O poder de se expressar

Estevão Souza, 15 anos, mora no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo. Participante do Geração que Move, foi encorajado a romper barreiras e desenvolver suas habilidades.

UNICEF Brasil
05 fevereiro 2021
um adolescente está sentado à mesa, desenhando. Ele usa fone de ouvidos.
Arquivo pessoal

“Espero que o Geramove me ajude a me levar para o que eu quero”, afirma o adolescente, integrante do projeto Geração que Move, uma iniciativa do UNICEF, Fundação Abertis, Arteris e Viração, em São Paulo. Estevão tem sentido os bons efeitos dos encontros formativos do projeto principalmente na sua habilidade de se comunicar. A possibilidade de diálogo com outros jovens, de escutar e ser escutado, ainda que online, tem estimulado sua participação. O adolescente cuida, desde criança, de dificuldades na fala, com fonoaudiólogos. O espaço para a expressão aberto pelo Geração que Move tem feito a diferença. “Antes ele ficava muito reservado no canto dele, hoje ele articula muito melhor as palavras e está mais extrovertido, conversa mais, fala melhor mesmo”, reconhece orgulhosa sua mãe, Vania.

Estudante do 9o ano em escola municipal da Zona Sul de São Paulo, Estevão lamenta episódios de bullying nos ambientes escolares por onde passou. Nesse sentido, o projeto também tem trazido novos entendimentos. “Foi tocante e importante as conversas sobre racismo, preconceito e saúde mental... Já sofri preconceito na escola”, reflete. Ultimamente, entretanto, sente-se mais ambientado, acolhido por um grupo de amigos parceiros e em contato com aulas variadas oferecidas em sua escola no contraturno. Aulas de educação física e robótica são as de que mais sente falta hoje com o ensino a distância. Mas o jovem não se queixa da nova modalidade de ensino, dispõe de computador e internet em casa e participa das aulas online sem problemas.

Mas certamente a pandemia o afetou em outros aspectos. “Não poder sair de casa dá um aperto no coração”, conta Estevão, que diz não haver sinais que apontam ao fim da pandemia apesar de os moradores de seu território estarem pouco preocupados com o vírus, como percebe. Estevão sente falta do melhor amigo, “irmão”, como faz questão de afirmar, com quem enfrenta alegrias e dificuldades na escola e na vida. Os dois costumavam frequentar diariamente o telecentro do bairro, espaço, onde se reuniam para jogar e desenhar. Há meses, entretanto, o local está fechado.

Divertir-se com a família também faz parte da rotina de Estevão. Antes da pandemia, ir a parques e ao cinema no shopping perto de casa eram suas atividades preferidas. Mas, quando reflete sobre lugares dos quais sente saudade, Estevão lembra, sem titubear, da praia de Caraguatatuba. Mais de cinco horas de trajeto – inicialmente feito de ônibus, hoje em carro próprio – compensam o desfrute de finais de semana no paraíso.

Durante a pandemia, com mais tempo em casa, Estevão ampliou a dedicação ao desenho, a pesquisas de imagens na internet e à culinária. Inspirado pela irmã, o jovem encontrou no desenho sua linguagem de expressão desde muito novo. Logo, inspirado pela estética animé, começou a pesquisar desenhos na internet e reproduzi-los fielmente no papel. Hoje segue fã de obras animé, apreço compartilhado com o pai, mas começa a buscar inovações nos desenhos.

Estevão vislumbra ingressar no ensino superior em uma faculdade de artes, ou especializar-se em culinária ou computação. Seu sonho em última instância é, como o de muitos de sua geração, tornar-se um youtuber, ganhar muito dinheiro e comprar um apartamento. Assim como com os seus apresentadores favoritos, em seu programa não faltarão jogos de videogame, mas conversas sobre desenho, sua arte favorita, darão seu toque especial.