Super professora, super pana na pandemia

Em Roraima, a professora de português Jennifer Barros dedica seu trabalho a ensinar crianças e adolescentes migrantes da Venezuela nos espaços Súper Panas

UNICEF Brasil
A professora Jennifer está na frente da sala explicando alguma coisa para os adolescentes que estão sentados, de costas para a câmera. Ao fundo, há um banner do UNICEF e outro do Súper Panas na Rádio
UNICEF/BRZ/Daniel Tancredi
15 outubro 2020

Toda quinta-feira, a professora Jennifer Barros vai até o abrigo Rondon 3, que acolhe 844 migrantes da Venezuela na cidade de Boa Vista, capital do estado de Roraima. Lá, Kaleth Colmenares, de 12 anos, está à espera. O menino começou em fevereiro na rede pública de ensino brasileira e ainda estava se adaptando ao novo idioma quando, após apenas algumas semanas de aula, veio a pandemia de Covid-19. Agora, uma vez por semana, a professora ajuda ele e outros estudantes com o reforço escolar de diversas disciplinas, principalmente o português. Mas nem sempre a rotina foi essa.

Graduada em Letras, com ênfase em espanhol, Jennifer começou a ter interesse por temas relacionados a idiomas e culturas muito cedo. Começou trabalhando em escolas públicas de Roraima, mas foi há quase um ano que encontrou a oportunidade de unir todas as suas paixões em uma só: trabalhar no Súper Panas – que em português significa “Super amigos” –, espaço do UNICEF em parceria com o Instituto Pirilampos, onde ministra aulas de português e atividades recreativas para meninas e meninos venezuelanos.

“Eu não conhecia a realidade do abrigo. A princípio, foi um choque. O contexto escolar é totalmente diferente de uma escola formal. São estratégias diferentes que precisamos adotar para chamar atenção. É também um contexto de acolhimento, não somos só professores, passamos a ser educadores sociais”, explica Jennifer. Após um período de experiência, a professora passou a descobrir e desenvolver novas técnicas de ensino, focando em adaptar o ensino do português para crianças e adolescentes migrantes.

A professora Jennifer está sentada ao lado de um adolescente, explicando alguma coisa para ele. Na frente dos dois há um livro aberto. Os dois estão usando máscara de proteção.
UNICEF/BRZ/Daniel Tancredi

Adaptação à pandemia
Antes da pandemia, os estudantes se reuniam todos os dias para assistir às aulas no Súper Panas, que funcionava nos períodos da manhã e da tarde, com aulas de português, biologia, música, entre outras disciplinas. “Era uma experiência muito alegre, eu tinha contato com os alunos, as aulas eram calorosas e animadas. Trabalhamos educação com recreação, então fazíamos dinâmicas, jogos, competições. Quando veio a pandemia, o maior desafio foi evitar o contato, porque criamos um vínculo com os alunos”, conta Jennifer.

Além de já não poderem dar os típicos abraços para receber os estudantes no início de mais um dia de aula, surgiram outros desafios, e os professores precisaram adaptar suas estratégias de ensino. Para prevenir o contágio da Covid-19, dois promotores, moradores do abrigo, recebem o plano de aula dos professores e aplicam as atividades planejadas para os estudantes de segunda a quarta-feira, com tempo reduzido e cumprindo os protocolos de saúde.

Os educadores passaram a ir todas as quintas-feiras para ajudar no reforço escolar e alfabetização das crianças. Este tempo tem sido precioso para manter os estudantes aprendendo. Para Kaleth, que seguiu recebendo as atividades da escola regular, ter o acompanhamento da professora Jennifer faz a diferença. “No Brasil é diferente da Venezuela, por causa do idioma. Os primeiros dias na escola aqui são difíceis, e lá em espanhol entendemos tudo”, conta.

Os professores também se organizaram em equipes de oficinas para seguir trabalhando pelo abrigo durante a pandemia. Alguns optaram pela oficina de confecção de máscaras e bonecos/as, que foram entregues aos moradores no Dia das Crianças; outros, pela oficina de videoaula, e alguns integraram a programação da iniciativa “Súper Panas na Rádio”. Para Jennifer, a escolha foi a oficina de bonecos/as, na qual confeccionaram à mão os super heróis do espaço Súper Panas que, após dois meses de trabalhos, foram entregues a meninas e meninos no Dia das Crianças. “Fizemos as bailarinas e os super-heróis, escolhidos pelos estudantes”, alegra-se.

A professora Jennifer está em pé, curvada sobre uma carteira, explicando algo para dois estudantes, que estão de costas. Todos usam máscaras.
UNICEF/BRZ/Daniel Tancredi

Mas o que os professores não sabem é que, aos olhos das crianças, os super heróis são eles. “Eu gosto de ter professores para me ajudar porque eles querem que eu aprenda. A professora Jenni me explica como fazer, manda as tarefas. Ela gosta quando eu escrevo bonito”, ri Kaleth.

Obrigado, professora Jennifer, por fazer a diferença!

Obrigadaço
Neste Dia do Professor, o UNICEF agradece a todas e todos aqueles profissionais que dedicaram seu tempo, habilidades e conhecimentos e tiveram que se reinventar para continuar com a educação. Por isso, o UNICEF convida todos os estudantes a que postem uma imagem ou vídeo em suas redes sociais com a hashtag #Obrigadaço, agradecendo a um professor ou professora que fez a diferença em sua trajetória escolar durante a pandemia de Covid-19. Participe!