Despertar para a força jovem de sua comunidade

A adolescente Kaylane Bernardo, participante do projeto Geração que Move, está descobrindo novos aprendizados e potenciais da juventude na sua comunidade, na Zona Norte do Rio de Janeiro

UNICEF Brasil
rosto de adolescente usando óculos escuros e flor no cabelo
Arquivo pessoal
03 novembro 2020

“Gosto bastante de estudar. O estudo pode levar a gente até o que a gente espera”, reflete Kaylane Bernardo, 16 anos, cujo projeto de vida é graduar-se em Engenharia Química e atuar como perita criminal, “uma profissão inteligente, que analisa bem as coisas”. Nascida e criada no bairro de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Kaylane mora com a mãe e o irmão na comunidade João XXIII. Aluna do último ano do ensino médio, no Colégio Estadual Erich Walter Heime, Kaylane ressalta os estudos como valor fundamental e fala longamente sobre a importância da sua escola na sua formação. Com a chegada da pandemia e as aulas presenciais suspensas, a adolescente está sentindo o desafio de conciliar os estudos a distância com a necessidade de manter-se informada acerca da pandemia e de preparar-se para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Inaugurado em 2011 por meio de parceria público-privada, a escola de Kaylane é, segundo ela, o principal polo de educação e cultura de Santa Cruz. A escola proporciona muita coisa, “mas não temos muitas outras oportunidades no território”, afirma e enfatiza a sorte de ter sido selecionada. Ela lembra em especial das atividades extracurriculares, como a participação em projetos socioambientais e das poucas, mas marcante, visitas a instituições culturais no Centro da cidade.

“Santa Cruz é o último bairro do Rio, última estação do trem, então a gente vai raramente a outros lugares da cidade pelo tempo e custo de transporte”, conta a jovem.

Com a pandemia, alguns desafios aumentaram ou se multiplicaram. Kaylane percebe a necessidade de campanhas de conscientização da população – não apenas em relação à Covid-19, mas a outros assuntos de saúde e cidadania.

Ela acredita que o projeto Geração que Move, do qual está participando, já pode contribuir para essa conscientização. Realizado pelo UNICEF em parceira com a Fundação Abertis e Arteris e parceria técnica da Agência Redes para Juventude no Rio de Janeiro, o projeto conta com 20 lideranças jovens, que estão mobilizando outros 70 jovens em favelas da Zona Norte e Zona Oeste da capital fluminense.

Com surpresa, Kaylane percebeu que, em poucas semanas, o grupo de jovens que mobilizou em sua região começou a desenvolver visão crítica acerca de temas urgentes. “Mudou meu olhar sobre outros jovens”, diz Kaylane, ressaltando o encontro que fizeram sobre trabalho, renda e estudo. Além da possibilidade de acesso a novos aprendizados, ela conta que a distribuição de kits de higiene e cestas básicas que os jovens do projeto fizeram aos moradores mais vulneráveis foi algo “muito gratificante”, principalmente pela doação incluir também livros. “A gente não vê aqui as pessoas serem estimuladas à leitura, ao conhecimento, então juntar comida, higiene e educação foi realmente ótimo”.

Ela não economiza palavras para falar da importância de fortalecer a voz dos jovens e adolescentes das favelas e periferias “O Geramove dá a oportunidade de o jovem falar sobre suas dificuldades, resgata o poder que o jovem tem”. Ela já havia participado de projetos sociais, pontualmente, na sua igreja. Mas se entusiasma com a nova experiência: “Estou aprendendo coisas de que eu não tinha ideia. Se cada jovem entendesse o que ele pode transformar morando aqui, a gente conseguiria mudar o cenário da comunidade”.