Uma nova esperança para Amariles Tovar e seu filho, Emmanuel

Graças ao trabalho do UNICEF e seus parceiros no Estado de Roraima, a professora indígena venezuelana agora tem acesso a saúde e educação para seu filho

UNICEF Brasil
uma mulher está em pé, meio curvada, conversando com várias crianças que estão sentadas em cadeirinhas pequenas em uma roda. Todos estão rindo.
UNICEF/BRZ/João Laet

05 março 2020

Foram quatro dias de viagem até o Brasil. O sonho de chegar ao município de Pacaraima (em Roraima), na divisa com a Venezuela, foi o que moveu Amariles Tovar, de 25 anos. Ela deixou tudo para trás em busca de uma nova vida no Brasil junto com o filho Emmanuel, na época, com 1 ano e 6 meses.

A viagem não foi fácil. Sem dinheiro e comida, Amariles teve que pegar carona com estranhos e até pedir ajuda para soldados venezuelanos para o deslocamento. “Só queríamos chegar ao Brasil. Ficamos sem comer durante esse tempo, mas a fome não era maior que a esperança por dias melhores”, afirma.

Professora de educação integral na Venezuela, ela não teve outra escolha. “Lá, o dinheiro não vale mais nada. Mesmo empregados, meus familiares não tinham comida. Eu não queria sair de lá, pois não é fácil abandonar seu país. Mas fiz isso por eles e pelo meu filho”, relembra.

Após passar pelo posto de triagem na fronteira, Amariles e o filho foram alojados no abrigo Janokoida, em Pacaraima, para migrantes indígenas. Após avaliação médica e nutricional, a equipe de saúde constatou que Emmanuel estava desnutrido, com apenas 7 kg.

Começava aí um processo de cuidado com o menino, focado em uma alimentação saudável. Amariles recebeu orientações sobre vacinação, higiene e saúde em geral. E Emmanuel passou a ser acompanhado periodicamente.

Passado mais de um ano, a mãe comemora os resultados. “Antes de chegar aqui, Emmanuel ficava doente o tempo todo, sempre com diarreia, febre, gripe. Não tínhamos controle de nada. Hoje ele está com 3 anos, com 12 kg. É um menino saudável, nunca mais ficou doente e já se adaptou com as outras crianças”, afirma orgulhosa. “Considero o abrigo uma casa onde sempre estendem a mão para os que mais necessitam”.

Atualmente, cerca de 485 pessoas vivem no Janokoida, sendo 188 crianças de até 12 anos. Todo o acompanhamento de saúde desse e de outros abrigos para migrantes no Estado é realizado pelo UNICEF Brasil e parceiros, e financiado pela empresa Johnson & Johnson.

um menino pequeno está sentado sem camisa bebendo alguma coisa em um copo de aço. Ao lado dele sua mãe, também sentada, olha para ele.
UNICEF/BRZ/João Laet

Cuidando da saúde
Desde que Emmanuel chegou ao Janokoida, a nutricionista Cynthia Lima cuida de sua saúde. Ela conta que o menino chegou muito debilitado e foi encaminhado para fazer todos os exames disponíveis. “Com os resultados, começamos a fazer uma alimentação mais balanceada e a atualizar as vacinas. Só no primeiro dia foram seis vacinas. Foi dolorido até para nós, mas um grande aprendizado para a mãe”, conta.

Hoje, Emmanuelito, como foi apelidado carinhosamente, está muito esperto. Já se alimenta bem e já saiu da linha da desnutrição. No entanto, a nutricionista ressalta que o futuro do pequeno poderia ter sido muito diferente se não tivesse recebido a assistência de saúde do abrigo. “É bem provável que ele tivesse morrido. Estava com uma anemia muito forte”, avalia Cynthia.

A história de Emmanuel é semelhante à de outros meninos e outras meninas migrantes. Várias das crianças que fazem a viagem chegam muito debilitadas ao Brasil. A falta de alimentação adequada, e o consequente baixo peso, estão entre os principais problemas. “Aqui no abrigo, oferecemos um suplementação nutricional e fazemos recomendações para uma melhor alimentação infantil, com o aleitamento materno para crianças de até 6 meses, e a introdução de outros alimentos para meninos e meninas de 6 meses em diante”, explica a nutricionista.

Para Cynthia é muito gratificante observar a melhoria da saúde dos moradores do abrigo. “No início, o Janokoida abrigava 380 pessoas e ninguém estava com as vacinas em dia. Após realizarmos campanhas de vacinação e fecharmos parceria com o município, hoje todos aqui estão em dia”, afirma.

Além dos cuidados com a saúde, Amariles também conseguiu um emprego no abrigo como professora para as crianças, ao lado de outros seis venezuelanos, e hoje pode trabalhar na profissão que tanto ama e estudou em seu país. “Hoje minha situação está bem melhor, mas sei que meus familiares ainda estão sofrendo. Por isso, esse salário é de grande ajuda. Tenho um sonho de comprar um terreno por aqui e trazer minha família para que eles também possam viver num lugar seguro saudável”, afirma.

Parceria Johnson & Johnson
A parceria com a Johnson & Johnson tem como objetivo a contratação de profissionais para a atenção básica de saúde e nutrição nos abrigos para migrantes venezuelanos em Boa Vista e Pacaraima. Além disso, contempla a capacitação de profissionais do governo municipal e estadual em Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI Criança).