"Uma das maiores desigualdades é a falta de informação"

Participante do projeto Chama na Solução Rio de Janeiro, Lincoln Sabino criou com seu grupo a iniciativa Jovens Podem, para enfrentar a barreira da desinformação que deixa muitos jovens das periferias fora do mundo do trabalho

UNICEF Brasil
dois jovens, uma mulher e um homem, estão fazendo uma apresentação. Atrás deles aparece um banner com o logo do UNICEF. Os dois usam camiseta do projeto Chama na Solução
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé
19 junho 2020

"Uma das maiores desigualdades que percebo em meu território é a desinformação", destaca o jovem Lincoln Sabino Souza, 20 anos, morador do Complexo do Lins, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Participante do projeto Chama na Solução Rio de Janeiro, realizado pelo UNICEF em parceria técnica com Cedaps, Lincoln lembra que, durante o ensino médio pôde observar que muitos jovens não conseguem alcançar as oportunidades de trabalho nem acessar as universidades em decorrência da desinformação.

Com o objetivo de buscar soluções a partir dos próprios jovens para aproximar a juventude das favelas e periferias do mundo do trabalho, o projeto Chama na Solução pareceu muito atrativo para Lincoln. "Vi a oportunidade de discutir esses temas de forma propositiva", destaca. Durante o projeto, junto com outros jovens, criaram a proposta Jovens Podem, em resposta ao desafio da especialização e da falta de informação.

"Uma das maiores desigualdades para entrar no mundo do trabalho é a falta de informação"

Lincoln Sabino Souza, 20 anos, Rio de Janeiro

"Sou o primeiro da minha família a ingressar em uma universidade, pois tive um acesso maior à informação. Foi isso que me permitiu estar em uma universidade pública hoje", avalia o jovem. A partir da identificação desse desafio, o grupo elaborou sua solução.

"Um público prioritário que identificamos, até mesmo por ser a realidade de uma das integrantes do grupo, são as jovens mães. Há um grande preconceito e faltam oportunidades para essas jovens e adolescentes no mundo do trabalho", relata. Além de jovens mães, o projeto foi pensado para outros perfis de jovens e adolescentes que residem na região da Grande Pavuna.

um grupo de jovens está em pé em uma sala. o jovem que está no meio deles segura um microfone e está falando.
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé

Na fase inicial de implementação dos projetos de cada grupo do Chama na Solução, em março deste ano, o Brasil foi surpreendido com a chegada da Covid-19. Com o distanciamento social sendo recomendando, principalmente nas favelas e periferias, os grupos tiveram que readaptar os projetos e aproveitaram o ambiente no qual os jovens e adolescentes estão mais ativos: as redes sociais.

"Está sendo bem desafiador não poder ter esse contato presencial para observar as expressões e os relatos pessoalmente", comenta Lincoln sobre o impacto causado pela pandemia do novo coronavírus. O projeto foi adaptado para uma atuação exclusiva nas redes sociais, falando sobre assuntos relacionados a empregabilidade. "Usamos muitos memes. Nós nos comunicamos pelo WhatsApp e o Instagram com uma linguagem que atende à realidade do nosso público. Já alcançamos mais de 1300 jovens", comemora o jovem.

O grupo tem realizado pesquisas sistemáticas para solucionar dúvidas sobre o auxílio emergencial, por exemplo. Além de por meio de posts no Instagram esclarecendo questões relacionadas ao auxílio, o Jovens Podem apoia seu público pelo WhatsApp, realizando o pedido da renda básica para aqueles que possuem mais dificuldades.

"Estou bem preocupado e até um pouco desesperado quando vejo que a minha família não está conseguindo parar de trabalhar para continuar colocando comida em casa. Já perdi dois tios-avôs para a Covid-19, e a minha tia materna que está na linha de frente como enfermeira foi infectada. Vejo o vírus cada vez mais próximo da minha família e isso me assusta. Mas ao mesmo tempo crio mais forças para realizar ações em combate ao mesmo".

Lincoln e os integrantes do Jovens Podem estão apoiando ações e campanhas de mobilização em favelas e periferias do Rio de Janeiro para que os moradores possam ter acesso à informação sobre prevenção ao novo coronavírus, além da distribuição de itens básicos de higiene pessoal, limpeza da casa e alimentação.