ACREDITE! VOCÊ TEM O PODER DA MUDANÇA.
Click to close the emergency alert banner.

Microfones abertos para o futuro

Adolescentes desenvolvem habilidades STEAM na criação de podcasts

UNICEF
27 outubro 2025

Ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática (STEAM) ganharam contornos de som e voz na Escola Estadual Colombo de Almeida, na Zona Norte de São Paulo. Dentro do componente curricular itinerário formativo de Arte e Mídias Digitais, os estudantes transformaram suas paixões em projetos de podcast, unindo criatividade, pensamento crítico, colaboração e protagonismo juvenil em uma experiência prática apoiada pelo UNICEF e parceiros.

Para Bruno Barbosa de Moraes, de 18 anos, a experiência foi como entrar em campo com um novo time: o da comunicação. Apaixonado por futebol, ele criou o personagem “Canhotinha de Ouro”, um ex-jogador lesionado que reflete sobre sua trajetória. Ao lado dos colegas Daniel, Ygor, Thiago e Anderson, Bruno produziu um episódio divertido em que simularam uma bancada de entrevista sobre o esporte.

“A gente acha que fazer podcast é só falar. Mas tem roteiro, planejamento, edição... E gravar sem rir era o maior desafio!”, conta Bruno, bem-humorado. O processo envolveu conceitos da engenharia para elaborar os roteiros, aprendizagem de tecnologia para lidar com os softwares de edição de áudio, organização lógica e sensibilidade artística — competências essenciais no universo STEAM.

jovem vestindo boné, óculos e casaco posa para foto
UNICEF/BRZ/Arthur Bueno de Amorim Bruno Barbosa de Moraes, de 18 anos.

O processo envolveu mais do que contar uma história: exigiu organização lógica, domínio técnico e sensibilidade artística. “Aprendi sobre narrativa, voz, postura e até a observar como me comunico. Isso está me ajudando no estágio que faço e nas minhas futuras entrevistas profissionais também”, diz ele, que sonha cursar Logística para dar melhores condições à mãe e à avó — duas grandes referências de força em sua vida.

O que parecia apenas uma atividade de comunicação se revelou um laboratório vivo de aprendizagem integrada: entre ciência e arte, tecnologia e empatia, os estudantes ampliaram sua visão sobre o papel do conhecimento e da comunicação na vida cotidiana.

Criatividade com propósito

Maria Luísa Durval da Silva, também de 18 anos, mergulhou na sua paixão por casos criminais para criar um episódio investigativo ao lado da colega Rihanna Rodrigues. O desafio não foi pequeno: precisaram se aprofundar nas pesquisas, dividir tarefas, lidar com vocabulário técnico e palavras em inglês, além de pensar na sonoplastia que tornaria o episódio envolvente.

“Melhorei muito a minha leitura e concentração. A gente aprende mais quando fala sobre o que gosta”, diz Maria Luísa, que sonha ser perita criminal.

Já Rihanna, fã de romances e ficção, enfrentou outra barreira: a timidez. “Falar para o público era um desafio. Mas criar o podcast me fez perder o medo. Foi diferente de tudo que já fizemos na escola - bem mais prático, dinâmico e criativo.”

professora e duas alunas posam para foto
UNICEF/BRZ/Arthur Bueno de Amorim Rihanna (E), a professora Shellen e Maria Luísa (D).

Professoras também aprendem

Para a professora Shellen Cabral, responsável pelo componente curricular, o projeto também foi uma jornada de aprendizado e reinvenção. “Eu nunca tinha trabalhado com produção de podcast. Então fui aprendendo junto com os alunos, pesquisando ferramentas, estudando narrativa e linguagem oral.”

Segundo ela, o maior ganho foi ver os estudantes assumindo o protagonismo: eles lideraram todo o processo, da pesquisa à apresentação final. “Muitos começaram tímidos, com medo de errar, mas foram se soltando ao longo do caminho. Deixei os temas livres justamente para que cada grupo explorasse o que faz sentido para eles. Ficamos muito felizes com o resultado.”

Sugiro substituir por componente curricular. (o termo componente curricular é mais abrangente e inclui todas as partes do currículo (disciplinas, atividades, estágios, projetos e experiências diversas) 

mulher posa para foto
UNICEF/BRZ/Arthur Bueno de Amorim Professora Shellen Cabral.

A proposta segue a lógica da Aprendizagem Baseada em Projetos, central na abordagem STEAM, que conecta diferentes áreas do conhecimento à resolução criativa de problemas reais. Ao gravarem seus podcasts, os estudantes desenvolveram não apenas habilidades técnicas, mas também habilidades de colaboração, pensamento crítico, empatia e autonomia, que juntas contribuem para o desenvolvimento de competências fundamentais para o século XXI.

STEAM na Educação de São Paulo

Em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP), o UNICEF, por meio da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), apoia a implementação da abordagem STEAM nas escolas estaduais. As ações incluem a cocriação e análise de escopos-sequência de componentes curriculares, a revisão dos planejamentos de aulas, a capacitação de gestores e docentes e pela sensibilização das(os) estudantes para o desenvolvimento de habilidades profissionais. O monitoramento das ações se dá pelo acompanhamento da implementação das aulas nas escolas da rede estadual e prevê a disseminação de boas práticas e a sistematização de resultados, que visam aprimorar continuamente a incorporação da abordagem STEAM na educação.

O acompanhamento das aulas e a disseminação de boas práticas fortalecem uma rede de aprendizagem que busca aproximar a educação das demandas do mundo do trabalho e da vida em sociedade.

Para suas iniciativas de apoio a adolescentes jovens para que tenham acesso à educação de qualidade, equitativa e inclusiva no Brasil, o UNICEF conta com uma parceria estratégica global com o BMW Group e com a parceria local de NIVEA. E, em São Paulo, conta com a parceria de implementação da Sincroniza Educação.