Uma nova forma de estudar ciências da natureza

Grupo do Mato Grosso do Sul criou um aplicativo no formato de jogo de perguntas para que estudantes do ensino médio possam testar seus conhecimentos

UNICEF Brasil
três jovens estão em uma sala com computadores olhando para a câmera e sorrindo
GameOfStudent
17 julho 2020

Usar a tecnologia na hora dos estudos é sempre uma ótima ferramenta para retomar conteúdos aprendidos em sala de aula, seja por meio de jogos, vídeos ou aplicativos (apps). Pensando nisso, uma equipe do Mato Grosso do Sul, participante da edição 2020 da Maratona UNICEF Samsung, criou um jogo de desafios em que os estudantes podem testar seus conhecimentos em matérias de ciências da natureza. Carlos Eduardo Giacomini, Carlos Henrique Silva, Nathalia Cosim e Yasmin Ribeiro se juntaram ao professor Fabio Oliveira para desenvolver o GameOfStudent.

“Tivemos a ideia de fazer um jogo educativo que traria engajamento para estudantes do ensino médio, e aplicar saberes de áreas de conhecimento de ciências e matemática”, conta Carlos Henrique, um dos responsáveis pela programação do aplicativo. Apesar da pandemia do novo coronavírus, os estudantes seguiram com o desenvolvimento do app, se reunindo online e recebendo mentorias pedagógicas e técnicas por videochamada.

tela de computador com videoconferência onde aparecem os rostos de quatro participantes do projeto
GameOfStudent

Desafiando o jogador
O GameOfStudent trabalha por meio de desafios que o jogador deve completar, permitindo que o professor inclua os estudantes em uma “sala” e escolha as atividades que deseja desenvolver com a turma. O aplicativo é personalizável, para atender diferentes cenários educacionais.

telas do aplicativo GameOfStudent
GameOfStudent

Logo ao iniciar os desafios, o personagem Loki aparece para guiar o usuário durante a jornada, apresentando o que deve ser feito em cada um deles. O desafio 1, por exemplo, aborda as mudanças de estado físico da matéria. Entre as opções, os estudantes podem escolher quais dos estados físicos constituem o fenômeno da fusão. Para isso, é necessário arrastar a resposta correta até os quadrados e em seguida esperar o resultado. Em cada desafio, o estudante recebe um comentário do Loki sobre se a resposta está correta ou não, além de um resumo das lições aprendidas.  

No final, após os estudantes responderem os desafios propostos, os professores têm acesso aos relatórios de cada um e podem observar seu percurso ao longo do jogo. Além disso, toda a turma aparece em ordem em um ranking, de acordo com a pontuação atingida por cada estudante.

telas do aplicativo GameOfStudent
GameOfStudent

Por meio das mentorias técnicas que receberam, os estudantes também buscaram garantir a acessibilidade do aplicativo. Para isso, a equipe incluiu a autodescrição dos textos de cada desafio, para estudantes com deficiência visual, e tradução em Libras, facilitando o acesso a estudantes surdos. “As mentorias ajudaram bastante para priorizar e descobrir os melhores métodos pra acessibilidade dos usuários”, conta Carlos Eduardo, que fez parte da programação do projeto.

Desafiando os desenvolvedores
O GameOfStudent representa não só um desafio para os jogadores, mas também para os seus desenvolvedores. Para os estudantes Carlos Henrique e Carlos Eduardo, quando participaram da edição anterior da Maratona como estudantes de ensino médio, o tempo foi o maior obstáculo a ser vencido. Agora, cursando ensino superior e com um calendário que permitiu um maior período para desenvolvimento do app, os estudantes se alegram com os resultados que alcançaram.

“Acabamos desenvolvendo mais competências e habilidades conforme as necessidades surgiam. Por exemplo, precisávamos fazer o ranking no aplicativo, mas não sabíamos como. Ter mais tempo agregou valor no nosso produto final”, comenta Carlos Henrique.

Para o professor Fabio, a evolução dos estudantes, tanto em habilidades técnicas quanto pedagógicas durante a Maratona, garante que adquiram um olhar diferenciado como profissionais do futuro. “Eles vão participando e crescendo juntos, e contribuindo com as soluções deles para a qualidade da educação no nosso Estado, nossa cidade. Eles que vão construir os softwares de amanhã, e terão uma visão mais pedagógica”, comenta o professor.

Os membros da equipe, veteranos em participar de maratonas, garantem que a experiência é essencial para formação profissional dos estudantes. “Agrega tanto profissionalmente quanto pessoalmente, além de ser fundamental pra gerar valor pra nossa rede federal de ensino. É bem gratificante passar por todo esse processo e ver como resultado o produto que foi desenvolvido, o fruto do que fizemos”, alegra-se Carlos Henrique.

Já com o aplicativo testado e finalizado, os integrantes ainda almejam muito mais. Para Carlos Henrique, o objetivo é seguir com o projeto depois da Maratona, juntando um grupo maior de estudantes que possam trabalhar no design, no conteúdo pedagógico e na continuidade do desenvolvimento do GameOfStudent. “Um passo importante seria unir um grupo de pessoas para manter a ideia viva e tentar escalar o app no nosso município, Estado, e até no País. Queremos que o app faça a diferença na vida das pessoas, que usem pra estudar e compreendam mais sobre os conteúdo que abordados”, sonha.