“Inclusão é o olhar atento às especificidades do ser humano”

Com o Portas Abertas para a Inclusão, inciativa do UNICEF e do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com a Fundação Barcelona, a educadora Flávia Cota conheceu novas práticas para levar à sala de aula

UNICEF Brasil
26 maio 2020

A vida de Flávia Cota mudou aos 24 anos. Ativa, praticante de ginástica olímpica e na época ainda estudante de pedagogia, ela sofreu um acidente de carro e ficou dois anos em uma cadeira de rodas. Até então, Flávia nunca tinha imaginado vivenciar os desafios da inclusão.

Esse foi um momento de mudanças para a educadora, que, lutando com não poder andar, identificou o papel da inclusão em sua vida e quis trazer isso para dentro da sua profissão. Já são 21 anos atuando no magistério, atualmente como professora do ensino fundamental, da educação de jovens e adultos e de pós-graduação no Rio de Janeiro.

Em todas as instâncias em que ensina, Flávia passou a se dedicar ativamente a isto: promover e praticar a inclusão para cada estudante. “A inclusão é o respeito à diferença, precisamos ter o olhar atento à diversidade de cada menina e menino, é um desafio saber lidar com isso. Quando penso em inclusão, penso nesse olhar atento às especificidades do ser humano”, completa a professora, emocionada. Para ela, é essencial que educadores tenham essa visão para permitir que cada estudante, independente da deficiência que tenha, participe, interaja e aprenda em sala de aula.

Buscando se especializar cada vez mais no tema, a professora encontrou um parceiro importante: o curso Portas Abertas para a Inclusão, iniciativa do UNICEF e do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com a Fundação Barcelona. O curso online tem como objetivo apoiar as redes públicas de ensino para a promoção da inclusão escolar de meninos e meninas com deficiência por meio da ressignificação da educação física e de práticas esportivas seguras.Durante o ano de 2019, Flávia concluiu o curso. “O curso é para educação física, mas ajuda a repensar práticas de qualquer área”, conta. Para ela, independente dos recursos que possua, primeiramente é necessário que o profissional se disponibilize para o trabalho com inclusão. E buscar conhecimento na área permite adquirir práticas simples que podem ser adotadas no cotidiano com os estudantes.

mulher segura arranjo de flores e sorri, olhando para a câmera
Arquivo pessoal

“Não é fácil, é desafiador, exige muito estudo e dedicação, mas temos que estar sempre buscando”

A professora também destaca os exemplos, ideias, depoimentos de estudantes e responsáveis e a reflexão sobre a legislação, o aparato legal para buscar o direito de meninos e meninas com deficiência. “Isso te encoraja e te envolve mais ainda para desenvolver um trabalho significativo”, conclui.

Agora, Flávia aproveita para utilizar materiais do curso, aplicando o que aprendeu para levar a inclusão para dentro da sala de aula, não só com os seus alunos, mas também com os profissionais de educação que ela forma.

Sobre o Portas Abertas para a Inclusão
Em meio à pandemia do coronavírus, o desafio da inclusão se amplia: milhares de meninos e meninas não tem os recursos necessários para seguir com o ensino a distância (EAD). Por isso, para Flávia, é importante que os profissionais aproveitem este momento para, mais do que nunca, estudar e entender a prática da inclusão nas escolas. “Como professores, também aproveitamos este tempo para estudar, pensar nessa representação de escola pós-pandemia, de um modo bem particular, porque estamos em um momento de refletir sobre o outro. O que estamos vivendo hoje vai ao encontro da inclusão”, diz Flávia.

O projeto Portas Abertas para a Inclusão foi desenvolvido pelo UNICEF e o Instituto Rodrigo Mendes. Em parceria com a Fundação FC Barcelona, a iniciativa busca dar um novo significado à educação física de forma que todos os alunos e alunas possam participar, proporcionando uma nova compreensão e relacionamento diante das diferenças humanas.

Em três edições semipresenciais, a formação passou por 16 municípios em 15 Estados, certificou mais de 900 cursistas e atingiu cerca de 90 mil estudantes. O curso ganhou uma versão EAD em setembro de 2018.

Saiba mais sobre o curso e inscreva-se em: https://www.portasabertasparainclusao.org/