Dayse e sua luta para superar a desnutrição aos 6 anos de idade

Com apenas 6 anos, Dayse enfrentou dificuldades que não deveriam fazer parte da vida de nenhuma criança: teve de deixar o país natal, a Venezuela, e, no Brasil, vencer a desnutrição severa

UNICEF Brasil
uma menina está em um espaço com redes. ela está encostada em uma rede, sorrindo
UNICEF/BRZ/Daniel Tancredi
04 março 2021

Quem hoje vê a energia que Dayse esbanja, sempre com um sorriso no rosto correndo ao redor dos amigos, não imagina os percalços que a menina já enfrentou nos seus apenas seis anos de vida. Dayse, de etnia indígena warao, faz parte do fluxo de mais de 5 milhões de pessoas que deixaram a Venezuela por causa da crise econômica e social em seu país. Além da longa jornada até chegar ao Brasil, Dayse ainda teve de enfrentar outra doença que ameaça o futuro de crianças e adolescentes: a desnutrição.

Em 2018, a menina, junto com a família – o pai, a mãe e duas irmãs –, cruzou a fronteira com o Brasil. Chegaram de ônibus a Pacaraima (RR), onde ficaram por três meses antes de seguir para a capital do estado, Boa Vista, onde hoje vivem no abrigo Pintolândia. Esse abrigo é um dos espaços que recebem refugiados e migrantes mantidos pela Operação Acolhida, a resposta oficial do Governo Brasileiro e parceiros para a crise humanitária.

Quando a menina chegou ao abrigo indígena – ela e a família pertencem à etnia warao, uma das maiores comunidades da Venezuela –, sua baixa estatura e magreza denunciavam um caso de desnutrição aguda severa.  

um mulher está agachada do lado de uma criança
Adra Brasil
A enfermeira Juciane Cruz e Dayse, em imagem do início do tratamento, em 2019.

“Saímos do nosso país e viemos para o Brasil por uma necessidade de sobrevivência. Lá já não se podia mais comprar remédio, roupa e, principalmente, comida. Não havia mais nada para nós”, relembra, com tristeza, Aracelis Sembrant, mãe de Dayse.

O processo de migração para o Brasil agravou o quadro de desnutrição de Dayse, o que acendeu o alerta da equipe do UNICEF.

“O tempo é algo muito importante na questão da desnutrição. Quanto mais rápido a gente começar as intervenções com a criança, mais chances ela tem de superar e reverter o seu quadro”, afirma Daiana Pena, oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF em Roraima.

O time de monitores de saúde e nutrição do UNICEF, em parceria com a Adra Brasil, deu início ao processo de tratamento da menina. “Ela tinha dificuldade de ganhar peso e um dos principais desafios que a gente encontrou era de ganhar sua confiança”, aponta Pâmela Mar, nutricionista da Adra Brasil.

Recuperação

Com o passar dos dias, Dayse foi se acostumando com as monitoras do abrigo e pouco a pouco, com atividades e brincadeiras, o acompanhamento regular e próximo nas refeições permitiu o estabelecimento de uma relação de confiança. Dayse começou a se familiarizar e a gostar dessa rotina de cuidados.

Sachês do programa NutriSUS – estratégia de fortificação da alimentação infantil com micronutrientes em pó – foram adicionados às refeições de Dayse para suplementar vitaminais e minerais importantes para o seu desenvolvimento. Além disso, ela começou a receber refeições com base em um plano de recuperação nutricional para sair do quadro de desnutrição.

Crianças como Dayse não são raras no processo de deslocamento venezuelano, em que as pessoas atravessam a fronteira em situação de alta vulnerabilidade. Em 2020, o UNICEF realizou 16.293 atendimentos nutricionais nos abrigos para refugiados e migrantes da Venezuela em Roraima, tendo identificado e tratado 186 crianças com até 5 anos com desnutrição.  

uma mulher está cozinhando com um panelão enorme. ela usa máscara, luva e touca no cabelo.
UNICEF/BRZ/Daniel Tancredi
O UNICEF, por meio de parceria com a Adra Brasil, oferece refeições para crianças e adolescentes com desnutrição.

Após meses de tratamento, Dayse conseguiu reverter o seu quadro de desnutrição. Hoje em dia, com peso e estatura ideais para a idade, ela continua recebendo um acompanhamento e monitoramento próximo das equipes de saúde e nutrição do UNICEF nos abrigos. Agora com disposição e saúde para correr atrás das outras crianças, jogar bola e se divertir.

UNICEF Brasil

Agradecimento aos doadores – O trabalho do UNICEF na resposta humanitária na área de nutrição é possível por meio do apoio do Escritório para População, Refugiados e Migração (PRM, na sigla em inglês) do Governo dos Estados Unidos da América, e do Fundo Central da ONU de Resposta de Emergência (Cerf, também na sigla em inglês).