Protegendo quem cuida da saúde lá na ponta

UNICEF e parceiros levam EPIs para profissionais de saúde indígena e para Unidades Básicas de Saúde no Amazonas e no Pará

UNICEF Brasil
Um profissional de saúde indígena entrega uma máscara para uma mulher. Ele usa todos os equipamentos de proteção individual necessários, como máscara, escudo facial e avental.
UNICEF/BRZ/João Carlos
16 julho 2021

“Aqui é uma área que recebe muitas pessoas de fora. É uma área de fronteira, então vêm pessoas do Peru, da Colômbia, e muitos ainda não estão vacinados. É muito importante ter esses EPIs [equipamentos de proteção individual] em nossas mãos para que nós possamos dar continuidade ao trabalho”. Com essa fala, o cirurgião-dentista Radamés Valdino Tavares começa a contar sobre a realidade da pandemia no município de Tabatinga, na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru. Trabalhando na saúde coletiva da Aldeia Umariaçu 2, ele foi um dos beneficiados com as doações de 28.400 itens de EPIs enviadas para a região de Tabatinga pelo UNICEF em parceria com o Complexo Solar Pirapora, controlado pela EDF Renewables e Omega Energia, e o BNDES.

A chegada das doações trouxe alívio também ao agente de saúde Divino Gabriel Honoratu. “Agora, neste mês de julho, tínhamos poucas máscara. Nós somos dez agentes de saúde que trabalham na aldeia Umariaçu 1. A cada dia, nós orientamos as pessoas para não saírem de casa e sempre usarem máscaras para se proteger”. Divino explica que a rotina inclui ir de casa em casa, cuidando da saúde de cada morador da aldeia. “Os pacientes que estão com uma semana de tosse, febre, nós encaminhamos para o hospital. E também nós, que somos indígenas, fazemos nosso remédio tradicional. Usamos tanto o ocidental quando o tradicional. Assim, nós cuidamos dos nossos pacientes nesta pandemia”, explica ele.

O trabalho em equipe e a dedicação dos profissionais de saúde têm feito a diferença na região. A médica Aline Stephanie Pérez Gómes relembra os desafios de 2020 e comemora os avanços dos últimos meses. “No começo da pandemia, foi muito difícil para nós e para o mundo inteiro. Ninguém estava preparado, ninguém tinha material nem informação suficiente para combater esse novo vírus. O caminho foi difícil. Agora, a vacinação chegou. Já vimos a diminuição de casos, e de casos graves”, diz ela, esperançosa.

Para Aline e seus colegas, trabalhando numa área indígena de fronteira, a que o acesso nunca é simples, a ajuda faz toda a diferença e dá forças para continuar. “Esse material é muito importante. Os EPIs ajudam na triagem dos pacientes e evitam o contato com secreções possivelmente contaminadas. Isso ajuda muito no trabalho da unidade básica na aldeia, porque a gente sabe que uma parte do trabalho é ter nossos agentes protegidos das infecções”.

Além de para Tabatinga, o UNICEF, com apoio do Complexo Solar Pirapora, controlado pela EDF Renewables e Omega Energia, e do BNDES, enviou doações a profissionais de saúde indígena em Tefé, Lábrea e Itacoatiara, no Amazonas, e em Redenção, no Pará.

Ajuda chega, também, ao interior do Pará
E o apoio não parou por aí. Ele chegou, também, a profissionais da atenção básica da saúde de outras cidades. A mais de 2 mil quilômetros de Tabatinga, equipes de saúde de Marabá, no sudoeste do Pará, também comemoram a chega de doações. Lá, 31 mil EPIs foram entregues ao Hospital Municipal de Marabá e a Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município.

Com mais de 280 mil habitantes, Marabá está focada no enfrentamento da pandemia e o apoio chegou em boa hora.

Foto mostra um homem usando máscara. Ele olha para a câmera
UNICEF/BRZ/Leon Ramirez

"Nesses dois anos, nossa maior dificuldade foi com relação aos insumos. Hoje, estamos conseguindo trabalhar para que não falte esse material aqui no hospital. Uma doação como essa do UNICEF é uma ajuda imprescindível”.

Fabrizzio Bastos, diretor administrativo do Hospital Municipal de Marabá

“Nós ainda estamos com altos índices de Covid-19 aqui na cidade. Essa doação é uma contribuição bem significativa porque do que a gente sente falta é a questão dos EPIs. Como trabalhar com um inimigo invisível, sem os equipamentos de proteção individual e coletiva?”

Edlyn Rosanne Miranda de Sousa, enfermeira, Marabá, PA

Foto mostra uma mulher de máscara olhando para a câmera.
UNICEF/BRZ/Leon Ramirez

Em cada bairro a que as doações chegaram, a alegria foi compartilhada.

Foto mostra uma mulher usando máscara segurando um saco plástico com o logo do UNICEF
UNICEF/BRZ/Leon Ramirez

Giuvanete de Sousa Feitosa, gerente da UBS do bairro de Murumuru, diz que a comunidade ali não é tão grande, mas há muitas pessoas com a Covid-19. “Como a unidade é pequena, conseguimos uma tenda para colocar no lado externo e evitar aglomeração. Por mais que a prefeitura tenha contribuído com EPIs, a gente precisa sempre de mais material. Essa doação ajuda bastante”, diz ela.

Em todas as UBS atendidas, as reações de alegria foram se somando. Além de para Marabá, foram enviadas doações de EPIs a Belém, Almeirim, Óbidos e Oriximiná, no Pará. Ao levar doações a todas essas cidades, e também aos profissionais de saúde indígena de Tabatinga, Tefé, Lábrea, Itacoatiara e Redenção, o UNICEF, com apoio do Complexo Solar Pirapora, controlado pela EDF Renewables e Omega Energia, e do BNDES, contribuiu para proteger quem, desde o começo da pandemia, se decida a cuidar da saúde de cada uma e cada um.