A trajetória de sucesso de Sandrielle

Sandrielle Saiury recuperou a aprendizagem por meio do Programa Travessia Amapá, parceria do estado com o UNICEF, e chegou ao 1º ano do ensino médio

UNICEF Brasil
Foto mostra uma adolescente sorridente, em pé, no corredor de uma escola.
UNICEF/BRZ/Nay Jinknss
27 abril 2022

Sandrielle Saiury, de 17 anos, ficou um ano fora da escola quando foi contaminada pela malária. A família dela havia acabado de se mudar para um novo lar no município de Santana, no Amapá, e muitos sofreram com a doença. Para Sandrielle, que ficou debilitada pelo vírus, esse momento de vida significou ficar sem estudar, apesar da vontade que tinha de ir à escola. “Eu adoeci e não fui para a escola. Às vezes eu ia, às vezes não, até que fiquei um ano sem estudar. Parei com tudo”, relembra. Naquele momento, a adolescente já havia repetido duas vezes de ano, e acabou acumulando mais um ano em atraso escolar.

Ao voltar às aulas, Sandrielle estava com 16 anos, cursando o 7º ano. Foi quando a escola em que estuda, Escola Estadual Professor Francisco Walcy Lobato Lima, começou a implementar o Programa Travessia Amapá – uma parceria da Secretaria de Educação do Amapá com o UNICEF, para enfrentamento da distorção entre a idade e a série dos estudantes.

Quando as aulas presenciais voltaram, em 2021, Sandrielle ingressou no Programa, que conta com metodologias específicas voltadas a cada estudante em atraso escolar. Com o apoio dos professores, conseguiu recuperar a aprendizagem e avançar nos estudos.

Foto mostra uma adolescente em sala de aula. Ela está sentada na carteira escolar, de costas para a câmera. O rosto dela aparece de perfil. Ela está escrevendo no caderno. Há outros adolescentes em sala de aula, meio desfocados na foto. Todos usam máscara.
UNICEF/BRZ/Nay Jinknss

“Eu pensei que não ia passar de ano. Fiquei feliz”, diz a adolescente. Logo em seguida, preparada e motivada a seguir estudando, Sandrielle realizou a avaliação para avançar para o ensino médio e foi aprovada para o 1º ano. “Eu percebi que ela tem muita força de vontade, ela é muito inteligente, muito habilidosa. Senti muito por ela ter ficado atrasada, porque parece que ela tinha estagnado. E hoje a gente consegue ver a Sandrielle desabrochando”, diz Leidilene Rocha, professora do Programa Travessia Amapá na escola.

A alegria é compartilhada por Daniel da Silva, pai da adolescente. “A Sandrielle precisava dar uma alavancada, e o Programa foi propício para isso. Hoje, ela está em um patamar melhor, eu tenho certeza de que ela vai ficar mais convicta do que ela está fazendo e estudando”, diz ele.

E a iniciativa fez a diferença também na família da estudante. Em 2022, após Sandrielle ter avançado, o seu pai decidiu trazer o neto Rafael, que morava no interior do estado e também estava em atraso escolar, para a Escola Estadual Walcy. Agora, o adolescente está cursando o 7º ano e está no caminho para recuperar o seu aprendizado. “Ele também está com um pouquinho de atraso nos seus estudos, então o Travessia vai somar para ele, assim como somou para a Sandrielle”, explica.

Com o apoio da família e da escola, Sandrielle, agora, está trilhando a própria trajetória de sucesso e se sente animada com o futuro. “Neste ano de 2022 já consegui passar para o ensino médio. Estou agradecida e um pouco mais confiante. Espero continuar avançando nos estudos”, celebra. “Penso muito em ajudar meu pai, minha mãe, minha família. Não desistir dos sonhos, seguir em frente, continuar... É isso”, diz.

Foto mostra uma mulher, um homem e uma mulher sentados. Em pé, atrás deles, há uma adolescente. Eles sorriem para a foto.
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Sandrielle e o pai com as professoras Tulla e Leidilene, do Programa Travessia Amapá na Escola Estadual Walcy.

Programa Travessia Amapá
Na Escola Estadual Walcy, outros cerca de 50 estudantes também foram beneficiados com a implementação do Programa. Para isso, a Secretaria de Educação do Amapá, em parceria com o UNICEF, realizou uma série de formações com professores abordando metodologias de ensino para estudantes em atraso escolar.

“Nós iniciamos o diálogo com o UNICEF em 2020 para fortalecimento de algumas ações que a Secretaria já fazia na tentativa da correção de fluxo. As turmas do Travessia têm essa característica de pensar uma metodologia que vá de fato garantir que o estudante possa corrigir o fluxo escolar e seguir em uma trajetória de sucesso”, explica Neurizete Nascimento, secretária adjunta de Políticas da Educação do Amapá.

A escola precisou identificar e selecionar os estudantes que estavam em distorção idade-série, ou seja, aqueles que estavam com pelo menos dois anos ou mais de atraso escolar. Em seguida, identificou a série que os estudantes cursavam, realizou ações de busca ativa daqueles que não estavam frequentando as aulas, fez escutas dos estudantes e de suas famílias, para que a equipe pudesse conhecer as suas histórias e os motivos para o atraso nos estudos.

Com isso, os professores começaram a perceber as individualidades da trajetória de cada estudante e pensar como impulsionar o aprendizado para avançarem nos estudos. “Inovou muito nosso jeito de trabalhar. Eu gostei muito do Programa porque, além de eu trabalhar o conteúdo de Língua Portuguesa, a gente trabalhou com o aluno a formação dele, a questão da ética e da família, que está sempre muito presente”, explica a professora Leidilene.

“Futuramente nós vamos dizer que foi um Programa que surgiu para melhorar 100% a vida desses alunos, que por algum motivo não tiveram a oportunidade de estudar na sua série corretamente”, diz a professora. “O que faltava para eles era estímulo, motivação. E por meio do Travessia eles conseguiram”, se alegra.

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UNICEF Brasil

Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
A estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar é uma iniciativa do UNICEF, com Instituto Claro e outros parceiros, para o enfrentamento da cultura de fracasso escolar no Brasil. O objetivo é facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes.

O site da estratégia disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas em texto e vídeos – e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.