"Como em toda emergência, crianças são quem mais sofre"

Lídia Tamy Carvalho trabalha há sete anos no UNICEF no Brasil. Ela visitou algumas localidades de Moçambique depois da passagem dos ciclones de 2019 para conhecer nossa resposta e compartilhou conosco momentos marcantes dessa viagem

UNICEF Brasil
várias crianças estão em volta de uma mulher vestida com a camiseta do UNICEF. a menina que está abraçada com ela usa um boné do UNICEF
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

19 fevereiro 2020

"Fui a Moçambique em setembro de 2019, seis meses após o desastre. Até hoje não consigo descrever o que vivi ali. Alegria, tristeza, esperança, angústia... Foram dias nos quais pude conhecer as histórias de pessoas que estão tentando voltar à normalidade, graças ao trabalho incansável do UNICEF e seus parceiros. Pessoas que, mesmo em meio a um campo árido de reassentamento, não perdem a alegria e a esperança de uma vida melhor.

Como em toda emergência, crianças são quem mais sofre. Vidas foram interrompidas! Mais de 1 milhão de crianças necessitavam de assistência humanitária após a passagem dos ciclones. Cerca de 305 mil ficaram sem aulas por conta das inundações. Sem falar do acesso a água e alimentos, que já era precário antes do desastre e, após, se tornou inexistente.

mulher com camiseta e boné do UNICEF carrega um menino no colo. Eles estão em um descampado, em meio a várias barracas e várias crianças estão em volta.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Um dos momentos que mais me marcou foi quando cheguei a um dos espaços amigáveis para crianças do UNICEF. Lá encontrei o Alberto, de 3 anos, muito tristonho. Saímos um pouco da tenda para brincar e, como ele estava muito sonolento, eu o peguei no colo.

O sol estava forte e eu tentava encontrar alguma forma de proteger o pequeno Alberto. Não imaginava que a sombra do meu boné era do que ele estava precisando. Caminhei um pouco e ele logo dormiu. Quando percebi, eu queria congelar aquele momento.

mulher com camiseta e boné do UNICEF carrega um menino no colo. Ele está dormindo.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

O Alberto representava os milhares de crianças que, com o meu trabalho, quero ajudar a proteger e cuidar. Até hoje penso nele e em todas as crianças e famílias que conheci em Moçambique. E não há uma vez sequer que não dê um nó na garganta. Criança é criança em qualquer lugar do mundo! E, para cada uma delas, eu não vou parar nunca!"


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