A primeira vez em que Marlene foi ao dentista

Em parceria com a ADRA Brasil, o UNICEF tem fornecido assistência odontológica para mais de 300 crianças indígenas que vivem em Boa Vista

UNICEF Brasil
uma menina indígena warao com vestido cor de rosa simula uma escovação dental, sorrindo para a dentista que está agachada na sua frente, também sorrindo.
UNICEF/BRZ/João Laet

27 Junho 2019

Aos 6 anos, Marlene Perez deitou pela primeira vez na cadeira de dentista. Desconfiada com as luzes, os cheiros e barulhos, a menina warao aguentou sem reclamar – muito – a primeira sessão que abria para ela um mundo de descobertas. Felipa Perez, avó da menina, acompanhou atenta o tratamento. Aos 59 anos, era também a primeira vez dela em um consultório odontológico.

Felipa deixou a comunidade Cuberuna, na Venezuela, com o marido, os nove filhos e cinco netos em direção ao Brasil ainda em 2017. A família de indígenas waraos morou algum tempo em um acampamento indígena montado ao lado da rodoviária do município de Pacaraima, em Roraima, até conseguir refúgio no abrigo para indígenas na capital Boa Vista. Mesmo com a memória pouco precisa para datas e prazos, ela não esquece o motivo que os fez sair de casa: "Meus netos estavam morrendo de fome. Só tínhamos banana para comer".

Felipa, 59 anos, está sentada no chão e trança o cabelo de Marlene, 6 anos. Elas estão no abrigo para imigrantes waraos em Boa Vista
UNICEF/BRZ/João Laet

No Brasil, a situação da família melhorou e Felipa comemora as conquistas, como o atendimento odontológico até então inédito para eles. Além de ter acesso aos serviços ofertados pelo UNICEF e sua parceira ADRA Brasil, os netos da família Perez também frequentam o espaço de aprendizagem montado pelo UNICEF e pela Visão Mundial.

Felipa não teve a oportunidade de estudar quando criança e aprendeu a escrever o nome em um curso de alfabetização para adultos. É com orgulho que ela fala das conquistas e avanços dos netos no Brasil. "Eles vão para a escola aqui no abrigo e aprendem a escrever, cantar. O meu neto de 9 anos já sabe tudo. Escreve meu nome e o dele. A Marlene já sabe escrever o nome dela".

Tímida, Marlene "conversou" com a gente balançando a cabeça com os sinais de sim e não. Com a avó, ela conversava baixo, mas somente no idioma nativo warao. Por meio do código, ela contou que a consulta com a dentista Cristina Martins não foi dolorida e que tinha sido divertida. Entre as coisas que ela mais gosta de fazer, estão desenhar e estudar.

a dentista com o colete com os logos do UNICEF e da Adra conversa com Marlene e sua avó. Ela segura uma pasta e uma escova de dentes nas mãos. Avó e neta estão sentadas prestando atenção no que a dentista fala.
UNICEF/BRZ/João Laet

Trabalho continuado
De volta ao abrigo onde Marlene vive, Cristina sentou com a família para reforçar a técnica correta de escovação de dentes. O trabalho de orientação sobre higiene bucal e alimentação adequada para evitar infecções é feito diariamente, de barraca em barraca, pela dentista. Todos os moradores do abrigo são assistidos. Quando adultos necessitam de assistência, a profissional realiza o encaminhamento para dentistas das Forças Armadas que atuam na Operação Acolhida, para universidades que prestam atendimento gratuito e para os serviços públicos que oferecem atendimento odontológico.

O trabalho da dentista Cristina e de outros profissionais de saúde e nutrição do UNICEF em parceria com a ADRA Brasil – como enfermeiros, nutricionistas e monitores – são possíveis graças a doações do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA), do Escritório de População, Refúgio e Migração dos Estados Unidos (BPRM/USA), da Johnson & Johnson e do Governo da Nova Zelândia.


Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e pelos adolescentes migrantes venezuelanos.


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