“Aprender em conjunto é mais especial”

Projeto Conectividade, em Salvador, disponibiliza apoio tecnológico, formação e apoio socioemocional a adolescentes do bairro de Valéria

UNICEF Brasil
Foto mostra uma adolescente segurando um diploma e um celular. Ela está em frente a uma construção - o fundo aparece uma escada -, entre uma trave de futebol e algumas plantas.
UNICEF/BRZ/Bruno Viécili
14 julho 2022

Um celular e um pacote de internet podem ser janelas para o mundo. Especialmente se forem disponibilizados com práticas educacionais inclusivas, e pautadas no desenvolvimento das competências socioemocionais. Foi isso o que o projeto Conectividade forneceu a 180 adolescentes que moram no bairro de Valéria, em Salvador.

Elas e eles participaram de 200 horas de oficinas sobre identidade, inclusão digital, projeto de vida, comunicação e defesa de direitos e identidades de meninos e meninas, gerando ações coletivas a partir da metodologia do Design Thinking, com foco na promoção de uma adolescência criativa, de protagonismo e conectada com a realidade pessoal e dos grupos estudantis.

No encerramento dessa etapa, grupos de adolescentes compartilharam suas experiências e aprendizados durante a iniciativa, idealizada pelo UNICEF e implementada pelo Instituto Aliança (IA), com o apoio da Capgemini.

“Esse curso foi muito especial para mim porque eu nunca tinha feito algo assim, só online. Aprender em conjunto é muito mais especial do que aprender sozinha”, disse Áthaly Carvalho Santana, 13 anos, uma das participantes, que mora com os pais e o irmão mais velho. Ela conta que gosta de morar no bairro de Valéria, onde cresceu, tem vários amigos, brinca e estuda, mas observa o impacto da violência. “Às vezes, a gente acaba perdendo o nosso dia de estudo porque teve tiroteio ou alguma coisa do tipo”, lembra, manifestando o desejo por “um pouco mais de segurança pra sair da própria casa”.

Para Áthaly, que também atuou como mestre de cerimônias no evento de encerramento da iniciativa, a experiência possibilitou pensar em projetos de vida e de trabalho. “A minha experiência foi muito legal! Fiz amizades, eu amei essa experiência. Gratidão pela oportunidade, foi um dos momentos que ficarão marcados na minha vida”.

“Cada adolescente conseguiu ampliar o campo de pesquisa das suas próprias curiosidades e as percepções das diversas realidades. Supor, pesquisar e constatar colaboram imensamente para o desenvolvimento da aprendizagem contemporânea. Empoderar é também oferecer ferramentas que ampliam horizontes e visão do mundo”, ponderou o coordenador pedagógico do projeto, Márcio Lupi. Além da metodologia participativa, o projeto ofereceu apoio tecnológico para que cada participante pudesse acessar as atividades virtuais.

Segundo a chefe do escritório do UNICEF em Salvador, Helena Oliveira, a iniciativa busca possibilitar o acesso à inclusão digital e fortalecer as competências de cada adolescente participante. “Esperamos ter contribuído para que mais 180 meninos e meninas de periferia estejam mais protegidos da violência por ter acessado mais práticas e recursos educacionais inclusivos e por estar mais empoderados e engajados na proteção e defesa de seus próprios direitos e identidades no território da cidade de Salvador”.

Projeto Conectividade
É uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com apoio do grupo multinacional Capgemini e implementado, em Salvador, pelo Instituto Aliança, para promover a inclusão digital de estudantes adolescentes no bairro de Valéria. O projeto é parte integrante da #AgendaCidadeUNICEF – Salvador para cada criança e cada adolescente, em parceria com a Prefeitura Municipal de Salvador. Nesse contexto, o UNICEF disponibilizará apoio técnico, compartilhamento de metodologias, monitoramento e intercâmbio com outras iniciativas locais e globais, como parte de sua estratégia de cooperação com governos municipais voltada aos centros urbanos.

“Esse conjunto de ações busca prevenir também a violência, a discriminação e ter ainda um impacto na própria redução dos homicídios contra adolescentes. Por isso, estamos escolhendo bairros vulneráveis. Uma vez que conquistarmos resultados de impacto, essas iniciativas conjuntas e estratégias vão poder ser replicadas para outros bairros da cidade”, destacou a então representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer, no lançamento da iniciativa no Rio de Janeiro. Além de em Salvador e no Rio, a #AgendaCidadeUNICEF acontece em Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, São Luís e São Paulo.

Sobre a #AgendaCidadeUNICEF
#AgendaCidadeUNICEF é uma iniciativa do UNICEF, em parceria com prefeituras municipais de grandes centros urbanos brasileiros, para promover direitos e oportunidades das crianças e dos adolescentes mais vulneráveis, contribuindo com a prevenção de violências em sua vida. Para engajar as administrações municipais, as comunidades, o setor privado, a sociedade civil, as famílias e as crianças, o UNICEF elaborou uma estratégia de atuação para o intervalo 2022-2024.

Ao longo do triênio, a #AgendaCidadeUNICEF abrirá caminhos de direitos e oportunidades para crianças e adolescentes por meio de estratégias integradas, que ajudam a reduzir e prevenir violências no seu dia a dia, integrará metodologias de diferentes áreas (Educação, Saúde, Proteção, Inclusão Socioprodutiva) e promoverá a mobilização social e o monitoramento de indicadores relacionados à área da infância e da adolescência.

O programa está sendo implementado em oito capitais brasileiras. Em cada uma delas, o UNICEF e a prefeitura municipal escolheram um território prioritário para a atuação, com base em dados de alta prevalência de violência contra crianças e adolescentes. Em Salvador, as ações da #AgendaCidadeUNICEF serão executadas no bairro de Valéria.

A iniciativa se desenvolve em cada município por meio das seguintes etapas:

  1. Pactuação formal entre UNICEF e prefeitura.
  2. Constituição de um comitê intersetorial ou espaço similar de gestão da iniciativa.
  3. Levantamento de indicadores relacionados à infância e à adolescência para monitoramento dos resultados.
  4. Mobilização social e escuta da comunidade no território sobre os desafios na área da infância e da adolescência.
  5. Elaboração, implementação e monitoramento do Plano de Ação 2022-2024.
  6. Promoção da participação social por meio do fortalecimento de lideranças comunitárias e a formação local de Núcleos de Cidadania de Adolescentes.
  7. Intercâmbio sistemático de experiências entre as equipes municipais e os núcleos de adolescentes das diferentes cidades.
  8. Medição dos resultados a partir do monitoramento dos indicadores junto com a comunidade.
  9. Sistematização das boas práticas. Visibilidade aos esforços e resultados.