“É preciso autocuidado e autoconfiança para conseguir um trabalho”

Participante do projeto Chama na Solução no Rio de Janeiro, Isabelle Braga criou com outros jovens uma iniciativa para valorizar a saúde mental e a autoestima do jovem das periferias e facilitar seu acesso ao mundo do trabalho

UNICEF Brasil
jovem faz apresentação, ela está de frente para a câmera, mas não está olhando para ela
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé
18 junho 2020

Moradora do Santo Cristo, um bairro histórico da região central do Rio de Janeiro, a adolescente Isabelle Braga tem 16 anos e está cursando o segundo ano do ensino médio. Em 2019, inscreveu-se para o projeto Chama na Solução Rio de Janeiro, promovido pelo UNICEF em parceria técnica com o Cedaps. E junto com outros jovens criou a iniciativa De Dentro Para Fora.

Diante do desafio de criar soluções simples para abrir as portas do mundo do trabalho a jovens e adolescentes das periferias, o grupo de Isabelle decidiu focar no aspecto socioemocional da juventude. Com a cabeça cheia de ideias, perspectivas e dúvidas, a conclusão foi que estar seguro é o primeiro passo para um jovem conseguir aproveitar melhor as oportunidades.

“O maior desafio que identificamos foi o autocuidado e a autoconfiança. Se o jovem não tem confiança nele mesmo e não tem sua saúde mental valorizada, como ele vai conseguir um emprego?”, questiona Isabelle. O grupo decidiu então enfocar a valorização da saúde mental.

“Não adianta apenas a tal força de vontade, é preciso autoconfiança e preparo.”

Isabelle Braga, 16 anos, Rio de Janeiro

Para a adolescente, foi muito importante o processo criativo usado nos encontros do Chama na Solução Rio para estimular a troca e o diálogo entre os adolescentes. “Houve bastante interação de todo mundo. Foi um processo bastante intenso e estávamos sempre ali um acrescentando ao outro para poder criar. Foi muito importante cada um dando tudo de si para criar algo 100% nosso, mas também de todos”, conclui.

um grupo de jovens está em uma sala olhando para um celular
UNICEF/BRZ/Fábio Caffé

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus ao Brasil, o grupo precisou adaptar a ideia original. A questão presencial era muito importante para nós, mas tivemos que nos readaptar. O que também foi um grande aprendizado”.

O grupo teve que reorganizar suas ações para as plataformas digitais e utilizar as redes sociais como um meio de informação, por meio de enquetes nos Stories do Instagram (@de.dentroprafora19), e de um formulário via WhatsApp com 30 jovens e adolescentes do Morro dos Prazeres, do Morro da Formiga e do Morro da Providência, todos no Centro do Rio de Janeiro, área de atuação do projeto.

O objetivo é entender quais são as necessidades específicas que eles estão enfrentando durante a pandemia. A partir das respostas, o grupo pretende elaborar uma nova etapa de ação.