O direito de brincar, mesmo longe de casa

Daviannd e Dylannd vieram da Venezuela e agora vivem com os pais em Boa Vista (RR). No abrigo, os irmãos reencontraram a alegria de brincar e cantar

UNICEF Brasil
Daviannd and Dylannd with their parents
UNICEF/BRZ/Brenda Hada

04 Junho 2019

Schirlys e seu o filho mais novo, Daviannd, foram os primeiros a chegar em terras brasileiras. Mais de mil quilômetros mantiveram mãe e filho distantes do restante da família em El Tigre, na Venezuela, por dois meses. A decisão de cruzar a fronteira do seu País aconteceu na urgência, com poucas malas e muitas incertezas. O salário já não dava para o sustento da casa. “Tinha medo de que uma hora não teríamos nada para comer”, conta Schirlys, 24 anos, relembrando das refeições limitadas a uma vez ao dia.

Depois chegaram o marido, David, e o filho mais velho, Dylannd. Hoje, os quatro vivem em um abrigo para imigrantes venezuelanos, em Boa Vista (RR), e aguardam ansiosos a chegada da avó das crianças e da irmã caçula, que está na barriga da mãe.

Ainda envergonhado com quem não tem familiaridade, Dylannd, prefere ficar acomodado no colo da mãe enquanto conversamos sobre como ele e o irmão têm se adaptado à nova vida. Schirlys conta que o menino sempre foi tímido, mas pôde ver o comportamento do filho mudar positivamente depois de começar a frequentar o Espaço Amigo da Criança – local montado dentro do abrigo pelo UNICEF em parceria com a Visão Mundial.

Dylannd Rengifo, 4 anos, brinca durante as atividades do Espaço Amigável da Criança.
UNICEF/BRZ/Brenda Hada

“Os monitores do espaço se empenham e as crianças se contagiam com isso. Dylannd sempre foi o mais quieto, mesmo quando ia para creche na Venezuela, mas aqui, ele já acorda cantando de manhã”, conta. A música que o menino costuma cantarolar até durante o banho é um hit popular no Brasil. “Borboletinha ‘tá’ na cozinha, fazendo chocolate, para a madrinha...”.

Nos arredores do abrigo, é comum encontrar Dylannd jogando futebol com os amigos, vestindo o par de meias que ganhou. O menino também ama o pula-pula – seu brinquedo favorito.

Na prática, os Espaços Amigo da Criança promovem várias atividades lúdicas e recreativas voltadas para meninas e meninos, dentro e fora de abrigos, em Roraima. Estes locais têm o objetivo de garantir a proteção de cada criança e o direito de brincar em um lugar seguro e adaptado às necessidades delas.

Família crescendo no Brasil
Próximo ao fim da gravidez, Schirlys lembra que o início da gestação aconteceu quando ainda estavam se estabelecendo no abrigo, mas que a descoberta não foi motivo de preocupação para a família. “Estou bem e tem sido uma gravidez mais calma do que a dos outros dois (risos)”, ela brinca. “Todo mês, estou fazendo acompanhamento no hospital próximo daqui”, explica.

A família também recebe suporte dentro do abrigo e, logo que chegaram, os meninos passaram por uma avaliação nutricional realizada pelo UNICEF e pela ADRA Brasil. Na época, foi constatado que Dylannd estava abaixo do peso, o que gerou mais uma necessidade de adaptação para o menino. Ele tomou suplemento alimentar e passou a ser acompanhado com frequência pelos monitores de saúde e nutrição, até recuperar o estado nutricional.

O tempo passou e, já com o peso ideal, Dylannd não poupa energias para brincar, dar risada e até para enfrentar o medo da vacina. Durante o mês de maio, a Prefeitura de Boa Vista realizou uma campanha de imunização apoiada pelo UNICEF, a ADRA e a Universidade Federal de Roraima em sete abrigos para migrantes. Os irmãos e outras 436 crianças e adolescentes foram vacinados durante as ações. Dylannd foi o primeiro dos dois a tomar a injeção, enquanto era observado de perto pelo irmão mais novo. Seguindo o exemplo dele, Daviannd não chorou e até fez graça com a picada que levou.

Daviannd Rengifo, 3 anos, toma vacina durante a campanha de imunização da Prefeitura de Boa Vista, apoiada pelo UNICEF e pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA).
UNICEF/BRZ/Brenda Hada

Melhor assistidos, os meninos têm se adaptado felizes à nova morada. Já os pais, apesar de tranquilos, demonstram sua necessidade de avançar mais um passo. “Aqui a situação está difícil em relação a emprego. Estamos dependendo da ONU, mas depois que eu der à luz e minha mãe chegar, queremos ir para outro estado”, afirma Schirlys. Imaginando a vida de seus filhos daqui para frente, ela conclui: “para meus filhos, quero que tenham algo para se distrair, porque aprendem rápido e adoram jogar. Também espero que estudem e aprendam a falar português”.


Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e pelos adolescentes migrantes venezuelanos.


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