Os sonhos e as esperanças de Joana

Com 16 anos e grávida do segundo filho, a adolescente venezuelana passou pelo primeiro atendimento clínico durante ação do UNICEF em Roraima

UNICEF Brasil
perfil mostra uma adolescente grávida, preservando sua identidade
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

14 Maio 2019

Quando criança, Joana* sonhava em sair da pequena cidade de Caucagua, na Venezuela. Queria ser aeromoça e conhecer o mundo. A menina estudava e vivia com os pais, mas a vida tomou um rumo diferente. Aos 12 anos, Joana foi morar com um companheiro. Aos 14 anos, ficou grávida do primeiro filho. Hoje, aos 16 e sozinha no Brasil, a adolescente está grávida do segundo filho.

Após o nascimento do primeiro bebê, Joana e o companheiro se separaram. A adolescente voltou com o filho para a casa dos pais, que já estavam vivendo na pobreza. A situação de vulnerabilidade em que Joana se encontrava se agravou quando virou migrante.

Apesar de estar grávida desde janeiro, foi somente em abril, durante ação do UNICEF em parceria com a Cáritas Brasil, que Joana teve o primeiro atendimento desde que engravidou. A menina recebeu, também, o primeiro enxoval para o bebê que está a caminho.

uma profissional com colete com a marca do UNICEF atende uma adolescente grávida. A adolescente está de costas para preservar sua identidade.
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

Joana saiu de casa em setembro de 2018. Seu filho Kerson*, de 2 anos, ficou aos cuidados dos avós. Ela se lembra, com dor, de um dos piores sentimentos que já experimentou: ter que explicar ao próprio filho que não tinha comida para alimentá-lo. "Foi, por isso, que saí de casa e me mudei para Santa Elena de Uairén [cidade venezuelana na fronteira com o Brasil], para buscar emprego e mandar dinheiro para meu filho e minha família".

Joana carrega nos ombros a responsabilidade de alimentar o filho, três irmãos e os pais. E faz isso tudo sozinha. Atualmente, a menina dorme, de favor, no chão de uma construção abandonada no município de Bonfim, em Roraima, na fronteira com a Guiana. Apesar de falar com certa frequência com a mãe que ficou na Venezuela, os familiares não sabem das condições em que ela vive. A menina trabalha fazendo bicos e metade do que ganha é sempre enviado para os familiares que ficaram na terra natal.

Desde muito nova, Joana teve que assumir responsabilidades que criança nenhuma deveria ter. Com um filho de 2 anos e outro na barriga, os sonhos de quando era menina ficaram para trás. Apesar disso, a mensagem dela é de esperança para o futuro.

"Eu penso que só tenho 16 anos e é agora que minha vida está começando. Então, eu acredito que as coisas vão melhorar. Não estou sozinha. Se antes eu tinha que ter 50% de esperança, agora preciso ter 100%,
por mim e por meus filhos".

*Os nomes da adolescente e da criança foram alterados para preservar sua identidade


Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e pelos adolescentes migrantes venezuelanos.


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