UNICEF e OIM apresentam alguns dos desafios enfrentados por crianças e adolescentes venezuelanos que chegam ao Brasil

Pesquisa mostra que a maioria das meninas e dos meninos entrevistados não estava na escola, e uma parcela considerável estava sujeita a problemas de saúde e segurança alimentar

02 Outubro 2018
uma menina, de costas para a câmera, está enchendo baldes de água
UNICEF/BRZ/João Laet
Famílias venezuelanas indígenas da etnia warao moram em abrigo em Boa Vista, Roraima.

Brasília, 2 de outubro de 2018 – Quem são as crianças e os adolescentes venezuelanos que têm chegado ao Brasil nos últimos meses? Quais as necessidades e vulnerabilidades a que essas meninas e esses meninos estão sujeitos? Para responder a essas perguntas, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realizaram uma nova edição do monitoramento do fluxo migratório venezuelano, tendo como foco a infância e a adolescência. A pesquisa foi realizada com apoio financeiro do Fundo Central de Resposta de Emergência das Nações Unidas (CERF, na sigla em inglês) e o Escritório para População, Refugiados e Migração (PRM, na sigla em inglês) do Governo dos Estados Unidos.

A pesquisa, realizada nas cidades de Pacaraima e Boa Vista (RR) de maio a junho de 2018, mostra os desafios que os venezuelanos que chegam ao País enfrentam, em especial as crianças e os adolescentes. Foram entrevistadas quase 4 mil pessoas, das quais 425 estavam com seus filhos menores de 18 anos ou acompanhando alguma criança ou adolescente. Foi possível, assim, coletar informações sobre 726 crianças e adolescentes. Desses, 479 estavam nos bairros de Boa Vista e Pacaraima, 171 na fronteira de Pacaraima com a Venezuela e 76 na Rodoviária de Boa Vista.

Os dados mostram que muitos dos meninos e meninas que chegam ao Brasil encontram dificuldades para frequentar a escola. Um número considerável tem acesso a saúde, mas está sujeito a problemas de saúde por conta de questões de higiene e alimentação. Também há relatos de crianças que estão expostas à violência. Entre os principais dados, a pesquisa mostra que:

Educação

  • Do total das crianças e dos adolescentes, 63,5% não frequentam a escola. As razões para a ausência escolar incluem falta de vagas, distância e custos.
  • Olhando apenas a idade escolar obrigatória, nos bairros, mais da metade (59%) das crianças e dos adolescentes entre 5 e 17 anos de idade não frequenta a escola. A porcentagem para essa categoria é maior na faixa etária de 15 a 17 anos, em que 76% não frequentam a escola.

Saúde

  • A maioria das crianças e dos adolescentes (87,1%) estava com as vacinas atualizadas. Entre a população geral entrevistada, 70% declararam ter acesso aos serviços de saúde.
  • Porém, as condições sanitárias podem impactar a saúde delas. Do total de entrevistados da pesquisa, 60% afirmaram que não tinham acesso a água mineral filtrada para beber, e 45% não tinham acesso regular a água para cozinhar e para garantir sua higiene pessoal.
  • 28% das pessoas menores de 18 anos tiveram diarreia no último mês.

Segurança alimentar

  • Desde que chegaram ao Brasil, 115 crianças e adolescentes (16%) passaram por algum momento em que não tiveram comida suficiente.
  • 128 tiveram que reduzir o número de refeições.
  • 93 sentiram fome e não comeram.
  • 84 comeram apenas uma vez ou não comeram no dia.

Trabalho infantil

  • Desde que chegaram ao Brasil, 16 dos entrevistados responderam que, em algum momento, uma criança ou um adolescente sob sua responsabilidade trabalhou ou fez algum tipo de atividade esperando obter algum tipo de pagamento.

Violência sexual

  • Um total de 14 pessoas deram resposta positiva à pergunta: "Desde que chegou ao Brasil, você já conheceu uma criança ou adolescente que estava em risco de violência sexual?"

Confira a pesquisa completa.

Sobre a DTM da OIM
A DTM – Displacement Tracking Matrix é um sistema que capta e monitora o deslocamento e o movimento das pessoas. Uma de suas metodologias são entrevistas de monitoramento de fluxos migratórios (FMS, na sigla em inglês).

A primeira edição da pesquisa com foco na situação de imigrantes venezuelanos no Brasil foi realizada entre janeiro e março de 2018, pela OIM a pedido do Ministério dos Direitos Humanos. A segunda edição aconteceu entre maio e junho, com ênfase em crianças e adolescentes, com apoio do UNICEF.

O monitoramento foi realizado em locais de trânsito e assentamentos de venezuelanos em Boa Vista e Pacaraima. Foram entrevistadas pessoas em situação de rua, em propriedades abandonadas e casas. A equipe entrevistou 3.785 pessoas. A grande maioria tinha mais de 18 anos de idade. Havia 27 adolescentes desacompanhados (maiores de 15 anos) que também foram entrevistados.

Uma vez que a amostra foi construída por conveniência, os resultados são indicativos apenas das características da população pesquisada. Não é possível, portanto, estabelecer uma generalização probabilística de toda a população imigrante venezuelana presente ou em trânsito entre os meses de maio e junho de 2018 em Boa Vista e Pacaraima.


Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e adolescentes migrantes venezuelanos.


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Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

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