Niscarlys Nabarro a caminho de um novo lar

Em seu primeiro dia no Brasil, a menina foi acolhida pelo UNICEF, passou o dia brincando e sendo criança. “Espero que todos os dias no Brasil sejam assim”.

UNICEF Brasil
Niscarlys está sentada no pula-pula. Ela olha para a câmera e sorri.
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

14 maio 2019

Em março de 2019, aos 6 anos, Niscarlys Nabarro deixou para trás casa, parentes, escola e amigos em Maturín, na Venezuela, e seguiu com a família em busca de um novo lar. "Meus pais falaram para mim: ‘filha, nós vamos para o Brasil’. Eu fiquei alegre e feliz, porque gosto deste país e aqui vou poder estudar bastante". De coração e braços abertos na chegada ao País, a menina encontrou acolhimento já nos primeiros quilômetros que percorreu em território brasileiro. Lá estava o Espaço Amigo da Criança, montado pelo UNICEF em parceria com a Visão Mundial.

Como todo migrante que chega ao País, a família de Niscarlys foi recebida no Centro de Recepção e de Triagem montado na fronteira pelo governo brasileiro. No Centro, a família pode retirar a documentação necessária para ficar no País e acessar outros serviços, como a vacinação. É nesse lugar que o UNICEF atua na recepção de meninas e meninos que chegam a Roraima, garantido a cada criança o direito de brincar e de ser protegida. O UNICEF também oferece apoio para mães com bebês em um espaço confortável para amamentação e descanso, com trocador.

Ao conhecer aquela pequena parcela de Brasil, a imaginação de Niscarlys voou, pensando sobre o que a esperava no restante do território. "Acho que as casas e as escolas são bonitas, com bastante cores. Amarelo, vermelho, verde, azul. Os animais são bons e as pessoas adotam eles e brincam com o coelho, a zebra, o cachorro, as girafas pequenininhas, com o hipopótamo e os pássaros. Existem elefantes no Brasil? Queria um dia andar em um elefante... ou em um cavalo".

O entusiasmo de Niscarlys é contagiante, mas o caminho percorrido até ali não foi fácil. A garota saiu da Venezuela com o pai, José Moya, a mãe, Nisbelys Nabarro, e o irmão, Gael Jeremias, de 8 meses, porque o salário do pai como soldador não era suficiente para alimentar os filhos e manter a menina na escola.

Eles viajaram 785 quilômetros da cidade de Maturín, no Estado de Monagas, Venezuela, até o Estado de Roraima, no Brasil, e se depararam com a fronteira fechada. A família foi barrada por militares venezuelanos ao tentar cruzar de um país para o outro e, diante do obstáculo, teve que pagar motociclistas para atravessar por rotas alternativas em uma região de mata.

Com a mudança, José espera encontrar trabalho. O destino inicial da família é a casa de um amigo que mora em Boa Vista (RR).

Conversamos com Niscarlys no primeiro dia dela no Brasil. Enquanto os pais esperavam nas filas para tirar a documentação necessária, ela passou o dia brincando com outras crianças no Espaço Amigo da Criança. O que ela encontrou, ainda nos primeiros quilômetros que conheceu do Brasil, foi suficiente para ter um olhar ainda mais esperançoso para o futuro.

"Não conheço muita coisa sobre este lugar porque acabei de chegar, mas hoje brinquei no balanço, no pula-pula, de massinha, pintei e também fiz amigos. Espero que todos os dias no Brasil sejam assim".

Niscarlys Nabarro

Para cada criança
O UNICEF e seus parceiros atuam em Roraima com programas que asseguram os direitos de crianças e adolescentes. Os Espaços Amigos da Criança são uma das principais metodologias utilizadas pelo UNICEF em emergência para garantir isso. Além de focar no direito de brincar, fundamental a todos os meninos e meninas, os monitores que atuam no local são capacitados para prestar apoio psicossocial e detectar casos de violência verbal, física e sexual e encaminhá-los para a rede de proteção à criança. Até maio de 2019, mais de 10,6 mil crianças já passaram pelos espaços.

O programa de proteção realizado pelo UNICEF em Roraima é possível graças ao trabalho de seus parceiros e ao financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do governo dos Estados Unidos (BPRM/USA) e do Fundo Central de Resposta a Emergência das Nações Unidas (Cerf).

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações de emergência no Brasil e no mundo.
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