"Precisamos de soluções simples"

Participante do projeto Chama na Solução Rio de Janeiro, Danielen Santana da Silva criou com outros jovens o Conecta Jovem, para permitir acesso à internet a estudantes do ensino médio e facilitar o acesso ao mundo do trabalho

UNICEF Brasil
Uma jovem está fazendo uma apresentação, ela está de frente para a câmera, mas não olha diretamente para ela.
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé
18 junho 2020

Apesar de tímida e um pouco envergonhada, Danielen Santana da Silva está sempre disposta a ir além e expor suas ideias. Com 18 anos, nascida e criada no Anil, um bairro da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, Danielen é uma das participantes do projeto Chama na Solução Rio de Janeiro, desenvolvido pelo UNICEF em parceria técnica com o Cedaps.

Durante o projeto, grupos foram formados para criar soluções que aproximem adolescentes e jovens vulneráveis a oportunidades no mundo do trabalho.

"Uma das maiores barreiras que encontramos entre o jovem e o mundo do trabalho foi a falta de qualificação e de compreensão de como funciona “essa área nova” na vida dele", conta Danielen. E completa: "Afinal de contas, quando se trata de um adolescente entrando nesse universo pela primeira vez, é provável que surjam muitas perguntas na cabeça sobre como e por onde começar". O grupo de Danielen começou a criar a proposta do Conecta Jovem.

"O acesso à internet interfere diretamente em como o jovem da periferia se prepara para o mundo do trabalho"

Danielen Santana da Silva, 18 anos, Rio de Janeiro

A jovem conta que tiveram várias ideias... Uma ideia que foi bem forte entre o grupo foi a de realizar uma feira de empreendedorismo, mas encontraram muitos obstáculos. Por fim, chegaram a uma solução viável e que pareceu bastante eficaz. "Decidimos equipar um espaço para que os jovens que estão no ensino médio acessem a internet por meio de computadores. Quase ninguém tem computador em casa e, quando tem internet, a conexão é instável na maioria das vezes. Sabemos o quanto esse acesso é importante para um bom desempenho escolar e como isso interfere diretamente em como o jovem se prepara para o mundo do trabalho". Ela explica que um bom desempenho escolar faz diferença na escolha do que o adolescente vai seguir profissionalmente. Por isso, haver ferramentas de apoio para concluir o ensino médio é decisivo para o ingresso no mundo do trabalho.

Danielen está com outros jovens em uma dinâmica de grupo
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé

Um dos jovens do grupo indicou um espaço em Santa Cruz, na comunidade onde mora, para ser um polo fixo da ação. E então a solução proposta pelo grupo se concretizou: conectar jovens e adolescentes para que tenham acesso à internet por meio de computadores, que ficarão disponíveis para apoiar nas pesquisas e atividades escolares de alunos que estejam cursando o ensino médio.

Com o chegada da pandemia do novo coronavírus ao Brasil e a necessidade de distanciamento social como medida de prevenção, o grupo interrompeu as atividades presenciais. Concluir o ensino médio com sucesso se tornou um desafio ainda maior para os estudantes das favelas. "Quando a pandemia passar, queremos voltar com o espaço com força total. Precisamos de soluções simples, capazes de apoiar a juventude de periferia a acessar mais oportunidades", conclui Danielen.