Para Gabriel, saúde

Aos 8 meses, Gabriel foi diagnosticado com paralisia cerebral. Desde então, encontrou o acompanhamento necessário em uma Unidade Amiga da Primeira Infância

UNICEF Brasil
Foto mostra um menino sorrindo. A foto está por trás de uma moldura azul com o logo do UNICEF e o texto Dia Mundial da Criança - 20 de novembro.
UNICEF/BRZ/José Nilson Silva
19 novembro 2021

A gravidez de Kathleen Amorim seguiu normal até os cinco meses. A mãe e o pai, ansiosos pela chegada do seu primeiro filho, acompanhavam com amor toda a sua evolução. Mas, a cada consulta mensal com o médico durante o pré-natal, o coração do pequeno Gabriel ficava mais fraco dentro da barriga da mãe. Foi então que, aos oito meses de gravidez, a família, natural do Crato, município a pouco mais de 500 km de Fortaleza, no Ceará, teve que deixar sua cidade rumo à capital para conseguir um acompanhamento médico especializado. Por conta de uma cardiopatia, Kathleen soube que era muito provável que Gabriel precisasse de uma cirurgia no coração logo ao nascer.

E assim foi. Aos seis dias de nascido, o bebê foi submetido a uma cirurgia para a colocação do marca-passo. Durante a internação após o procedimento, quando Gabriel já havia completado um mês de vida, Kathleen recebeu a ligação: “O Gabriel teve uma parada cardíaca e não temos mais esperança de que ele vá voltar. Eu acho que o Gabriel dessa vez morreu”, relembra a mãe. “Eu não acreditava, era como se fosse um filme de terror”, conta.

Apesar do choque, o momento de tristeza rapidamente foi substituído por alegria: Gabriel era mais resiliente do que pensavam. De repente, o seu choro cortou a sala da UTI. “Quando chegamos ao hospital, ele já tinha voltado, mas eu só podia ver ele por uma janelinha”, diz Kathleen. Mesmo após essa superação, ainda foram mais alguns meses de internação que o menino precisou enfrentar. “Meu sonho era pegar ele nos braços, mas só pude [fazer isso] quando ele tinha 3 meses, cheio de aparelhos, eu não podia nem me mexer”, lembra a mãe.

Aos 4 meses de vida, todos vividos no hospital, Gabriel finalmente recebeu a notícia esperada com ansiedade por Kathleen: ele poderia ir para casa.

Foto mostra parcialmente o rosto de uma mulher. Ela está segurando um álbum de fotos, onde vemos as fotos de um bebê.
UNICEF/BRZ/José Nilson Silva

Direito à saúde
Com a melhora, a família voltou para sua cidade natal, dessa vez completa: Gabriel estava junto. Porém, conforme ele ia crescendo e completando os meses, começaram a perceber que alguns marcos do desenvolvimento estavam atrasados. Ele ainda não conseguia sentar, ou segurar o pescoço.

Um neurologista diagnosticou Gabriel com paralisia cerebral, causada pela parada cardíaca. O susto da família foi seguido de uma nova jornada à capital.

Ao chegar a Fortaleza, a mãe buscou ajuda no Posto de Saúde Irmã Hercília. Trata-se de uma Unidade Amiga da Primeira Infância (Uapi), uma iniciativa do UNICEF e parceiros que visa melhorar o acompanhamento de crianças de até 3 anos na atenção básica de saúde. Por meio da Uapi, os postos de saúde que atingem metas de melhora em quesitos como saúde bucal, vacinação infantil e aleitamento materno são certificados. Além disso, o Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) é fortalecido por meio da iniciativa. A partir das consultas de rotina no posto de saúde, as crianças com alguma necessidade específica são encaminhadas para receber acompanhamento psicológico e fisioterapia, garantindo, assim, um desenvolvimento saudável.

Ao chegar ao posto, Kathleen pensou que receberia apenas orientações sobre onde poderia levar o filho para atendimento, mas encontrou mais do que isso: ali mesmo, no NDI da unidade de saúde, Gabriel teria acesso à fisioterapia, um dos atendimentos necessários para o seu desenvolvimento saudável.

Foto mostra uma fisioterapeuta fazendo exercícios com um menino pequeno. Ele está de bruços sobre um dos braços dela. Com a outra mão, a fisioterapeuta faz massagem nas costas do menino. Ela usa máscara.
UNICEF/BRZ/José Nilson Silva

“O Gabriel chegou aqui aos 8 meses, ele foi se desenvolvendo devagarinho, mas está se desenvolvendo bem. Consegue ficar sentado com apoio, colocamos ele em pé com suporte”, explica Kathleen Viana, fisioterapeuta do NDI do posto de saúde Irmã Hercília. Ela, junto com psicóloga da unidade, acompanha a evolução do menino a cada consulta, para fortalecer os músculos e, um dia, chegar a um dos maiores sonhos que sua mãe tem para ele: andar. “Por isso é importante começar a estimulação cedo, para que a gente consiga dar a essa criança uma melhor qualidade de vida”, esclarece.

Agora, com quase 3 anos, Gabriel recebe um atendimento adequado, e sua mãe se sente confiante. Por conta disso, ela não deixa de sonhar em um dia poder vê-lo correndo e se divertindo. “A gente passou por um perrengue grande, mas, graças a Deus, superamos e estamos aqui, correndo atrás do que der. Meu sonho é que ele cresça com saúde, que ele possa andar, brincar com outras crianças, e se desenvolver cada dia mais”, conclui.

Para Gabriel e para cada criança, saúde.