“O esporte abre portas para a inclusão”

Andressa Ueharo, professora de educação física, trabalha para que crianças e adolescentes possam mostrar o quanto são capazes

UNICEF Brasil
19 novembro 2020
um grupo de professores e estudantes posam para a foto
Arquivo pessoal – Andressa Ueharo
Professora Andressa (na ponta, à esquerda) com os estudantes que treina participando nas Paralimpíadas Escolares 2019, em que concorreram em modalidades como atletismo e tênis de mesa.

No interior do Mato Grosso, na cidade de Paranatinga, uma equipe paralímpica vem se destacando nas competições escolares locais. São alunos da professora de educação física Andressa Ueharo, uma entusiasta da inclusão. Em 2019, a educadora participou do curso Portas Abertas para a Inclusão, iniciativa do UNICEF e do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com o FC Barcelona e a Fundação Barça. Mas a história de Andressa com a inclusão começou muitos anos antes, em especial ao encontrar um aluno chamado Marcos, que hoje já está na universidade.

Paulistana de nascimento, Andressa se mudou para o Mato Grosso para trabalhar como professora de educação física na rede estadual de ensino. Durante uma avaliação diagnóstica, identificou que crianças e adolescente com deficiência não participavam das atividades. Com o conhecimento que tinha em mãos, começou a adaptar as atividades: a altura da cesta e o peso da bola de basquete foram alterados, e outras inovações começaram a fazer parte da rotina. “Inclusão é quando o estudante está dentro da mesma atividade. Talvez faça mais lento, talvez mais rápido, mas ele está lá fazendo a mesma atividade proposta para a sala toda”, explica ela.

As aulas passaram a ser mais inclusivas, mas Andressa queria ir além. Foi quando o estudante Marcos, na época no ensino médio, entrou em sua vida. “Eu já tinha incluído o Marcos na educação física, mas ele queria mais: queria os jogos escolares”, lembra a professora.

Andressa começou a correr atrás do sonho do aluno. A ideia inicial era incluí-lo na modalidade paralímpica de atletismo, mas o esporte escolhido foi outro: tênis de mesa. “Fui buscar o regulamento para ver como funcionava. Eu não entendia tanto de tênis de mesa, mas busquei o conhecimento para que ele participasse das Paralimpíadas Escolares”, conta ela.

um jovem está parado ao lado de uma mesa de pingue-pongue segurando uma raquete na beirada da mesa. ele está meio curvado.
Arquivo pessoal – Andressa Ueharo
Marcos, em 2019, treinando tênis de mesa na escola por meio da Associação Desportiva Paranatinga.

A partir daí, foram cinco anos treinando e acompanhando Marcos em jogos paralímpicos, em que o estudante ganhou diversas medalhas no tênis de mesa. Hoje, Marcos já se formou e seguiu para a faculdade, e a educadora se orgulha de ter contribuído com a trajetória de sucesso dele.  

Uma equipe paralímpica escolar
A experiência de Andressa e Marcos abriu as portas para novos estudantes. Ao longo do anos, mais meninas e meninos foram se unindo à professora, que montou equipes para as Paralimpíadas Escolares. “Diversas famílias de estudantes com deficiência começaram a me procurar, a dizer que queriam colocar os filhos na escola em que trabalho, porque eu fazia as atividades com eles”, lembra ela, emocionada.

Atualmente, a escola em que Andressa leciona possui 12 salas, todas inclusivas, com até dois estudantes com deficiência. Os treinos para as Paralimpíadas, que antes eram realizados de forma voluntária pela educadora, ganharam força e ela criou a Associação Desportiva Paranatinga (Adesp).

Antes da pandemia da Covid-19, oito crianças e adolescentes já tinham a oportunidade de treinar com a professora em diversas modalidades. Com a pandemia, as Paralimpíadas estão suspensas, mas ela não parou. Continuou trabalhando e fazendo planos. Para o próximo ano, Andressa se alegra de já ter conseguido um recurso estadual que ajudará a ampliar o número de crianças atendidas pela Associação.

menina está parada em frente a uma rede de basquete adaptada para a altura
Arquivo pessoal – Andressa Ueharo

Altura da cesta e peso da bola de basquete adaptados para a inclusão.

quadra de esportes coberta com alguns estudantes
Arquivo pessoal – Andressa Ueharo

Marcos, em 2016, na aula de educação física, com um amigo ajudando na segurança de sua mobilidade por meio de uma faixa.

Uma educadora, em constante formação

Com todo o amor pelo que faz, Andressa nunca deixou de buscar oportunidades para crescer e se especializar na área. Em 2019, surgiu a oportunidade para que fizesse o curso Portas Abertas para a Inclusão. “O curso abriu minha mente para saber o que fazer, como adaptar as atividades, e ir mais a fundo na questão familiar [dos estudantes], conhecer um pouco mais”, conta.

Para Andressa, escutar os depoimentos de familiares e ver exemplos de como diversos estados do Brasil estão trabalhando com inclusão na educação física foi um incentivo a mais para seguir com seus trabalhos na escola e na Associação. O Portas Abertas fez ela perceber que não está sozinha nessa jornada. “O curso também dá possibilidades de atividades, que dão ideias para criar parecidas aqui. É totalmente voltado pra inclusão, mas eu consegui incluir até estudantes que não têm deficiência, fazendo com que melhorassem sua participação nas aulas”, relata. “O esporte abre muitas portas, abre o caminho dessas pessoas. Por meio disso, conseguem mostrar o quanto são capazes”, completa.

Sobre o Portas Abertas para a Inclusão
O Portas Abertas para a Inclusão é uma iniciativa do UNICEF, em parceria com o Instituto Rodrigo Mendes, o FC Barcelona e a Fundação Barça. Trata-se de um curso de formação continuada para professores, gestores escolares e técnicos de Secretarias Municipais de Educação. Tem como objetivo apoiar as redes públicas de ensino para a promoção da inclusão escolar de meninos e meninas com deficiência por meio da ressignificação da educação física e de práticas esportivas seguras.