Arthur está na escola: uma história de sucesso na inclusão escolar

Encontrado pelo projeto Rios de Inclusão, em Belém (PA), o menino hoje, com 6 anos, está na escola, aprendendo, correndo pelos corredores e alegrando a todos

UNICEF Brasil
Arthur parado em frente à escola
UNICEF/BRZ/João Laet
31 agosto 2016

Já fazia algum tempo que Ana Claudia dos Santos Vinagre tentava, sem sucesso, matricular o filho Arthur em alguma escola pública de Mosqueiro, distrito de Belém (PA) onde moram. O menino, na época com 5 anos, nunca tinha ido à escola. Arthur teve complicações ao nascer e a previsão dos médicos era de que ele não conseguiria andar. Contrariando o diagnóstico, mesmo com algumas dificuldades motoras, ele já caminha e até corre sozinho. A procura por vagas, no entanto, terminava sempre com respostas negativas: não há lugar, não temos como atendê-lo.

Foi quando, em novembro de 2015, a família recebeu uma visita inesperada: um ônibus do projeto Rios de Inclusão – iniciativa do UNICEF, em parceria com o Governo do Estado do Pará, a Prefeitura de Belém, e a Fundação de Desenvolvimento da Amazônia (Fidesa) – parou na porta da casa dela. Os coordenadores da iniciativa conversaram com Ana Claudia e convidaram-na para participar de uma mobilização que estava ocorrendo numa escola próxima, voltada à inclusão de crianças e adolescentes com deficiência na escola.

A mãe de Arthur arruma o menino para a escola
UNICEF/BRZ/João Laet

Ana Claudia aceitou o convite e partiu, com Arthur, para o evento. "Chegando lá, fizeram uma entrevista com a gente, perguntaram sobre a vida do Arthur e a nossa busca por vagas na escola. Explicamos tudinho. Fizeram uma ficha, nos passaram as orientações e disseram que buscariam uma solução", conta a mãe. O sonho de Ana Claudia era matricular o menino na EMEI Professora Maria Madalena Travassos, onde a filha mais velha havia estudado. "Já conhecíamos a escola e eu sabia como era o trabalho dos professores", explica ela.

A equipe do projeto entrou em contato com a escola para saber o que poderia ser feito. "A gente já conhecia o Arthur e sabíamos do interesse da família, mas não havia vagas", conta a coordenadora pedagógica Maiara Ferreira de Almeida. "Com a documentação dele em mãos e o apoio do Rios de Inclusão, conseguimos entrar em contato com a Secretaria Municipal de Educação para pedir autorização para fazer a matrícula". O processo demorou um pouco, mas a autorização saiu. Tudo resolvido, Arthur começou as aulas em fevereiro deste ano, no Jardim 2, junto com as demais crianças de sua idade.

Arthur entra na escola
UNICEF/BRZ/João Laet

Uma adaptação fácil e divertida
Superado o desafio da vaga, era necessário garantir as condições necessárias para que Arthur permanecesse na escola e pudesse aprender. "Foi difícil para a gente se acostumar com ele longe de casa", conta Ana Claudia. A EMEI funciona em tempo integral e o menino passaria a ficar o dia todo na escola. "Fiquei preocupada em como ele passaria o dia, como se comportaria. Pensava também como seria o cuidado e a troca de fraldas, que ele ainda usa", diz a mãe. As preocupações foram sendo sanadas à medida que a escola dava início ao processo de inclusão.

Ao lado de Ana Claudia estava a professora Amanda de Cássia Silva Ferreira. Ela também tinha o seu desafio: como cuidar bem da turma e atender duas crianças com necessidades educacionais especiais – além de Arthur, há outra aluna que precisa de cuidados especiais na classe. "Quando fiquei sabendo, tomei um susto muito grande. Conversei com as coordenadoras e fui estudar para saber o que fazer", conta ela. Quando as aulas começaram, Amanda viu que o novo cenário poderia render boas aprendizagens para todos. "Os dois alunos são tratados como as outras crianças, respeitando, é claro, as limitações deles. É muito legal trabalhar com eles, aprendo muito e a turma também!"

Arthur abraça a professora
UNICEF/BRZ/João Laet

A chegada de Arthur foi mais fácil do que todos esperavam. "Ele não teve problemas de adaptação. Foi logo contagiando todos, querendo ser amigo de todo mundo. Ele é uma criança muito carinhosa e adora conversar. Chega à classe e vai logo perguntando ‘Tia, por que isso? Tia, como é aquilo?’", relata a professora. Em pouco tempo, Arthur já estava enturmado e cheio de amigos.

Havia, é claro, um cuidado específico necessário. Como o comprometimento de Arthur está nas pernas, os educadores estão sempre de olho para que ele não se machuque. "Ele participa de todas as atividades, dentro das possibilidades dele. As crianças também o protegem bastante, ajudam quando ele não consegue calçar o sapato, ficam do lado". Além do trabalho em sala, Arthur conta com o apoio do Atendimento Educacional Especializado. Uma vez por semana, ele participa de atividades especiais para trabalhar a coordenação motora por meio de jogos pedagógicos, uso do computador e de outros recursos.

Arthur faz tarefas com a professora
UNICEF/BRZ/João Laet

Com todo esse empenho, a inclusão do menino é considerada por todos como um sucesso. "Do começo do ano para cá, Arthur aprendeu muitas coisas", conta a professora. A principal conquista foi a independência. "Aqui na escola, a gente estimula que ele faça as coisas sozinho: tome banho, vista a própria roupa, coma, guarde o material. Ele já aprendeu tudo isso e hoje consegue acompanhar a turma", comemora Amanda.

Suas conquistas podem ser percebidas, também, no jeito carinhoso como ele fala sobre a escola. Quando perguntado sobre a rotina, Arthur abre um grande sorriso e começa a contar: "A escola é assim: a gente chega, deixa a mochila na sala e vai lanchar. Tem biscoito no lanche! Aí a gente espera os coleguinhas para ir para a sala fazer um monte de coisa. A minha professora é a Amanda e eu gosto muito dela! Ela me ensina a escrever. Depois, a gente toma banho, almoça e vai dormir. Aí é hora de lanchar de novo e esperar o tio Rodrigo, o motorista. E pronto, eu venho para a minha casa. Toooodo dia é assim. E eu gosto muito de lá".