“A internet é essencial para nossa vida, ainda mais na pandemia”

UNICEF e Instituto Cyrela entregaram 250 kits de conectividade para que adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade tenham acesso à internet em São Paulo e no Rio de Janeiro

UNICEF Brasil
Adolescente usando máscara segura um panfleto.
UNICEF/BRZ/Gabriel Oliveira
11 maio 2021

Inglid Rodrigues agora já não precisa mais se preocupar com a conexão à internet. A adolescente de 17 anos, moradora de Nova Sepetiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, estudava em uma escola pública, mas recebeu uma bolsa de estudos para cursar o último ano do ensino médio em uma escola particular em 2021. Mesmo com essa nova oportunidade, muitas vezes a conexão à internet em sua comunidade dificultou que pudesse assistir a todas as aulas online. “Eu tinha que dizer que estava sem internet, e esperava minha mãe chegar para usar o celular dela”, conta a adolescente. A situação ficou ainda mais difícil quando, logo no começo da pandemia, Inglid ficou sem celular.

Foi só depois de dois meses de trabalho como Jovem Aprendiz, que já desenvolve desde agosto de 2020, e com a ajuda da mãe, que a adolescente conseguiu comprar um novo aparelho. Mesmo depois de ter conseguido o celular, a dificuldade era manter a conexão constante para estudar. “Na pandemia vieram muitos problemas financeiros e tive que parar de pagar o plano de internet para dar prioridade a outras coisas. Mas coloquei um chip, assistia a 10 minutos de aula online, e acabava [a internet]”, conta.

Foto mostra diversos materiais que fazem parte do kit distribuído pelo UNICEF: celular, álcool em gel, caderno, pasta, livro, máscaras.
UNICEF/BRZ/Gabriel Oliveira

Para ajudar adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade com o acesso à internet durante a pandemia, o UNICEF, em parceria com o Instituto Cyrela, beneficiou 250 estudantes no Rio de Janeiro e em São Paulo com kits de conectividade com celular e outros com chip para recarga durante cinco meses. Os kits também são compostos por máscaras de proteção individual, álcool em gel, cadernos e folhetos informativos, e foram entregues para jovens que participam de projetos do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável – Cieds, entre eles, Jovens Aprendizes.

Foto mostra um jovem segurando um panfleto e uma caixa de celular. Ele está em pé, atrás de uma mesa, e usa máscara.
UNICEF/BRZ/Gabriel Oliveira

Pablo Oliveira, de 18 anos, recebeu o kit composto pelo celular. Ele, que atua como Jovem Aprendiz, está cursando o primeiro ano do ensino médio na escola de forma remota, e estava sem um aparelho para acessar às atividades online. O jovem seguiu estudando com um celular emprestado, mas também enfrentou dificuldade de acesso à internet. “Houve um tempo em que fiquei sem internet, mas agora estou tranquilo graças a Deus, graças ao celular”, conta. “Foi ótimo pra mim, este kit está me ajudando muito”.

Inglid também foi uma das adolescentes que recebeu o kit, e como já havia conseguido comprar seu celular, optou pelo chip de internet, com o crédito mensal para acesso. Ela tem precisado sair para trabalhar e estudar, agora que as aulas presenciais em sua escola já voltaram em semanas alternadas. Com dias corridos, o trajeto de transporte público de casa até os locais de estudo e trabalho muitas vezes demora mais de três horas. Ademais, a jovem tem se dedicado ao curso pré-vestibular, já que busca cursar a universidade de Engenharia Civil, e realiza simulados todos os sábados, além de aulas, também online.

Com tanta coisa para fazer, ela conta que fica feliz em não ter mais que se preocupar com o acesso à internet. “A internet é essencial para nossa vida, ainda mais na pandemia. Para a gente poder trabalhar, estar na escola. Só tenho que agradecer esse chip e essa internet, é uma dor de cabeça a menos”, diz, feliz. “É um alívio não ficar mais naquela de ‘será que vou perder aula porque estou sem internet, ou porque está instável’”, completa.

Apesar de feliz por agora ter tudo de que precisa para seguir desenvolvendo suas atividades com qualidade, Inglid se preocupa e chama a atenção para aqueles que ainda não têm seu acesso garantido e estão passando por dificuldades para seguir aprendendo na pandemia. “Graças a Deus, eu consegui, agora tenho computador, celular, internet. Mas e quem não tem essa oportunidade?”, questiona.