Professor leciona educação física via redes sociais

No interior da Paraíba, Francielio Oliveira precisou adaptar a disciplina de educação física para o ensino remoto e se reinventou durante a pandemia

UNICEF Brasil
13 outubro 2020
perfil do professor olhando para a tela do laptop onde aparecem seus alunos em aula por videoconferência
Arquivo pessoal

O ano de 2020 começou intenso para o professor Francielio Oliveira, que leciona educação física para o ensino médio no município de Damião, no interior da Paraíba. Há seis anos trabalhando na rede estadual de ensino, ele estava cheio de planos. Havia feito o curso Portas Abertas para a Inclusão, iniciativa do UNICEF e parceiros, e vinha se empenhando em garantir uma educação física inclusiva. Logo no início do ano, já havia identificado dois estudantes que treinaria para a equipe paradesportiva da cidade. Seguia também com os treinos do time de futsal feminino da escola, que ele mesmo montou e foi campeão no ano anterior. Mas, de repente, a pandemia de Covid-19 fechou as escolas em todo o País.

Antes dela, o professor promovia esportes e jogos para os estudantes durante as aulas, aproveitando o ginásio da cidade. Com o isolamento social, surgiu o desafio: como ensinar educação física de forma remota? “A minha maior dificuldade foi porque minha disciplina é muito de mostrar o movimento para o aluno, aí foi um pouco mais complexo. Na sala de aula, a gente consegue dar a teoria e depois ir para a prática. Hoje, eu não tenho como dar a prática presencial”, explica.

A interação mais próxima com os estudantes também começou a fazer falta. “O maior desafio era envolver os alunos. Temos que estar sempre fazendo algo diferente”, diz ele. Foi então que decidiu inovar e convidar a turma a realizar a parte prática da disciplina remotamente. Andar de bicicleta na rua ou atividades com bola com distanciamento social, fazer corridas paradas em casa, tudo entrou na rotina.

Percebendo o gosto da turma pelas redes sociais, Francielio começou a incentivar os estudantes a que postassem as atividades físicas que praticavam. “Quando falo para postarem nas redes sociais, consigo que eles se envolvam, porque um faz, o outro vê e pensa em fazer também. Um vai chamando o outro”, conta. Em uma das tarefas, pediu para que gravassem um vídeo realizando uma dança regional do Nordeste do Brasil. E o resultado foi uma surpresa: diversos vídeos de estudantes dançando baião, xaxado, e alguns optaram por outros estilos de músicas populares, como o funk.

Para aqueles que não possuíam internet, a escola havia se organizado para enviar as atividades impressas. E educação física também fazia parte delas. O professor enviava as atividades teóricas e incentivava ao máximo as atividades práticas, mesmo que os alunos não postassem nas redes sociais.

Aprendizagem voltada à saúde
Outra iniciativa de Francielio, que a turma recebeu muito bem, foi aprender sobre o Índice de Massa Corporal (IMC). Os estudantes aprenderam a medir o peso, altura e fazer o cálculo do IMC em casa. “Pedi para fazerem com os pais, o IMC de cada um. Eles postaram fotos fazendo, gostam muito disso. Fizeram do pai, da mãe, teve um que fez até dos irmãos”, conta ele.

A preocupação de Francielio incluía também os estudantes com deficiência, que ficaram ainda mais excluídos durante a pandemia. Ele havia realizado o curso Portas Abertas para a Inclusão e aprendido sobre a promoção da inclusão escolar de meninos e meninas com deficiência por meio da ressignificação da educação física e de práticas esportivas seguras. Com base na formação, Francielio levou o olhar diferenciado da inclusão para a sua vida, e passou a aplicá-lo, também, nas aulas remotas.

“Ficou mais difícil na pandemia trabalhar com inclusão, são pessoas da área de risco”, diz ele. Mas os planos continuam. A tão sonhada equipe paradesportiva não conseguiu ser formada neste ano, mas o docente já quer retomá-la no próximo. “O que eu quero fazer no próximo ano é incentivar ainda mais os alunos na minha área, mostrar o que é, de verdade, o esporte na vida de uma pessoa”, almeja.

Obrigado, professor Francielio, por fazer a diferença!

Obrigadaço
Neste Dia do Professor, o UNICEF agradece a todas e todos aqueles profissionais que dedicaram seu tempo, habilidades e conhecimentos e tiveram que se reinventar para continuar com a educação. Por isso, o UNICEF convida todos os estudantes a que postem uma imagem ou vídeo em suas redes sociais com a hashtag #Obrigadaço, agradecendo a um professor ou professora que fez a diferença em sua trajetória escolar durante a pandemia de Covid-19. Participe!

Sobre o Portas Abertas para a Inclusão
O Portas Abertas para a Inclusão é uma iniciativa do UNICEF, em parceria com o Instituto Rodrigo Mendes, o FC Barcelona e a Fundação Barça. Trata-se de um curso de formação continuada para professores, gestores escolares e técnicos de Secretarias Municipais de Educação. Tem como objetivo apoiar as redes públicas de ensino para a promoção da inclusão escolar de meninos e meninas com deficiência por meio da ressignificação da educação física e de práticas esportivas seguras.