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“Eu quero ajudar mais as pessoas. Não só na minha sociedade, mas em todo mundo”

Aos 16 anos, Migdeliz mobiliza sua comunidade com empatia e ação, mostrando que cuidar da saúde também é um ato de amor

UNICEF
uma mulher com uma camiseta do UNICEF e uma jovem se olham e sorriem
UNICEF/BRZ/Laís Muniz
02 outubro 2025

Migdeliz Ribeiro, de 16 anos, faz parte do grupo Desbravadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Boa Vista, em Roraima. Trajando o lenço amarelo e a farda que anunciam o seu clube, entrou para o projeto Guardiões da Saúde, uma iniciativa conjunta entre o UNICEF e a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), realizada em 2024 e 2025 com o objetivo de promover a saúde integral de crianças, adolescentes e famílias em comunidades vulneráveis da cidade.  

Com o objetivo de fazer a diferença no bairro Senador Hélio Campos, onde vive, um dos mais populosos da cidade e onde há uma forte presença de refugiados e migrantes, Migdeliz se comprometeu a ser uma agente de mudança. “Eu percebi que posso fazer muito mais pela minha comunidade”, destacou a adolescente. 

Com o seu clube Guerreiros da Fé, ela participou do planejamento das atividades que fortaleceram o aumento da cobertura vacinal e do bem-estar da sua comunidade. “Muita gente dizia que, na correria, não conseguia levar os filhos para vacinar. Mas aí eu respondi ‘a nossa feira vai ter vacinação, e vai acontecer no sábado. Pode levar seu filho lá’”, disse. 

Foi na Feira de Saúde que a adolescente e seus amigos organizaram na igreja do bairro, que Migdeliz viveu experiências que nunca vai esquecer.  

“Na fila para a vacina, tinha uma menininha chorando de medo. Eu fui até ela, peguei ela no colo e começamos a conversar. Disse o quanto ela era bonita, e tentei direcionar a atenção dela para outra coisa até ela se acalmar. Na hora da vacina, eu fiquei o tempo inteiro com ela e fiz essa experiência ser mais tranquila, porque é algo importante para a vida dela”, explicou Migdeliz. 

Para as feiras de saúde acontecerem, os adolescentes e a equipe de saúde da igreja, com apoio do UNICEF, articulavam diretamente com a Secretaria Municipal de Saúde, convidando técnicos de enfermagem, médicos e especialistas para somar aos serviços ofertados. Motivados, os adolescentes convidavam profissionais de diferentes áreas a se voluntariar e apoiar as ações voltadas à comunidade. O resultado: médicos, enfermeiros, nutricionistas e cabeleireiros se uniram à causa dos adolescentes e ajudaram o evento a ganhar forma. Com o fim das tarefas, os adolescentes receberam o trunfo dos Guardiões da Saúde, um emblema bordado que serviu para celebrar o título e a conquista dos adolescentes. 

Com a experiência, Migdeliz afirma que sua mente mudou. Agora, ela pensa em seguir ajudando mais pessoas. “Muita gente não tem tempo ou dinheiro para fazer uma consulta ou cortar o cabelo. Pelo menos por um dia, pudemos proporcionar isso para quem mais precisa”, disse a adolescente. “Eu pensei muito, eu quero ajudar mais as pessoas. Não só na minha sociedade, mas em todo o mundo.” 

duas jovens se abraçam em frente a um prédio da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Migdeliz-Boa Vista-Vacinação Migdeliz exibe seu trunfo do Guardiões da Saúde, ao lado da mãe, Beatriz Loiz, que diz sentir orgulho do reconhecimento dado a filha pelo engajamento nas atividades

Sobre os Guardiões da Saúde 

O Projeto Guardiões da Saúde é uma iniciativa conjunta do UNICEF em parceria com ADRA, com implementação realizada pelos Clubes de Desbravadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O projeto aconteceu entre os anos de 2024 e 2025, com o objetivo de promover a saúde integral de crianças, adolescentes e famílias em comunidades vulneráveis de Boa Vista, Roraima, por meio de ações educativas, campanhas de vacinação e acesso a serviços básicos de saúde e bem-estar. 

Em quase dois anos, o projeto mobilizou mais de 500 desbravadores e líderes comunitários, alcançando diretamente 728 pessoas com serviços como vacinação, orientação nutricional, higiene menstrual, aplicação de flúor, corte de cabelo, atendimento médico e psicológico. Além da aplicação de mais de 300 doses de vacina em bairros estratégicos com alta presença de refugiados e migrantes, como Tancredo Neves, João de Barro e Santa Teresa. 

A metodologia participativa dos Desbravadores, que coloca os jovens como protagonistas das ações, foi essencial para o sucesso do projeto. A estrutura organizacional dos clubes, aliada ao sistema de reconhecimento por meio dos “trunfos”, garantiu engajamento contínuo e impacto social duradouro. Além das feiras de saúde, o projeto investiu em capacitação dos jovens como multiplicadores locais, fortalecendo sua atuação autônoma nas comunidades. A comunicação direta com os líderes dos clubes e o uso de estratégias de divulgação como WhatsApp, carro de som e materiais educativos foram fundamentais para ampliar o alcance das ações.