – do 2º ano do ensino médio técnico em jogos digitais – e de Lucas Luan, aluno do técnico de manutenção de suporte de informática. Com a equipe completa, o projeto do app subiu de nível: virou rede social.

Compartilhando conhecimento online
Com o objetivo de trabalhar as plantas, o grupo começou a pensar formas de transformar a experiência no aplicativo em algo dinâmico. Pensando no público jovem, engajado em redes sociais, os estudantes decidiram trazer esse componente para dentro do app.

Com o plano em mãos, enviaram o projeto para a Maratona UNICEF SAMSUNG. A emoção foi grande quando a equipe descobriu que era uma das 31 selecionadas.

Os alunos, que já tinham aulas de programação desde o início do ensino médio, começaram com os trabalhos. Aos poucos, o APPlanta foi tomando forma. Participando da mentoria pedagógica oferecida pela Maratona, o projeto ficou cada vez mais dinâmico e acessível para o público. “Coisas como o tamanho da letra e o uso da cor pra quem tem problemas com baixa visão e daltonismo foram pensadas durante a mentoria. Para essa parte de acessibilidade e do design o programador geralmente não se atenta tanto”, explica o professor Diego.

Professor Diego posa para a foto mostrando o celular com a aplicativo
Divulgação Samsung

Juntando todas as orientações, depois de meses de trabalho, o APPlanta virou realidade. Ao iniciar o app, o usuário deve fazer uma conta e escolher entre um perfil de professor ou aluno. No caso dos estudantes, é só cadastrar e-mail e escolher uma senha. Já o professor precisa enviar uma declaração de instituição em que leciona atestando o cargo para poder ter acesso liberado e criar espaços de discussão com alunos.

Com a conta criada, o aluno pode procurar as salas criadas pelo seu professor ou pode ir diretamente pro feed para postar, curtir, comentar e ver o que já foi compartilhado, além de poder interagir e solicitar informações sobre diferentes tipos de plantas – uma verdadeira rede social. O professor tem acesso às mesmas funcionalidades, mas tem a possibilidade exclusiva de criar salas e enviar atividades para os alunos.

Além disso, ao criar uma sala, os professores podem escolher se ela terá ou não uma senha de acesso, função que permite que apenas aqueles com a senha participem da discussão. Assim, o professor pode criar salas virtuais para turmas específicas com os temas que estão sendo trabalhados em sala de aula.

A ideia das salas fechadas surgiu durante a testagem com alunos do 6º ano do ensino fundamental, que trouxe novas alterações. Meninas e meninos sugeriram que o aplicativo permitisse uma maior quantidade de caracteres na escrita das postagens, ícones mais compreensível para o aluno, e também analisaram o layout e o funcionamento. E assim foi feito.

Depois de ser regada e podada por quase seis meses, a semente do APPlanta estava pronta para sair de Ponta Porã e crescer em São Paulo.

três homens, com a camiseta da maratona, conversam entre si. um deles está de frente pra foto, o outro meio de lado e o da direita está quase de costas.
Divulgação Samsung

Compartilhando conhecimento offline
Foram dois dias de visitas técnicas e compartilhamento de conhecimento na capital paulista. Ao contrário da rede social, dessa vez a interação foi cara a cara. Os estudantes passaram um dia imersos, trocando ideias com outras equipes de todo o Brasil e apresentando o projeto. Era a primeira vez dos meninos fora da sua cidade natal, Ponta Porã. “Eu achei muito bom que nos classificamos para o momento final da maratona, porque nós fomos a única escola estadual selecionada. Representando a escola estadual, podemos dizer que nós podemos muito mais”, se orgulha Alexsandro, um dos membros da equipe.

Mas não parou por aí. Voltando para casa, mais ideias surgiram. O app segue ativo e a equipe pretende melhorá-lo, acrescentando ferramentas de acessibilidade como comando de voz. Além disso, ainda como forma de ampliar e melhorar o APPlanta, os estudantes pretendem promovê-lo nas redes sociais e em escolas para capturar um maior número de usuários e realizar melhorias baseadas na experiência de cada aluno.  

A volta para casa também trouxe um impacto gigante na escola estadual. A equipe percebeu o aumento do interesse dos estudantes para cursar o ensino técnico em jogos digitais – curso que antes, segundo eles, não tinha alto percentual de interesse. “As pessoas viram o reconhecimento que ganhamos depois da maratona. Neste ano, muitos alunos queriam entrar em uma nova sala, e eles também estavam motivados para se inscrever”, conta o estudante Júlio.

O professor Diego se orgulha da experiência, que trouxe frutos para os membros da equipe e para a escola, e conta que mais quatro projetos inovadores já foram criados para ser desenvolvidos. “Os meninos viram o que a inovação e educação podem fazer, que podem nos levar para outros lugares, para ter novas experiências. Acho que hoje eles têm uma cabeça muito diferente”, completa.

Saiba mais sobre a Maratona UNICEF SAMSUNG em https://maratonaunicefsamsung.org.br