A nova vida de Ethan na escola

Com 5 anos, Ethan Augusto ainda estava fora da escola por causa de dificuldades na fala. Após a insistência da mãe e a ajuda do município, o menino foi matriculado

UNICEF Brasil
Ethan e os pais andando pelas ruas.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

07 janeiro 2020

Na casa da família Espinoza de Oliveira, o videogame está ligado. Sentado no sofá da pequena sala, Ethan Augusto, 6 anos, joga com o irmão Idriel, 10. Esse é o passatempo preferido do menino. Ao lado dele, a mãe, Regilane, acaricia os cachinhos de seus cabelos. Expressivo, o menino reage a cada etapa do jogo com atenção.

Ver o filho assim, comunicativo, ainda é novidade para a família. Ethan Augusto ainda não fala e, por causa disso, estava fora da escola até o ano passado. “Queria matriculá-lo, mas meu esposo, Antônio, não deixou”, conta a mãe. Ele tinha receio de que o filho sofresse bullying e não conseguisse contar à família ou pedir ajuda. “A gente é pai e quer o melhor, quer dar uma superproteção. Às vezes até estraga”, explica o pai.

Mesmo sem o apoio do marido, Regilane decidiu insistir. A família vive em Horizonte, no Ceará. O município está inscrito no Selo UNICEF e vem se empenhando em incluir todas as crianças na escola. Regilane procurou uma amiga que trabalha como professora na rede municipal de ensino, contou a situação e pediu ajuda. “Ela falou assim: ‘eu vou arrumar uma vaga na educação infantil para ele e esperar que dê certo’. E deu”, sorri a mãe.

Uma nova fase: a educação infantil
Com 5 anos, Ethan Augusto foi matriculado no último ano da educação infantil. Começava aí um longo processo de adaptação a um mundo completamente diferente. “O início do Ethan Augusto foi muito difícil. Ele não aceitava o ambiente de sala de aula”, conta a coordenadora pedagógica do Centro de Educação Infantil Maria do Carmo, Ana Cláudia da Silva.

Pouco a pouco, o menino começou a interagir com as crianças, com os profissionais da instituição, e conseguiu se integrar.  “O mais importante para ele era ser acolhido, porque o desenvolvimento começa a partir daí”, defende Patricia Helena, primeira professora de Ethan Augusto na educação infantil.

Ethan brincando com os amigos na escola.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Com o passar do tempo, o ambiente escolar  foi se tornando familiar e acolhedor. “Em casa, dava a hora de ir, ele apontava para o relógio como se dissesse  ‘hora de ir pra escola, mamãe’”, conta Regilane orgulhosa.

Mais um desafio: mudar para o ensino fundamental
O ano decorreu sem grandes problemas, mas havia um desafio: Ethan Augusto estava terminando a educação infantil e teria que encarar uma nova mudança, agora para o ensino fundamental. Era preciso minimizar os impactos dessa transição. E o diretor Leandro Vieira, da Escola Maria Regiana da Silva, que iria receber o menino, sabia disso.

Leandro encontrou apoio na rede municipal de ensino. Pediu um relatório com todo o histórico do aluno na educação infantil, conversou com as professoras, e conseguiu um estagiário de inclusão para acompanhar Ethan Augusto em sala de aula. “O estagiário trabalha em parceria com o professor. Enquanto o educador está dando aula, o estagiário faz um acompanhamento mais direto com o aluno”, explica ele.

Todas essas medidas contribuíram para que a adaptação não fosse tão difícil. Ethan Augusto venceu mais uma barreira e não desistiu da escola. Com o apoio constante dos educadores, os pais também foram se sentindo mais seguros. Hoje, eles sabem que matriculá-lo foi a melhor coisa que fizeram pelo filho. “Os professores nos apoiam muito, interagem e se preocupam com a gente”, celebra o pai, agora um entusiasta da escola.

Ethan Augusto ainda não fala, mas os avanços são notórios. Ele está mais comunicativo, consegue  integrar com outras crianças e, mais importante, está aprendendo. A mãe comemora cada conquista e quer mais. “Eu tenho fé que meu filho tem um grande futuro. Ele pode, e ele vai conseguir”, diz ela.

Selo UNICEF – O município de Horizonte está inscrito na edição 2017-2020 do Selo UNICEF, iniciativa voltada a estimular os municípios a implementar políticas públicas para reduzir as desigualdades e garantir os direitos de meninas e meninos previstos na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesta edição, o Selo UNICEF conta com 1.924 municípios inscritos na Amazônia Legal brasileira e no Semiárido, territórios que concentram o maior número de meninos e meninas em situação de vulnerabilidade do País.

O sucesso do Selo UNICEF é resultado da parceria entre o UNICEF, seus parceiros e governos estaduais e municipais por meio da atuação integrada voltada a cada criança e adolescente. A experiência com as edições anteriores comprova que os municípios certificados com o Selo UNICEF avançam mais na melhoria dos indicadores sociais do que outros municípios de características socioeconômicas e demográficas semelhantes que não foram certificados ou não participaram da iniciativa.