“Ainda temos razões para agradecer e sorrir”

Em Boa Vista, famílias migrantes venezuelanas promovem a valorização da água e hábitos de limpeza e higiene nas suas comunidades

UNICEF Brasil
mulher lava roupa em tanque comunitário, ela está rindo
UNICEF/BRZ/Benjamin Mast
02 setembro 2020

Yairis Medina, seu marido e seu filho, de apenas 9 anos, caminharam os quase 214 km que separam a fronteira venezuelana da cidade de Boa Vista, capital do estado de Roraima. Foram nove dias exaustivos de caminhada. Ao chegar na cidade, moraram na rua por três meses, embaixo de uma caixa de água no bairro de Santa Teresa. Foram momentos de muita dificuldade, em que a falta de segurança, alimentação e condições básicas de sobrevivência marcou toda a família.

“Foi muito difícil viver tanto tempo na rua. Conseguíamos cozinhar e tomar banho debaixo do tanque com o abastecimento de uma única torneira, mas a necessidade de dar melhores condições de vida para meu filho de 9 anos me levou a buscar soluções”, relembra. Foi quando a família conseguiu abrigamento dentro do abrigo Nova Canaã.

Depois de um ano e três meses pertencendo à comunidade do abrigo Nova Canaã, Yairis se considera uma das beneficiárias mais felizes do serviço de água. Quando chegou ao abrigo, lembra que o abastecimento de água era menor. Agora, com instalação de cisternas e estruturas de fornecimento de água e bebedouros do UNICEF, o dia a dia ficou muito mais simples, o que a faz se lembrar dos momentos de grande dificuldade nos primeiros meses vivendo no Brasil. “Não é fácil, porque há muitos venezuelanos que estão na mesma situação em que eu estive, e embora haja um grande apoio das agências humanitárias para milhares de venezuelanos, continuarão existindo pessoas que precisam de ajuda”, diz. “Mas em tempos de dificuldade, ainda temos grandes razões para agradecer e sorrir”.

mulheres lavam roupa em tanque comunitário
UNICEF/BRZ/Benjamin Mast
Lavatório de roupas no abrigo Nova Canaã.

Garantir o acesso ao saneamento, à água de qualidade e à higiene é um dos trabalhos que o UNICEF, com apoio da Adra, vem realizando em Roraima. Mais de 8 mil migrantes e refugiados venezuelanos que moram dentro dos abrigos da Operação Acolhida e em ocupações espontâneas são beneficiados e contribuem com o mantimento dentro das suas comunidades. A comunidade migrante também é envolvida na gestão e manutenção das estruturas de água e saneamento. Assim, todos os abrigos contam com grupos de limpeza, organizados e acompanhados de perto pelos monitores de Água e Saneamento do UNICEF e da Adra. Como parte do processo, as lideranças locais são capacitadas para promover mudanças positivas na comunidade e estimular participação de outras pessoas no cuidado atencioso de seus novos espaços de vida, reconhecendo-os como seu novo lar.