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Uma história de transformação alimentar

Em Guadalupe, no Rio de Janeiro, uma escola de educação infantil promove práticas de alimentação saudável e brincadeiras para fortalecer o desenvolvimento de crianças

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UNICEF
16 outubro 2025

A alimentação saudável é a base para o desenvolvimento integral de uma criança. Mas, no Espaço de Desenvolvimento Infantil Professora Miltolina da Silva, no bairro de Guadalupe, no Rio de Janeiro, nem sempre foi assim.

Quando muitas crianças chegaram à escola de educação infantil, que acolhe alunos entre três e seis anos, era comum ver caretas diante de frutas, legumes e verduras. O momento das refeições era marcado por recusas. Como passam grande parte do dia no local, as crianças fazem ali suas principais refeições: café da manhã, almoço e lanche da tarde. Por isso, esse era um desafio que a equipe escolar decidiu enfrentar com afeto, paciência e criatividade.

Aos poucos, a escola começou a transformar o olhar das crianças sobre a comida. Brincadeiras, histórias e conversas sobre os alimentos marcaram o início das primeiras experiências, seguidas de visitas à feira do bairro, do cuidado com as árvores frutíferas do pátio e da ajuda na criação de receitas saudáveis. Tudo com o intuito de aproximar as crianças do alimento que chega à escola.

“Não temos nada enlatado ou frituras, e também temos uma quantidade específica de sal e óleo para usar. Na escola, também incentivamos as crianças por meio de práticas pedagógicas lúdicas, como o passeio que fizemos à feira para eles comprarem os alimentos saudáveis que mais gostavam. Quando chegamos, fizemos junto com eles essa preparação”, conta Erica Pereira, diretora do Espaço de Desenvolvimento Infantil Professora Miltolina da Silva.

Por conta disso, o interesse cresceu, e a vontade de experimentar também. “Eu aprendi na escola que frutas e legumes são bons para a saúde”, conta Ayllon Kauã, de 5 anos.

As professoras aproveitaram esse entusiasmo para criar algo especial: cada turma elaborou três receitas, que viraram um livro reunindo as descobertas feitas ao longo das vivências. O projeto deu origem a uma feira culinária, que reuniu pais e mães.

O engajamento das famílias foi um dos resultados mais significativos dessa trajetória. À medida que as crianças passaram a comer melhor e a falar com entusiasmo sobre os alimentos, pais e responsáveis começaram a rever seus próprios hábitos alimentares. Muitos relatam que passaram a incluir mais frutas e verduras nas refeições de casa, a experimentar novas receitas e a valorizar o momento de comer juntos em família.

“Nós como comunidade conhecemos a estrutura da escola e as práticas. Existe o dia de fazer salada de fruta, teve passeio na feira, e em todos esses processos a família foi envolvida. Aprendi a fazer uma farofa de beterraba aqui na escola, e não só meus filhos comem, como eu também aprendi a comer”, comenta Livia Lima, mãe de Joaquim Lima, de quatro anos. 

Hoje, quem acompanha a rotina das crianças percebe o quanto tudo mudou. Quem antes recusava os alimentos agora experimenta, repete e conta o que aprendeu.  

menino escreve em papel sobre mesa cheia de frutas
UNICEF/BRZ/Kevin Gonçalves

Para um crescimento saudável e consciente

O número de crianças e adolescentes com obesidade já ultrapassou o de jovens desnutridos no mundo. Esse marco reflete uma mudança profunda nos hábitos alimentares e no estilo de vida das novas gerações. No Brasil, essa realidade também preocupa: o consumo de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo têm crescido, enquanto o contato com alimentos frescos e naturais, além dos momentos de brincadeira ativa, vem diminuindo.

Diante desse contexto, ações educativas que unem nutrição e movimento ganham ainda mais importância. Oferecer refeições equilibradas, criar oportunidades para que as crianças explorem sabores e texturas, e incentivar atividades físicas de forma lúdica são estratégias fundamentais para promover um crescimento saudável e consciente.

Tudo isso já acontece na escola. Além das atividades pedagógicas, existe a valorização do papel dos cardápios escolares equilibrados e nutritivos e a prática regular de atividades físicas lúdicas e brincadeiras ao ar livre. 

duas crianças sentadas no chão
UNICEF/BRZ/Kevin Gonçalves

Formação de hábitos

Desde 2023 o Rio de Janeiro conta com uma lei municipal que proíbe a venda e oferta de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas. A medida busca fortalecer a educação alimentar e nutricional de forma contínua, promovendo a formação de hábitos saudáveis e a conscientização sobre o alimento.

“Proibimos tudo que vai contra a proposta de alimentação saudável. Percebemos que, se a criança consegue entender que bons alimentos fazem sentido pra ela, isso se torna comportamento, uma prática, e é muito mais fácil ela levar isso pra vida”, relata Marcelo Nascimento, Coordenador de Educação Infantil e Primeira Infância da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Os cardápios das escolas seguem o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prioriza alimentos frescos, in natura, e proíbe ultraprocessados.

O trabalho do UNICEF no Brasil

A nutrição adequada, em especial na primeira infância, é essencial para o crescimento e o desenvolvimento de meninas e meninos. Ela é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento infantil.

Para expandir esse esforço, o UNICEF oferece e apoia a formação de professores e coordenadores pedagógicos para o fortalecimento de ações promotoras da saúde nas escolas, como o movimento por meio da brincadeira e ações pedagógicas de educação alimentar e nutricional.

Além disso, o UNICEF atua em oito capitais brasileiras na promoção de ambientes urbanos saudáveis e sustentáveis para as crianças, por meio da geração de evidências, identificação de boas práticas, capacitação de profissionais da educação, famílias e comunidades, e influência em políticas públicas junto aos governos municipais.

Para essa iniciativa, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Novo Nordisk e outros parceiros. 

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