Quando a esperança bate à porta

Em Itabaianinha (SE), equipes da Busca Ativa Escolar visitam casas de famílias para encontrar crianças e adolescentes fora da escola. Em uma dessas visitas, a história da família Santos mudou

UNICEF Brasil
30 janeiro 2020
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

A casa de Robson e Adriana Santos é cheia de amor e energia. Os pais e os nove filhos moram em uma pequena casa de dois quartos nos arredores de Itabaianinha, no Estado de Sergipe, na Região Nordeste do Brasil. O casal, que não concluiu o ensino médio, lutava para sustentar financeiramente a família numerosa e estava com dificuldades de manter os filhos na escola. 

Mas a situação começou a mudar em dezembro de 2018. Foi quando a equipe da Busca Ativa Escolar, apoiada pelo UNICEF, bateu à porta da família. A proposta: ajudar para que as crianças voltassem para a escola – e para garantir que frequentassem as aulas todos os dias.  

 

UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Na Busca Ativa Escolar, agentes públicos de diferentes áreas – incluindo saúde, educação e assistência social, entre outras – identificam crianças fora da escola. Em Itabaianinha, a equipe da Busca Ativa sempre visita as famílias para avaliar cada caso e encontrar a melhor solução para cada criança – entre elas, quatro das filhas de Robson e Adriana: Maísa, Estefany, Izabella e Gabriela (da esquerda para a direita).

 

UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Maísa, de 5 anos, não tinha conseguido ser matriculada na pré-escola pois seus pais não encontravam sua certidão de nascimento. A partir da visita da equipe da Busca Ativa Escolar, o município ajudou a resolver a situação. A menina foi registrada e ingressou na pré-escola na mesma instituição de sua irmã, Gabriela, de 6 anos – que também voltou após um período fora da escola. 

 

UNICEF/BRZ/Raoni Libório

As irmãs mais velhas, Izabella, 9, e Estefany, 11, também já estão matriculadas e indo para a escola, apesar de ainda não conseguirem manter uma frequência regular. Mesmo assim, ir para a escola já se tornou parte até da rotina de brincadeiras em casa, já que as irmãs adoram "brincar de professora".  

"Gostamos de brincar de professora com nosso primo e nossos amigos. Sou a professora primeiro, depois a Izabella, e ensinamos a ler e escrever. Aprendemos isso na escola, então, ensinamos para eles também"

Estefany Santos, 11 anos
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Mas, para Izabella, o jogo entre amigos é muito mais que uma brincadeira. "Meu sonho é ser professora. Eu quero ensinar alunos mais velhos a ler e escrever", diz a menina, esperançosa. Estefany também está confiante sobre o que ela quer ser quando crescer. "Meu sonho é me tornar médica para ajudar minha família", conta.

 

UNICEF/BRZ/Raoni Libório

O pequeno Gabriel Lucas, de 1 ano e 8 meses, um dos filhos mais novos do casal, também conseguiu uma vaga na creche do município.  
 
Embora ainda passem por dificuldades, Adriana conta que está mais feliz. Ver todos os filhos na escola revive o desejo de voltar a estudar tanto nela quanto em Robson, especialmente porque isso significaria poder ajudar as crianças com a lição de casa. 

 

UNICEF/BRZ/Raoni Libório

A Busca Ativa Escolar não visa apenas levar as crianças para a escola, mas também unir esforços de diferentes áreas no município para entender os desafios da família, reverter as causas da exclusão e garantir a permanência das crianças na escola, aprendendo. Robson estava desempregado e tinha dificuldades para sustentar os filhos. A partir da visita da equipe em sua casa, o município conheceu a condição da família e ajudou o pai a conseguir um emprego em período integral. Agora, a renda está ajudando a melhorar a vida familiar e garantir que as crianças sigam estudando.  
 

"É muito importante ir à escola. Se elas forem à escola, só terão benefícios, e a chance de um futuro melhor. Elas não vão ter uma situação como a nossa"

Adriana Santos, Itabaianinha, Sergipe