Com informação, HIV virou sentença de vida para Taiane

Três anos depois do resultado positivo para HIV, jovem baiana é voluntária em um grupo de apoio e compartilha sua experiência para que o diagnóstico não seja um limitador na vida de outros jovens

UNICEF Brasil
Foto mostra uma jovem apoiada em um peitoril. Ela olha para a câmera sorrindo. Ao fundo, está a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional em Brasília.
UNICEF/BRZ/César Tadeu
30 novembro 2021

Ter informação e acesso a um acompanhamento adequado transformou o que poderia ser uma sentença de morte em vida para a baiana Taiane Silva, de 29 anos. Vivendo com HIV, a jovem participa do Viva Melhor Sabendo Jovem, iniciativa do UNICEF em Salvador e outras capitais. Quando recebeu o resultado positivo de seu teste para HIV/aids, Taiane contou com o benefício de ter uma base prévia de conhecimento. Mesmo sem se sentir acolhida ou ter sido bem orientada no local onde fez o exame, ela pôde permanecer tranquila e seguir em busca de assistência. Com o apoio de serviços especializados, a jovem tem aprendido a conviver com a sorologia e já tem planos de formar uma família. Ela também atua como voluntária em um grupo de apoio com o objetivo de compartilhar sua experiência e evitar que o diagnóstico positivo de HIV seja um limitador para outros adolescentes e jovens.

Taiane fez o teste, há três anos, depois que seu então parceiro foi diagnosticado. Como enfermeira, ela sabia que era importante buscar a informação e, caso positivo, o tratamento o mais rápido possível. “Eu não chorei. Não cheguei a me desesperar, nem nada. Eu já tinha essa base de informação. O que fiz foi buscar ajuda, assistência, ver onde eu podia me encaixar melhor”, conta, lembrando que algumas pessoas podem até “perder o chão” quando recebem o diagnóstico. E reconhecendo também a vantagem de contar com o apoio de familiares, amigos e da igreja.

“O resultado positivo não é uma sentença de morte, é um começo. Mas nem todos podem ver dessa forma. Eu falo que o HIV trouxe uma sentença de vida para mim. Eu comecei a dilatar a pupila para a minha vida. Isso desenvolveu um olhar pra mim com mais cuidado e com mais amor”, explica. O acesso a informação e tratamento adequados seguiu sendo um diferencial na trajetória de Taiane que, a partir do acesso à informação, mudou também sua medicação para uma opção mais adequada ao seu perfil e também pôde compartilhar as informações com o atual companheiro. “Sou jovem, fértil. Não poderia tomar algo que me fizesse mal. Então, é importante conhecer a medicação também”, ressalta.

Taiane conta que está com o atual companheiro há um ano e meio e, desde o início, foi transparente com ele. “Ele é (HIV) negativo, mas expliquei tudo e ele me acompanha em tudo. Tirou dúvidas com especialistas e estamos noivos. Pretendemos ter filhos”, destaca, com otimismo, lembrando também que nem sempre foi fácil. “O HIV já me mostrou a face do monstro que pode ser, da adesão, dos efeitos da medicação. Mas agora está me mostrando a outra face, a da sentença de vida. É uma doença que não tem cura e preciso viver com ela”, disse, agradecendo o apoio de especialistas que encontrou no serviço de atendimento especializado Marymar Novais, em Salvador, onde também é voluntária.

Foto mostra uma jovem segurando um microfone e falando. Ela usa óculos e máscara.
UNICEF/BRZ/César Tadeu

Sempre que tem a oportunidade, Taiane recomenda a outras pessoas que tentem conhecer o que é a infecção, saber onde encontrar ajuda, quais são os direitos e deveres. “Eu gostaria que todos procurassem conhecer sobre a doença, os estigmas, o contágio. É preciso encontrar sua voz e vez”, reforça. Sua participação no grupo de apoio a levou até o encontro de jovens que fazem parte da iniciativa Viva Melhor Sabendo Jovem (VMSJ), promovido pelo UNICEF, em Brasília, nos dias 23 e 24 de novembro de 2021. No encontro, os participantes puderam trocar ideias e elaborar um plano de ação para os próximos dois anos que busca garantir o acesso à informação, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado.

“O grupo mudou demais a minha vida. Comunicar é a base de tudo e conhecer outros jovens com HIV fez minha vida avançar”, disse. Em Salvador, o VMSJ conta com a parceria técnica do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (Gapa BA) e está programando levar informação de forma mais atrativa aos adolescentes e jovens nas ruas e escolas. “Às vezes, os jovens são muito criticados por não quererem saber de nada. Mas não é assim, existem jovens maduros, que querem ter vez e voz”, defende Taiane.

Sobre o Viva Melhor Sabendo Jovem
Para contribuir para acelerar a resposta à epidemia de HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil, o UNICEF criou o Viva Melhor Sabendo Jovem. Trata-se de uma estratégia em saúde para ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, a retenção ao tratamento dos jovens soropositivos e o acesso às informações sobre prevenção.

A iniciativa começou em 2013, em Fortaleza (CE), com o projeto-piloto “Fique Sabendo Jovem”. O projeto tinha como público principal adolescentes e jovens entre 15 a 24 anos, especialmente aqueles em maior vulnerabilidade. A implementação se deu em parceria com o Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, organizações não governamentais, como a RNP-CE, e redes de adolescentes e jovens. Após dois anos, a iniciativa seguiu para Porto Alegre (RS) e, posteriormente, foi implementada – já com o nome de Viva Melhor Sabendo Jovem – nas cidades de Salvador (BA), Belém (PA), Manaus (AM), Recife (PE), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES).