Adolescentes unidos contra a Covid-19 em abrigos

Em Roraima, mobilizadores comunitários venezuelanos trabalham para levar mensagens de prevenção contra o coronavírus e seus efeitos aos abrigos em que vivem

UNICEF Brasil
um homem jovem fala para crianças e adolescentes que estão sentados em círculo em carteiras escolares. todos usam máscara.
UNICEF/BRZ/Yareidy Perdomo
17 agosto 2020

Quando Edwin Sánchez chegou ao Brasil, em maio de 2019, não sabia como seria sua vida. Mesmo sozinho e tendo deixado família e trabalho na Venezuela, o jovem de 24 anos não perdeu tempo: assim que entrou no abrigo para migrantes em Boa Vista, Roraima, passou a usar suas habilidades de informática para ajudar todos. Agora, Edwin soma mais uma experiência entre tantas que teve no país que o acolheu: ele é um dos mobilizadores comunitários da campanha “Se Ligaê – Todos contra o coronavírus”, que integra o projeto Geração em Movimento (G-Move), realizado pelo UNICEF em parceria com o Coletivo Mosaico.

Toda semana, o jovem mobilizador reúne crianças e adolescentes migrantes no abrigo em que vive, o Rondon 2 – um dos 13 espaços naquele estado geridos pela Operação Acolhida, a resposta humanitária do Governo Brasileiro à crise migratória da Venezuela. Nessas ocasiões, conversa sobre a importância da prevenção do coronavírus e seus efeitos para a proteção e a saúde das famílias.

Assim como ele, outros 10 mobilizadores comunitários, todos jovens venezuelanos, estão presentes nos abrigos para migrantes em Boa Vista e Pacaraima, incluindo nos espaços indígenas – onde vivem, em sua maioria, famílias da etnia warao.

Edwin tem trabalhado para engajar cada vez mais meninas e meninos, promovendo um espaço seguro de discussão e acesso a informação de qualidade. “Falamos de temas como proteção às crianças, prevenção de abuso e violência, saúde mental, além de reforçar o que eles já sabem sobre o coronavírus”, conta o mobilizador.

Para preparar os mobilizadores comunitários, o UNICEF providenciou o acesso a tablets e pacotes de dados, que são usados para capacitações semanais com especialistas. “No tablet, eu registro as crianças com quem já conversei, e consigo acessar as videoconferências com o UNICEF e Mosaico todas as semanas”, explica Edwin. Durante as formações, os mobilizadores dos diversos abrigos se reúnem online, aprendem como comunicar os temas e podem tirar dúvidas.

Uma outra vertente do projeto promove atividades com estudantes da rede pública de Boa Vista, promovendo espaços de integração entre venezuelanos e brasileiros.

Seguir agindo
Durante o período de pandemia, é importante garantir que crianças e adolescentes tenham espaço para seguir ativos e se desenvolver, mesmo com as escolas fechadas. Anthony Moncada, de 16 anos, participa de atividades do UNICEF e do Coletivo Mosaico desde que chegou ao Brasil, em outubro de 2019. Quando ainda morava em outro abrigo, o adolescente já participava do Súper Panas, projeto do UNICEF que promove atividades educativas e de apoio psicossocial para crianças e adolescentes.

Agora, vivendo no Rondon 2, o adolescente participa da campanha “Se Ligaê”, integrando o diálogo sobre prevenção ao coronavírus em seu abrigo. São atividades como essa que o têm mantido o ativo no Brasil, depois de um difícil período de adaptação por ter deixado a vida na Venezuela.

um adolescente está parado em frente a um quadro, que foi pintado por ele. o adolescente usa máscara.
UNICEF/BRZ/Yareidy Perdomo
Anthony Moncada posa ao lado de uma de suas pinturas, no abrigo Rondon 2, em Boa Vista, Roraima.

Estudante de uma escola pública, ele havia participado de aulas de português e atividades do Coletivo Mosaico durante as férias. São nesses momentos que Anthony encontra espaço para fazer uma das coisas que mais gosta: pintar. “Eu gosto de pintar no meu tempo livre. É minha forma de desestressar e poder esquecer um pouco esta situação de refúgio”, conta.

Desde 2015, o Brasil recebeu mais de 264 mil pedidos de refúgio ou residência temporária de venezuelanos. Mais de um terço são crianças e adolescentes, muitos em contexto de extrema vulnerabilidade, que devem ter os seus direitos assegurados diante do duplo desafio que recai sobre essa população: enfrentar a pandemia do coronavírus em meio a uma situação de migração e refúgio.

Sobre o G-Move – Realizado pelo Coletivo Mosaico e o UNICEF, o projeto Geração em Movimento trabalha para que mensagens de cuidado e prevenção cheguem às famílias brasileiras e venezuelanas por meio do engajamento de adolescentes e jovens. Para isso, busca garantir que eles tenham um espaço de diálogo e integração, em espaços virtuais derivados da escola ou dos abrigos onde estudam ou residem. Essas ações seguirão sendo fortalecidas para promover o direito à participação e à informação de qualidade.