“Eu não tinha máscara nem para pegar a doação”

UNICEF, Omega, BNDES e parceiros distribuem 4,2 mil kits de limpeza, higiene e cestas básicas a milhares de famílias nas periferias de São Paulo e no Rio de Janeiro, onde prevenir-se contra a Covid-19 é um desafio redobrado

UNICEF Brasil
mãe segurando filha no colo. as duas olham para a câmera
Arquivo pessoal
17 junho 2020

Em áreas periféricas e populosas nas grandes cidades, o desafio dos moradores para fazer valer seus direitos básicos cresce na pandemia do novo coronavírus. É o caso de Lúcia Tita Duarte, moradora da Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. “O problema aqui é financeiro. É um bairro muito carente. Para encontrar serviços sociais, é difícil. A gente só conseguiu ter algum auxílio por meio da creche da minha bebê”, conta.

O “auxílio” ao qual Lúcia se refere é um kit de higiene e limpeza e uma cesta básica que ela recebeu no Centro de Educação Infantil (CEI) perto de sua casa. Em São Paulo, foram 2.100 kits doados pelo UNICEF em parceria com a Omega Energia, por meio do BNDES, e distribuídos com o apoio da Rede Ibab Solidária. Os produtos chegaram também ao Rio de Janeiro, onde estão sendo entregues pelo UNICEF com apoio da Ação da Cidadania. No total, foram 4,2 mil kits de limpeza e higiene com álcool em gel, sabonete, sabão em barra, detergente e outros itens, que, estima-se, vão beneficiar 16.800 pessoas.

“Veio até máscara! Eu não tinha nenhuma. Para ir buscar a doação, precisei pegar uma descartável com minha irmã. Foi um kit muito bom! A máscara é de pano, a gente pode lavar e dura mais.”

Lúcia Tita Duarte, Cidade Tiradentes

Lúcia é mãe de cinco filhos, sendo dois adolescentes e três crianças pequenas. Com a pandemia, o salão no qual trabalhava como cabelereira fechou e ela ficou sem renda. O esposo teve redução de salário e os suprimentos não têm sido suficientes. Para Lúcia, as doações foram um alívio e chegaram no momento certo: “Tá todo mundo dentro de casa, daí imagina o tanto que gasta. Quando a diretora ligou e falou para buscar o kit, fiquei super feliz”.

“As doações chegaram aonde tinham que chegar. As creches conveniadas são equipamentos próximos das famílias. Essa ação foi uma forma de inclusão dessas famílias. Eles não estão mais invisíveis”, diz Cristina Sales, coordenadora de projetos sociais do Instituto Ação e Proteção, parte da Rede Ibab Solidária.

A coordenadora celebrou também o trabalho dos voluntários que participaram da ação, que contou com funcionários das creches e de unidades básicas de saúde (UBS), além de conselheiros tutelares e moradores. “Foram 25 voluntários formando uma rede de solidariedade incrível”, comemora.