“Já desenvolvi site e aplicativo”

Com a iniciativa Trilhas Digitais, Maria Eduarda, de 13 anos, tem se empoderado do direito de sonhar

UNICEF Brasil
Foto mostra uma adolescente olhando para a câmera e sorrindo. Ela está em um espaço aberto.
UNICEF/BRZ/Felipe Cardoso – Escola de Notícias
27 outubro 2021

Maria Eduarda dos Santos Silva, de 13 anos, mora com os pais, avós, tios, primos e dois cachorros em uma mesma casa no bairro de Paraisópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Na casa dela não há computadores, mas a família tem acesso à internet por meio de celulares. Tanto o pai quanto a mãe de Maria Eduarda têm aparelhos móveis.

Durante a pandemia, com o ensino a distância, Maria Eduarda teve muitas dificuldades. Além dos desafios de infraestrutura para estudar, a nova rotina de ensino remoto atrapalhou o aprendizado da adolescente. “A pandemia afetou demais a escola porque eles pedem muitas atividades e, como eu tenho dificuldades em algumas matérias, ficou ruim para acompanhar as aulas”, explica a aluna do oitavo ano do ensino fundamental.

Com exceção do uso do celular para tentar continuar estudando, Maria Eduarda não havia tido a oportunidade de se familiarizar com o mundo da tecnologia. Isso tem mudado com a participação dela no Trilhas Digitais, uma iniciativa do UNICEF em parceria com a British Telecom e o Instituto Tellus, que oferece formação tecnológica para jovens e adolescentes, além de incentivá-los a refletir sobre suas próprias identidades e desenvolver soluções para a comunidade local.

Foto mostra as mãos de uma adolescente nos teclados de um laptop e a tela do laptop aberta no site Alagalixos.
UNICEF/BRZ/Felipe Cardoso – Escola de Notícias

Foi assim que Maria Eduarda, junto com outros colegas, viu a oportunidade de usar suas habilidades para resolver um problema bastante frequente no verão paulista: as enchentes. Ela conta que, após um processo de pesquisa e de descoberta das vivências do grupo, eles decidiram lançar o “Alagalixos'', um projeto que tem como propósito ajudar a mitigar as enchentes no Jardim Trussardi, onde está localizado o Instituto Ana Rosa, organização que hoje impacta mais de 370 crianças e adolescentes e que apresentou o Trilhas Digitais para a menina.

A estudante explica que tem aprendido muito ao longo do desenvolvimento do projeto e das experiências didáticas tecnológicas que têm vivenciado.

“Eu nem sabia o que era Bluetooth, acredita?
Agora, já desenvolvi um site e um aplicativo de celular para o projeto Alagalixos.”

Maria Eduarda conta, ainda, que, participando do Trilhas Digitais e descobrindo como usar ferramentas que para alguns podem parecer rotineiras, conseguiu ter mais independência até para estudar sozinha. “Eu aprendi a usar o Google Drive e conheci o Word, o Excel. Coisas que são úteis até nas atividades que a escola passa”, explica.

Sobre o futuro, ela diz que, além de querer se tornar uma advogada, pretende conhecer vários países ao redor do mundo. “Quero continuar estudando, aprendendo, conhecer outras culturas e me tornar uma pessoa melhor. Tudo isso vai garantir um futuro melhor tanto para mim como para a minha família”, conclui.