“Minha missão de vida é ajudar as pessoas”

Moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro, a adolescente Thayane Freitas participa do projeto Geração que Move e encarou com coragem o desafio de se comunicar com outros jovens

UNICEF Brasil
adolescente olha sorridente para a câmera
Arquivo pessoal
28 outubro 2020

“O mundo é grande demais para ideias geniais serem mantidas dentro de caixas pensantes”, frase que Thayane Freitas, 17 anos, ouviu de uma amiga e provocou sua reflexão sobre a necessidade de os jovens vencerem o medo de se expressar. Participante do projeto Geração que Move, Thayane tem encarado a vergonha de produzir conteúdos. Ela reconhece a importância de difundir informações de qualidade e promover diálogos de jovem para jovem, principalmente neste momento de pandemia do coronavírus.

Ela entende que parte de sua responsabilidade no Geração que Move é “fazer com que as pessoas enxerguem que precisam se cuidar”, daí a relevância de deixar o medo e as dificuldade de expressão de lado e lançar-se a uma comunicação efetiva. Realizado pelo UNICEF em parceira com Fundação Abertis e Arteris e parceria técnica da Agência Redes para Juventude no Rio de Janeiro, o projeto conta com 20 lideranças jovens, que estão mobilizando outros 70 jovens em favelas da Zona Norte e Zona Oeste da capital fluminense.

Nascida e criada na comunidade de Palmeirinha, no bairro de Guadalupe, Thayane se apaixonou pela atuação social aos 13 anos. Após ver um amigo caindo na criminalidade, juntou-se a outros amigos para desenvolver um projeto que abrisse novas oportunidades para crianças e adolescentes. Assim nasceu o projeto Eu Vivo Favela, em curso até hoje.

“A gente tenta trazer cultura pra comunidade pra mostrar outras referências para as crianças, mostrar que existem formas diferentes de viver”, orgulha-se Thayane. A partir desse projeto, foi conhecendo outras lideranças e iniciativas, e assim chegou ao Geração que Move. “A minha missão de vida é ajudar as pessoas”, afirma a jovem sem hesitar.

Thayane concluiu o ensino médio no ano passado e atualmente prepara-se, por conta própria, para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A internet em casa nem sempre funciona bem, limitando seus estudos aos momentos possíveis de conexão. A jovem cursou o ensino médio em um colégio estadual em outra comunidade, onde também participou de iniciativas sociais e artísticas. Optou por uma escola mais distante de seu território pela necessidade de chegar em casa antes de escurecer.

“O principal desafio aqui é a violência”, lamenta e questiona até que ponto os riscos são maiores pelo fato de ser mulher. O cenário de violências dificulta a mobilidade dentro da comunidade, limitando Thayane e seus amigos a se encontrarem no espaço residencial. De toda forma, a oferta cultural na região restringe-se ao baile funk – e ao projeto levado a cabo por Thayane.

Apesar das dificuldades, a jovem conta que já se adaptou a seu território e gosta de morar numa região onde sabe transitar e é conhecida por todos.

Além do mais, o acesso ao transporte público é facilitado, pois fica perto de pontos de grande circulação. Antes da pandemia, eram frequentes os momentos de lazer em locais como o Shopping Guadalupe, o Parque de Madureira, a Praia de Ipanema ou alguns museus do Centro da cidade. Desde a quarentena, entretanto, as atividades de Thayane concentram-se em casa.

A convivência com a mãe, a irmã e o cunhado se intensificou, aproximando a família positivamente, destaca ela. “Apesar de estar doida pra sair, até que me adaptei fácil, me aproximei da minha família, e acabei trabalhando com a questão dos projetos sociais por meio de reuniões online e estudando em casa mesmo”, conta.

Com a necessidade de prevenir-se do contágio, suas atividades no Geração que Move têm se concentrado na produção de conteúdos digitais e na organização da logística para a distribuição de kits de higiene, limpeza e cestas básicas e livros para famílias mais vulneráveis no seu território. Ela acredita que, na ausência do poder público, “estamos fazendo o nosso papel, dando o básico, informação e comida”.

“Ainda mais agora, com a pandemia, nós jovens precisamos ser agentes transformadores”, conclui Thayane.